Mabon

HERFEST – Equinócio do Outono (HN)


Data: Por volta de 21 de setembro

Nomes alternativos: Mabon, Colheitas dos vinhos, Banquete de Avalon.

Cor: laranja, vermelho, marrom, verde e amarelo

Símbolo: maçã, abóbora, cornucópia

Deuses: da colheita, Deuses Velhos e principalmente Mabon, o Deus Celta do amor

Cristais: ágata, lápis-lazúli, safira, cornalina

Alimentos: derivados de milho, trigo e todos os tipos de raízes e sementes como cenouras, batatas e nozes

Bebidas: vinhos e sucos de frutasFrutas: maçãs e romãsIncenso: benjoim, mirra e salvo.

No Panteão Celta, Mabon, também conhecido como Angus, era o Deus do Amor. Nesta noite devemos pedir harmonia no amor e proteção para as pessoas que amamos. Esta é segunda colheita do ano. O Altar deve ser enfeitado com as sementes que renascerão na primavera. O Chão deve ser forrado com folhas secas.É tempo de tristeza para a Deusa, pois breve o Deus deixará o mundo físico, mergulhando então na escuridão. As folhas começam a cair, o dia não tem mais tanta luminosidade e a natureza prepara-se para o inverno. Inicia-se o período negro do ano. É tempo de meditação sobre a morte. Toda bruxa sabe que a morte, nada mais é , que o fim de um ciclo e início de outro. É exatamente por isso, que comemora-se os Sabbaths: reverenciando a morte e regozijando a vida. Mas, apesar de ter conhecimento de tudo, a Deusa está amargurada e sua tristeza é retratada no aspecto sombrio que adquirem os dias de outono.Também é o Festival em que se pede pelas pessoas doentes e mais idosas que precisam de nossa ajuda e de homenagear nossas antepassadas femininas (nossas vózinhas bruxas), queimando papéis com seus nomes no Caldeirão e lhes dirigindo palavras de gratidão e bênção.

RITUAL DE MABON

Material:
Galhos e folhas secas, Óleo de patchuli, Velas pretas… Trace o círculo, erga o altar. Unte as velas pretas com óleo de patchuli, coloca-as em forma de círculo (representando a Roda do Ano) e disponha os galhos e folhas secas em volta e no chão.Faça uma homenagem à Deusa e despeça-se do Deus. É hora de se fazer feitiços para afastar pessoas indesejáveis e problemas.Celebre com frutas e bebidas.Ao encerrar feche o círculo de proteção
Quando terminar os Sabbaths:Sempre coma os alimentos que foram consagrados e se possível divida-os entre familiares e pessoas queridas.Tudo aquilo que for consagrado como velas, ramos de trigos, fitas e outros materiais que não forem utilizados, devem ser distribuídos às pessoas que você goste.A libação sempre deverá ser feita ao término da realização do Sabbath.Os resíduos de velas, incensos, assim como água e vinho que sobrarem devem ser depositados em um canteiro com plantas ou flores.Sempre trace o Círculo Mágico no início dos rituais e desfaça-o ao término dos mesmo.

Adendo: Nesse dia especial e mágico, uma pessoa especial faz aniversário!!!

Esbbath


Além dos oitos Sabbats, os povos celtas celebravam também os Esbats, ou seja, as treze luas cheias ao longo do ano solar. A lua cheia foi venerada durante milênios por grupos de homens e mulheres, reunidos nos bosques, nas montanhas ou na beira da água, como a manifestação visível do princípio cósmico feminino, na forma das deusas lunares ou da Vovó Lua. Com o advento das religiões patriarcais, houve uma divisão na vida religiosa familiar. Os homens passaram a reverenciar os deuses – solares e guerreiros -, enquanto que as mulheres continuavam se reunindo para celebrar a lua cheia e honrar a Grande Mãe. A cristianização forçada e, principalmente, as perseguições dos “caçadores de bruxas” durante os oito séculos de Inquisição, procuraram erradicar a “adoração pagã da Lua” e os Esbats foram considerados orgias de bruxas e manifestações do demônio.A palavra Esbat deriva do verbo esbattre, em francês arcaico, significando “alegrar-se”, pois essas celebrações não eram tão solenes como os Sabbats, proporcionando, além dos trabalhos mágicos, uma atmosfera jovial. Há também uma semelhança com a palavra “estrus” – o ciclo lunar de fertilidade -, reforçando a idéia da repetição mensal dessas comemorações.Durante os Esbats, reverencia-se a força vital criativa, geradora e sustentadora do universo, manifestada como a Grande Mãe. A noite de lua cheia ou o plenilúnio, é o auge do poder da Deusa, sendo o momento adequado para rituais de cura e trabalhos mágicos. Usam-se altares – simples ou elaborados – com os símbolos da Deusa e acrescentam-se os elementos específicos da lunação. Além dos rituais, há cantos, danças, contam-se histórias e fazem-se meditações. No final, comemora-se repartindo pão ou bolo e bebendo-se vinho, suco ou chá, brindando à Lua e ofertando um pouco à natureza em sinal de gratidão à Mãe Terra. O pão sempre simbolizou o alimento tirado da terra, enquanto que o vinho favorecia a atmosfera de alegria e descontração.Atualmente, os plenilúnios são comemorados não somente pelos grupos estruturados da Wicca (os covens), neo-pagã ou xamânica, mas também por grupos de mulheres ou pelos “solitários”. A Deusa está cada vez mais presente na vida e na alma das mulheres, os raios prateados da Lua realçando suas múltiplas faces.Na Antiga Tradição, nas reuniões praticadas por covens ou individualmente, o ponto máximo do Esbat é o ritual de “Puxar a Lua”, ou seja, imantar uma sacerdotisa ou mulher com a energia da Deusa. O objetivo desse ritual é triplo: primeiro, procura-se a união com a Deusa para compreender melhor seus mistérios; segundo, busca-se imantar o espaço sagrado com a energia mágica da Deusa e, em terceiro lugar, objetiva-se o equilíbrio dos ritmos lunares das mulheres e o aumento da fertilidade, física e mental. Para atrair a energia da Lua, usa-se o punhal ritualístico (átame) ou um bastão consagrado, direcionando-o para um cálice com água. Invoca-se a Deusa e expõe-se seu pedido ou, simplesmente, entra-se em contato com sua essência, deixando-a penetrar em todo seu ser. Fundir-se com a energia da Deusa é um ato de realização espiritual e jamais deve ser usado com fins egoístas, forjando mensagens ou avisos “recebidos” durante o ritual. Quando o propósito é sincero e o coração puro, a experiência é sublime e comovente. Após um tempo de interiorização e contemplação, tornam-se alguns goles da água “lunarizada” e despeja-se o resto sobre a terra, para “fertilizá-la”. Como em outros rituais, os Esbats devem ser feitos após invocar-se os Guardiões das direções e os elementos correspondentes, criando-se o círculo mágico.Ritual da Lua CheiaNa noite de Lua Cheia, prepare seu altar para a Magia Lunar – toalha e vela branca, cálice com leite, incenso com perfumes lunares (rosa branca, lírio, cânfora, etc.) e um cristal de quartzo.Acenda a vela, incenso e invoque as deidades da Lua, dizendo:

“DEUSAS DA LUA, SENHORAS DA NOITE, MESTRES DA MAGIA E DO ENCANTAMENTO: ARIANRHOD, ARTEMIS-DIANA, HEKATE, IO, ISHTAR, ÍSIS, LEUCHOTHEA, LUNA, SELENE E TODAS VÓS, SANTAS E SAGRADAS! A MIM VENHAM AS TUAS BENÇÃOS! A MIM E A TODAS AS TUAS CRIATURAS, FILHOS E FILHAS DA DEUSA! PAZ! PROTEÇÃO! SAÚDE!”
QUE ASSIM SEJA!

Coloque o dedo indicador no cálice com leite e desenhe um crescente em sua testa. Eleve ambos os braços para o Céu e sinta os raios lunares descendo até você. Fique assim por alguns instantes. Depois, levante o cálice para o alto, com as duas mãos, imaginando que as bençãos da Lua se concentram nele. Beba todo o leite do cálice e faça uma prece de agradecimento a todas as deidades invocadas.Sente-se e fique em silêncio por alguns minutos. Apague a vela e deixe o incenso queimar até o fim.

Que Assim Seja!

Sabbath


No decorrer do ano lunar, ou 13 lunações, as Bruxas comemoram 8 Sabbaths, ou seja, rituais associados ao nascimento do Deus Cornífero, seu casamento com a Deusa e, posteriormente sua morte. O conceito de morte, para nós, representa a renovação da vida, e é tão somente, a passagem do plano material para o espiritual.Estas celebrações também apresentam correspondência com as quatro estações do ano:Na Primavera, comemora-se o renascimento da Natureza, que após ter passado longo período na escuridão do Inverno.Já no Verão cultua-se a Natureza, que agora se apresenta exuberante e o Sol que posiciona-se alto e forte no céu.Com a entrada do Outono e os dias menores, é hora de se preparar para enfrentar a noite e a morte do Inverno que se aproxima.Logo abaixo farei uma descrição mais minuciosa sobre cada data, convém que você leia se realmente quiser fazer parte deste Mundo Novo das Bruxas. Você além de adquirir cultura geral, vai precisar deste conhecimento para tornar-se bruxa. É bem interessante!


Data – Hemisfério Norte
(HN)
Samhain – 31 de Outubro

Yule – 21 de Dezembro

Imbolc ou Candlemas – 1º de Fevereiro

Ostara – 21 de Março

Beltane – 1º de Maio

Litha – 21 de Junho


Lughnasadh ou Lammas – 1º de Agosto

Mabon – 21 de Setembro

No Brasil alguns Bruxos têm preferência por praticar a Arte pelo Hemisfério Sul. Prevalece o princípio da liberdade para cada um seguir o seu instinto e comemorar as datas da Roda do Ano como achar melhor. Porém o certo sempre será alinhar-se a egregora do Hemisfério Norte pois esses Sabbaths estão ligados a constelações e não somente a mera estações do ano.

RECEITAS PARA RODA DO ANO

SAMHAIN

Bolo de Sam
hain
300 g de frutas cristalizadas;
50 g de cerejas;
50 g de açúcar mascavo;
200 g de farinha de
trigo;
1 colher (chá) de fermento para bolos;
250 ml de chá quente (de maçã);
1 ovo grande;
1 colher (sopa) grande de marmelada;

Várias surpresas de Samhain (pingentes, metais, etc.)**Nada de plástico!
Misture as frutas e cerejas ao açúcar mascavo e cubra com o chá quente. Permita macerar pelo menos de meia a uma hora. Acrescente a farinha peneirada e o fermento, misturando bem. Coloque o ovo (inteiro) e a marmelada e misture mais uma vez.Por último, acrescente as surpresas de Samhain (surpresa) que deverão ser embrulhadas firmemente em papel laminado. Misture bem.Unte a forma de bolos e despeje a massa. Decore o topo com mais cerejas. Leve ao forno quente por 45 minutos.

YULE


Kleinur de Yule (biscoitos de raio de sol)

900 g de farinha de trigo;
240 g de açúcar branco;
60 g de margarina;
1 colher (chá) de essência de baunilha;
1/2 colher (chá) de soda (para alimentos);
5 colheres (chá) de fermento p/ bolos;
1/2 litro de leite;
1 ovo;

Bata a margarina e a farinha misturando aos outros ingredientes. Faça um monte na massa, cave um buraco no meio e misture o leite de forma que a massa fique homogênea. Misture bem até que fique uma massa lisa, sem caroços. Deixe a massa descansar por duas horas e estique-a com o rolo de macarrão. Corte em diamantes e faça um canal no meio dos biscoitos, bem de leve, só para decorar. Se quiser pincelar com gema de ovo, só para dar um tom dourado, ficará bem bonito. Unte a assadeira e leve ao forno até assar por completo.

IMBOLC


Pudim de Imbolc

Qualquer alimento que simbolize ou tenha ligação com o Sol
ou fertilidade é apropriado para este Sabbath,
assim como comidas que levem leite.
Minha comida favorita de Imbolc é o pudim de arroz,
por incorporar símbolos de fertilida
de do Sol e muito leite.
Aqui vai a receita que uso:

1 xícara de arroz, lavado, escorrido e cozido;
4 xícaras de leite — simbolizando o leite da Deusa;
1 xícara de açúcar branco — para a doçura da vida;
2 ovos batidos — simbolizando o sol e fertilidade;
1 xícara de mingau de maisena, consistente;
Baunilha a gosto, porque toda receita deveria ter baunilha
;
Canela em pó a gosto.

Junte (sobre o fogo de Brigit – seu fogão mesmo serve) o arroz, o mingau, o leite, o açúcar, os ovos e a baunilha até que se tornem uma massa, apenas, cuidado para não encaroçar ou endurecer demais (por causa da maisena). Depois disso, tire do fogo e disponha em tigelas, polvilhando com a canela em pó na parte de cima. Leve ao refrigerador quando já estiver frio. Sirva gelado! (Se você é um praticante solitário, enquanto você mexe e carrega o pudim, deverá enfocar seus pensamentos e desejos nas coisas que você quer que cresçam em sua vida. Se você faz parte de um Coven ou uma Tradição Familiar, você deve cozinhar como manda sua tradição).

OSTARA

Ovos recheados de Ostara

“Comer ovos no Equinócio Primaveral
é o equivalente a estar ingerindo
a energia PURA de OSTA
RA!”

8 ovos cozidos;
2 xícaras de maionese;
1 colher (sobremesa) rasa de açúcar branco;
1/2 xícara de vinagre de maçã;
Tomilho fresco ou manjericão (à vontade);
Agrião (à vontade).


Coloque os ovos para serem cozidos em água fervente por mais ou menos 25 minutos. Descasque os ovos e corte longitudinalmente. Escave as gemas dos ovos e triture-as ou misture-as em um liquidificador com a maionese, o açúcar e o vinagre. Bata até ficar bem cremoso. Encha as claras cozidas (de onde escavou as gemas) com a massa, usando
uma bolsa de confeiteiro ou cuidadosamente colocando com uma colher de chá. Enfeite os ovos com o tomilho ou manjericão e decore o prato com as folhas de agrião.

BELTANE


Biscoitos de Aveia de Beltane
1 e 1/2 xícaras de farinha de aveia;
1/2 xícara de açúcar mascavo;
¾ de uma xícara de manteiga;
1 ovo inteiro;
1 xícara de bananas cortadas em rodelas bem finas;
1/2 colher (chá) de fermento em pó;
Canela em pó (a gosto).

Pré-aqueça seu forno. Misture a farinha, o fermento e o açúcar marrom até ficar bem misturado. Deixe descansar por 30 minutos. Junte então a manteiga, o ovo e as frutas. Unte a assadeira e vá depositando porções no tamanho de biscoitos. Asse durante 15 minutos.

LITHA


Hidromel sem álcool

2 litros de água mineral (sem cloro ou química);
2 xícaras de mel;
1 colher (chá) de noz-moscada (moída por você);
2 limões cortados em fatias.


Ferva todos os ingredientes num recipiente de barro (panela rústica). Preste atenção para ir retirando a “nata” com uma colher de pau enquanto ferve. Quando não houver mais “nata”, acrescente o seguinte:2 pitadas de sal;Suco de 1 limão.
Coe e deixe esfriar. Depois é só beber, preferencialmente em temperatura natural.

Salada de Desejos
1/2 cabeça de repolho roxo;
1 alface média;
3 tomates;
15 azeitonas pretas do tipo calabresa;
1/2 cebola roxa;
1 berinjela;
Azeite de oliva;
1 dente de alho.

Corte sua berinjela diagonalmente em várias fatias. Coloque o azeite na panela em fogo médio.Quando o azeite estiver bem quente, junte o alho esmagado e as fatias de berinjela. Doure um pouco a berinjela. Seque o azeite da berinjela com papel absorvente.Tenha certeza de que lavou sua alface. Pique o repolho roxo na tábua de cortar, sempre em pedaços finos. Faça o mesmo com a alface. Corte os tomates em fatias verticais. Corte as azeitonas e a cebola do modo que mais lhe agrada.Decore o fundo do prato com a berinjela. Coloque então a alface e o repolho no prato, agora decorando com as rodelas de cebola e azeitonas. Distribua as rodelas de tomates em volta do prato.
LUGNASADH


Bolo de Milho Gelado de Lugnasad

3 xícaras (chá) de milho verde (aproximadamente quatro espigas médias);
1 xícara (chá) de leite de vaca;
2 xícaras (chá) de açúcar;

5 ovos inteiros;
2 colheres (sopa) de (amido de milho);
4 colheres (sopa) de queijo ralado;
4 colheres (sopa) de margarina;
1 colher (sopa) de fermento em pó;
1 vidro pequeno de leite de coco;
5 colheres (sopa) de coco fresco ralado.

Escorra o milho e bata-o no liquidificador com o leite. Junte o açúcar à margarina e bata bem. Acrescente um ovo de cada vez e bata a cada adição. Misture leite de coco, queijo ralado e (amido de milho) e bata até ficar uma massa homogênea. Retire do liquidificador e misture o coco ralado e o fermento em pó peneirado. Despeje a massa em uma forma média, untada com manteiga e enfarinhada e asse em forno médio pré-aquecido. Deixe esfriar e leve à geladeira. Sirva gelado.

MABON


Quiche da Colheita (maçã e canela)

2 maçãs- descascadas e fatiadas;

2 tabletes de manteiga;
Queijo cheddar ralado a gosto;
Massa para tortas (pode ser das industrializadas se não souber fazer);
1 colher (sobremesa) de açúcar branco;
1 colher (chá) de canela;
4 ovos grandes inteiros;
1 1/2 xícaras de creme de leite.

Deixe a maçã fritar na manteiga durante cinco minutos. Salpique açúcar e canela em cima das maçãs. Recheie a massa de torta com as maçãs. Salpique o queijo sobre a torta (já fechada). Bata os ovos junto com o creme de leite. Espalhe em cima da torta. Asse até que doure, por mais ou menos 35 minutos. Rende 6 porções.

Celtas

Magia e Sabedoria

Os celtas estiveram presentes em praticamente todo o continente europeu, que possui fragmentos de sua cultura. O seu habitat inicial era o sudoeste da Alemanha, Europa ocidental e central. Com o domínio da agricultura, tecnologia na cerâmica e no bronze, ao longo de séculos, eles invadiram França, Espanha, Tchecoslováquia, sul da Alemanha, Áustria e grã- Bretanha. A sua história se estendeu por cerca de dois mil anos (de 1800 a.C. até o final do século I d.C.). A partir de 660 a.C., invadiram a Península Ibérica e, até a metade de século II a.C., expandiram-se para Ucrânia, Grécia, Ásia Menor, Gália e grande parte da Itália.
Quando se fala dos povos celtas, não se fala de um império celta, porque eles viviam em tribos independentes,; o poder era dado ao rei, escolhido pelo grupo, e que cuidava do bem-estar da sua comunidade. Quando uma tribo atingia um numero determinado de habitantes, ela se dividia. Uma parte ia pro outro lugar a fim de organ
izar uma nova aldeia, seguindo o sinal que era fornecido pelas aves totêmicas, ate chegarem às novas terras. Eles eram organizados política e socialmente em tribos independentes que, ao longo dos anos, foram se espalhando pela Europa. Não são considerado um povo com etnia homogênea, mas possuíam a mesma língua e religião, que servia como um elo entre os membros das diversas tribos, dando-lhes a característica de “Celta”.
O cotidiano celta era repleto de uma magia natural, que acontecia através da forma com que observavam o mundo. Para os celtas, os mundos físicos e espirituais eram um único mundo; não havendo separação entre o natural e o sobrenatural. Eles enalteciam o universo natural, e reconheciam seu valor e sua energia. A sua mitologia e religião estavam centralizada na figura de uma deusa , a Mãe Terra, que é a própria natureza, representando o amor, a morte a sexualidade e a fertilidade.

O celta percebia que todo homem pertence à grande teia da natureza , e que a vida é uma sucessão de novas experiências e descobertas. Alguns lugares eram considerados sagrados por possuírem uma energia especial , da mesma forma que algumas épocas do ano eram festejadas com os famosos sabás.
Pode-se dizer que a magia sempre esteve presente no cotidiano celta e podia ser praticada por qualquer um, apesar da existência dos druidas, sacerdotes organizados num clero.
O povo celta era dividido em tribos que tinham o seu rei, o seu druida, e que esse povo tinha suas crenças religiosas ligadas à natureza, à Mãe T
erra. Para o celta a mulher era especial, e muito porque era associada à Mãe Terra.
As mulheres eram vistas como aspectos vivos da criação, porque vivenciavam todos os meses com o ciclo menstrual, o processo da vida, morte e renascimento, além do poder de gerar vidas. Dergflaith era um dos nomes célticos dados a menstruação, e significava “soberania vermelha”. O vermelho representava a soberania, poder, vida. Pense então nos mantos vermelhos dos reis. A menstruação tinha conotação de sagrado, porque acreditavam que as mulheres se tornavam ancorada e enraizada nesse período. Nos períodos de menstruação, as mulheres se isolam e se dirigiam à floresta, compartilhavam seus pensamentos e refletiam sobre os problemas da tribo.
O poder feminino também pode ser representado pelo ritual religioso e mágico “hieròs-gámos” (casamento sagrado), no qual uma mulher que tinha o poder mágico representava a Deusa e concedia aos reis e heróis grandes poderes.

Dentro da sociedade celta, a mulher dominava a religião. Ela podia ser uma guerreira e podia também escolher seu parceiro. Quando ela se casava, trazia para o casamento seus bens e se fossem superior ao do marido ela se tornava o chefe do casal. Há ainda uma coisa importante de para se dizer com relação aos casamentos: não existia a concepção de união eterna e fidelidade, nem traição. No casamento, privilegiava-se o amor, ao mesmo tempo que o casamento era visto como um contrato que poderia ser rompido, pois existia o divorcio. São concepções interessantes para uma época tão distante porque na verdade a mulher celta era tudo o que a mulher hoje “briga” muito por ser.
A primeira grande lição que os celtas nos dão é a da observação e do respeito pela natureza. Levavam sempre em consideração a Roda do Ano, os elementos da natureza, os pontos cardeais, o sol, a Lua, e valorizam a energia dos elementos da natureza. A terra, o ar, o fogo e a água e etc. são representações e formas diferentes de energia, e a partir desses elementos todas as coisas são formadas. É o que chamamos de energia Elemental, q
ue vem dos elementais, seres do mundo espiritual cuja tarefa é dirigir o poder divino para as formas da natureza. As pedras eram consideradas como as energias espirituais mais antigas da Terra, e guardavam ensinamentos profundos, que eram revelados quando eram reverenciadas. Toda a Bretanha, Irlanda e Grã- Bretanha possuem pedras verticais espalhadas por diversas regiões, com tamanhos diversos.
Os celtas se relacionavam com os elementos e com seres elementais em seu cotidiano e em seus rituais de magias. A própria mitologia celta nos dá provas disso quando relata histórias nas quais os heróis se perdem no Outro Mundo, repleto de seres elementais.
A religião celta possui algumas características xamânicas, pois estava sempre em contato com a natureza e os seus espíritos. Para eles, os anima
is possuem dons especiais para a cura e sempre nos dão grandes lições de vida. Animais totêmicos representavam a tribo e serviam como proteção. O ogham, alfabeto celta utilizado pelos druidas, é conhecido como o alfabeto da árvore, no qual cada letra representa uma árvore, com energia e características específicas. Os druidas, como os xamãs, recebiam revelações por sua interação com o Outro Mundo, praticavam a adivinhação e faziam o uso do tambor, da dança e do cogumelo em seus rituais.
Podemos dizer que as raízes da Wicca estão na antiga religião celta e, por conseqüência, no druidismo. Sua essência básica é centrada na Grande Mãe, a figura do Divino feminino, mas a tradição Wicca possui uma grande carga de elementos que não faziam parte da religião celta. Esses elementos vêm da Magia Ritual, Cabala, tradições da Maçonaria e até mesmo da Golden Dawn. Existem boatos de que Crowley, famo
so ocultista do século XX, teria “encomendado” ao seu amigo Gardner a criação da Wicca para popularizar a religião Thelêmica, e sabemos que foi através das obras de Gardner que o paganismo foi ressuscitado.
O pentagrama surge como símbolo de paganismo moderno, e não é um símbolo de origem celta. Ele era usado na Mesopotâmia por volta de 3.500 a.C. e, através da cultura judaica da cabala, acabou fazendo parte dos rituais da tradição Wicca.
Para o celta, a religião e a magia eram algo muito natural, fazia parte do seu cotidiano. A Wicca embora tenha raízes celtas, é muito ritualística, especialmente hoje em dia.
Em todos os conceitos celtas encontramos grandes lições que podem nos auxiliar a viver melhor. Um de seus mais sábios conceitos é o de que o
tempo está e estará a nosso favor, nos oferecendo oportunidades que, muitas vezes, devem ser compreendidas em alguns segundos, mas que podem transformar qualquer coisa.
A filosofia de vida celta era muito simples: observar as grandes lições da Mãe-Natureza, o que é uma grande dificuldade para o homem moderno. Para eles, a vida era um eterno movimento cíclico de transformação permanente: nascemos, crescemos, morremos e renascemos. Há o momento certo para cada coisa: arar a terra, semear, colher. As estações do ano são a prova da natureza de que sempre, após um inverno rigoroso, há a chegada da primavera. Eles nos mostram que é preciso aprender a perder para ganhar depois. Cada problema ou situação difícil contém uma benção para acura e liberdade. Os celtas acreditavam que podemos, com responsabilidade e respeito, acionar os planos superiores, o Outro Mundo. Para eles, o Outro Mundo, cm sua carga de mistérios, está em noss
o interior. Toda pessoa possui dentro de si uma chama, uma fogueira tranqüila. É preciso perceber sua chama interior e ter uma ligação com a alma, mostrando que é preciso estar sempre ligado a sua própria essência.
Outra coisa importante nos ensinamentos celtas é o valor que eles davam à amizade, coisa rara nas sociedades modernas em que as pessoas sempre se esquivam das outras, por medo de serem “sugadas”. Para esse povo, uma amizade ultrapassava qualquer fronteira, qualquer plano. Existe a expressão gaélica que retrata muito o valor que davam à amizade, anan cara (amigo da alma). O conceito de amizade deu aos celtas a idéia de companheirismo, solidariedade, fidelidade, amizade profunda e especial; resumindo laços de lealdade que os unem.
Além de seus conceitos sobre a vida, o universo
mágico celta pode nos auxiliara adquirir mais equilíbrio, tranqüilidade, vigor, prosperidade, coragem, amor em nosso dia-a-dia, através de suas antigas praticas de magia com elementos da natureza. A natureza está aí: é só estar habilitado para acionar a sua energia.


Mitologia Persa

CaracterísticasA principal coletânea da mitologia persa é o Shahnameh de Ferdowsi, escrito mil anos atrás. A obra de Ferdowsi tem por base as histórias e personagens do Zoroastrismo e do Masdeísmo, não apenas o Avesta, mas também o Bundahishn e o Denkard.A mitologia persa é ao mesmo tempo muito próxima e diferente da mitologia hindu. Elas são próximas, porque os iranianos são um povo indo-europeu cuja língua tem grande semelhança com o sânscrito e foram um povo que estabeleceu constantes relações com os arianos da Índia. E são diferentes, pois a religião dos antigos persas adquiriu um aspecto mais moral que mitológico.Contexto religiosoOs personagens da mitologia persa podem, em sua maioria, ser classificados em dois tipos: os bons e os maus. Isso espelha o antigo conflito baseado no conceito do zoroastrismo da dupla origem em Ahura Mazda (em avéstico, ou Ormuzd em persa tardio). Spenta Mainyu é a fonte da luz, da fertilidade e das energias construtivas, enquanto Angra Mainyu (ou Ahriman em persa) é a fonte da escuridão, da destruição, da esterilidade e da morte.Ormuzd é o mestre e criador do mundo. Ele é soberano, onisciente, deus da ordem. O Sol é seu olho, o céu suas vestes bordadas de estrelas. Atar, o relâmpago, é seu cílio. Apô, as águas, são suas esposas. Ahura Mazda é o criador de outras sete divindades supremas, os Amesha Spenta, que reinam, cada um, sobre uma parte da criação e que parecem ser desdobramentos de Ahura Mazda.Sob Ahura Mazda e os seis Amesha Spenta a mitologia persa coloca, como divindades benéficas: “Mitra“, o mestre do espaço livre; Tistrya, o deus das trovoadas; Verethraghna, o deus da vitória; ela admitia, além disso, um grande número de deuses do mesmo elemento, os Izeds.Assim como Ahura Mazda estava cercado por seis Amesha Spenta e de outras divindades, Angra Mainyu (Ahriman) — o deus malfazejo que invade a criação para perturbar a ordem e que é concebido como uma serpente — é acompanhado de seis demônios procedentes das trevas cósmicas e de um grande número de outras divindades malignas.Além disso, Angra Mainyu, epítome do mal no Zoroastrismo, perdeu sua identidade zoroastrista e masdeísta original na posterior literatura persa sendo finalmente descrito como um Dev. Representações religiosas de Angra Mainyu posteriores a conquista islâmica mostram-no como um gigante com o corpo manchado e dois chifres.Os Devs (avéstico, persa: div), significando celestial ou radiante são muito comuns na mitologia persa. Estes seres eram adorados no Zoroastrismo anterior à difusão do Masdeísmo na Pérsia e, como nas religiões védicas, os adeptos do zoroastrismo consideravam os devs seres sagrados. Somente após a reforma religiosa de Zaratustra o termo dev foi associado com demônios. Mesmo assim os Persas que habitavam a região ao sul do Mar Cáspio continuaram a adorar os devs e resistiram à pressão para aceitar o Zoroastrismo e as lendas em torno dos devs sobreviveram até os dias atuais. Por exemplo, a lenda do Dev-e Sepid (Dev branco) de Mazandaran.MitosO mito mais importante da religião persa é o da disputa entre Ahura Mazda e Ahriman que consiste na luta de dois tipos de seres divinos. Esta luta nos aparece sob uma dupla forma: a material e a espiritual. No caso da luta material, Ahriman quer invadir o céu, mas é repelido para o inferno; na luta espiritual ou mística, Ahriman, princípio da obscuridade, da desordem, do mal, é repelido por Ormuzd, deus da luz, da ordem e do bem. No primeiro caso, a arma de Ormuzd é Atar, o relâmpago; no segundo caso, a piedade ou a oração, personificada sob o nome Vohu Mano.A personagem mais importante nos épicos persas é Rostam. Sua contraparte é Zahhak, um símbolo do despotismo que foi finalmente derrotado por Kaveh que liderou um levante popular contra ele. Zahhak era protegido por duas serpentes que cresciam de seus ombros e não importava quantas vezes elas fossem decapitadas suas cabeças cresciam novamente para protegê-lo. A serpente, como em muitas outras mitologias orientais, representava o mal, mas aparecem muitos outros animais na mitologia persa; os pássaros, em especial, eram sinal de boa sorte. Os mais famosos deles são Simorgh, um grande pássaro bonito e poderoso, Homa, o pássaro real da vitória cujas plumas adornavam as coroas e Samandar, a fênix.Peri (avéstico: Pairika), considerada uma mulher bonita, porém má na mitologia mais antiga, tornou-se gradualmente menos má e mais bonita até transformar-se em um símbolo de beleza no período islâmico similar aos houri — espécie de anjos — do Paraíso. Entretanto uma outra mulher má, Patiareh, atualmente simboliza a prostituição.



Mitologia Celta

Mitologia Celtica

Estudar o panteão celta é adentrar um mundo vasto e desconhecido. Este panteão foi transmitido através das gerações de forma oral. Eis, pois, o motivo real da dificuldade: a transmissão oral tem muitíssimas falhas. A maior parte do conhecimento que se tem de tal panteão se deve principalmente à “ajuda”, digamos assim, do imperador romano Júlio César.Roma conquistou os povos celtas da Gália (atualmente França) depois de muitos anos de batalha. Para os romanos, os galos (celtas da Gália) tinham uma grande virtude, a valentia, mas era só isso. Eram vistos como seres primitivos que impediam a expansão do mundo civilizado (Roma). É certo, portanto, estudar o que foi legado pôr Roma mas tendo sempre em vista que os romanos não gostavam dos celtas. Os relatos são, pois, cheios de exageros e preconceitos.Os relatos mais fieis, entretanto, sobre a mitologia celta estão presentes na literatura irlandesa e galesa. A primeira vem desde o século VII, enquanto a segunda remonta do séc. XIV em diante. Essa literatura (poesias épicas) vai versar principalmente sobre a Irlanda medieval, “assim como a tradição artúrica derivada em Gales, Bretanha e Inglaterra“.Um observador mais atento verá rapidamente que as informações são limitadas pois só compreendem a zona ocidental do reinado celta.”Felizmente, os ciclos mitológicos da Irlanda são extensos e estão pletóricos de incidentes. A propósito, somente foi publicada metade das 400 narrações que hoje em dia se sabe que existem. Os estudiosos modernos dividiram estes relatos em quatro ciclos principais”.O primeiro ciclo compreende o povo da deusa Danann, os “tuatha de Danann”. A grande deidade deste ciclo é Dagda, filho da deusa sobrecitada. Dagda possui um caldeirão mágico que tinha o poder de reviver os mortos. Alguns mitólogos dizem que esse objeto é o protótipo do Santo Graal. “Dizia-se que o Graal era o cálice do qual Jesus e os seus discípulos beberam durante a última ceia; também recolheu sangue que brotou da ferida de lança sofrida pôr Jesus na Crucificação”.O segundo ciclo retrata principalmente Cuchulainn, um dos vários heróis do Ulster. Era uma espécie de semi-deus guerreiro protetor da Irlanda. O terceiro ciclo fala das histórias dos reis lendários, que lutavam freqüentemente entre si, dando a oportunidade a Morrigam – deusa da guerra – de semear a morte nos campos de batalha. Morrigam era vista como uma ave e estava presente em tudo o que fosse verdadeiramente selvagem e maléfico nas forças sobrenaturais.Os duelos entre os heróis celtas são contados no quarto e último ciclo. São conhecidas as aventuras de Finn mac Cumhaill, líder dos Fianna, grupo de guerreiros fortíssimos.O panteão celta vai influenciar diretamente a cavalaria cristã. “A Igreja medieval sempre se preocupou pelo Graal que, conforme se supõe, José de Arimatéia levou à Grã-Bretanha. No entanto, os clérigos pouco podiam fazer para esfriar o entusiasmo diante das narrações legendárias dos Cavaleiros da Távola Redonda. Inclusive tiveram de aceitar o relato de acordo com o qual somente foi concedida a visão do Graal a sir Galahad em virtude de sua pureza”. O interesse pôr Artur e seus cavaleiros ainda existe até hoje.O próprio cristianismo medieval estava banhado pôr lendas como as presentes no Juízo Final, ou nas histórias sobre o Anti-Cristo e ao culto da Virgem Maria. “Parecia que somente o bendito grupo de santos mantinha à distância a multidão de magos. Embora os clérigos apelaram ao exorcismo como arma contra as persistentes artimanhas de Satã, a angústia pessoal pelo inferno explica a popularidade do apócrifo Evangélico de Nicodemo (Acta Pilati), que narra o triunfal descenso de Jesus aos infernos e a libertação de muitas almas cativas”.Deuses CeltasAbnoba Andrasta Arduina Balor BalenosBrigit Bron Cuchulainn Dagda DanaÉpona Fionn Gonavonn Ossian TricéfaloAbnobaDeusa da Floresta negra (Forêt-Noire, Schwarzwald).AndrastaDeusa guerreira. Aparece com a rainha Budica. Tinha um esposo que foi identificado com Marte, o deus da guerra romano.ArduinaDeusa de Ardennes. Foi identificada pêlos romanos como Diana, a deusa da caça.BalorGigante irlandês de “mau olho”; tinha as pálpebras caídas sobre os olhos e era mister um forcado para erguê-las; seu congênere gaulês chamava-se Yspaddaden.Balenos”O Brilhante” ou “Aquele Que Reluz”, divindade que, pêlos romanos, foi identificada como o Apolo latino.BrigitIrmã do deus Oengus, o Cupido irlandês, divindade do amor. Brigit é uma deusa tríplice, a menos que haja três irmãs com o mesmo nome. É venerada pêlos poetas, ferreiros e pêlos médicos. Enquanto deusa das estações do ano, seu culto se celebrava no primeiro dia de fevereiro, dia do Imbolc, a grande festa de purificação.BronO deus marítimo Llyr teve dois filhos: Bron ou Brân (Bron é irlandês e Brân é gaulês) e Manannân ou Manawydan. Brân era um enorme gigante que nenhum palácio ou nenhum navio podia abrigar; atravessou a nado o mar da Irlanda para combater e destruir um rei e seu exército; estendido através de um rio, seu corpo gigantesco serviu de ponte para o exército passar. Possuía uma caldeirinha mágica com a qual ressuscitava os mortos. Harpista e músico, era o protetor dos fili e dos bardos. Rei das regiões infernais, lutou para defender os tesouros mágicos que o filho de Dôn queria roubar. Ferido pôr uma flecha envenenada, ordenou que lhe cortassem a cabeça, a fim de abreviar seu sofrimento; a esta cabeça decepada continuava a dar ordens e conversar durante 87 anos, que tantos foram necessários para levar o corpo à sepultura, uma colina de Londres. A cabeça cortada de Brân, voltada para o sul, prevenia a ilha de toda invasão; o rei Artur, imprudente, mandou exumá-la, tornando possível a conquista da Saxônia.CuchulainnAs aventuras de Cuchulainn (diz-se Cu-hu-lim) constituem a epopéia principal do ciclo heróico de Ulster. Ao nascer, chamava-se Setanta; era filho de Dechtiré, irmã do rei Conchobar, casada com Sualtan, o profeta. Seu pai verdadeiro, porém, era o deus Lug, mito solar dos Tuatha Dê Danann. Foi criado entre os demais filhos dos vassalos e guerreiros do rei. Com sete anos matou o terrível cão de guarda de Culann, chefe dos ferreiros de Ulster; vem daí o nome Cuchulainn, “Cão de Culann”. O menino possuía uma força incrível e, quando dominado pela ira, lançava calor intenso e suas feições transformavam-se, pavorosamente. Algum tempo depois de matar o cão, massacrou três guerreiros mágicos gigantes, que tinham desafiado os nobres do Ramo Vermelho (uma milícia ou ordem primitiva de cavalaria de Usler, provavelmente). Depois, mandam-no para Scâthach, a Rainha das Trevas, epônima da ilha Skye, onde conclui sua educação. A feiticeira ensina a ele a arte da magia. Antes de voltar para casa, decide matar uma inimiga de sua professora, a amazona Aiffé, uma mortal. Não só a derrota mas deixa-a grávida. Volta, assim, para Ulster, munido de armas prodigiosas. Pouco tempo passado, se apaixona pôr Emer (diz-se Avair), filha de Forgall Manach, mágico poderoso. Este não permite o relacionamento; Cuchulainn, então, rapta-a, depois de ter matado toda a guarnição e o pai da moça. Neste período é que as grandes batalhas e aventuras tomam lugar.DagdaO “Deus Eficaz”, é o nome pelo qual era chamado o deus-chefe Eochaid Ollathair. Dagda era bom para tudo: dos mágicos é o primeiro e o mais poderoso, temível guerreiro, habilíssimo artífice e o mais esperto de todos quantos “possuem a vida e a morte”. Possui uma caldeirinha mágica que pode alimentar todos os homens da terra. Chama as estações do ano tocando sua harpa divina. Veste uma túnica curta e traz na cabeça um capuz. É o senhor da vida e da morte, dispersador da abundância.DanaÉ a companheira de Bilé. A sua descendência chama-se Tuatha Dê Danann (tribos da deusa Dana).Épona”A Cavaleira” ou “a Amazona”. É representada sempre a cavalo, sentada de lado, como as amazonas do século passado; na cabeça trás um diadema; ao seu lado vê-se uma jumenta ou um poltro, que, às vezes, é alimentado pela deusa. Seus atributos eram a cornucópia, uma pátera e frutos. Presidia, também, à fecundidade do solo, fertilizado pelas águas.FionnChefe dos Fionna de Leinster, o herói Fionn ou Fionn mac Cumhail é o fanfarrão que mata monstros também sendo um mágico. Vive de aventuras, é desconfiado e astucioso. É filho de Ossian e avô de Oscar; são seus inimigos Goll e seu irmão Conan. Seu nome significa “Branco” ou “Louro”. Morreu em uma batalha, em Glabra.GovannonO nome é bretão; a forma irlandesa é Goibniu e significa “ferreiro”. Este deus é o Vulcano das tribos celtas insulares; fornece armas aos membros do clã e aos aliados. Consideram-no, na Irlanda, o arquiteto das altas torres redondas e das primeiras igrejas cristãs.OssianEra filho de Finn. É, certamente, o mais importante personagem do ciclo feniano ou de Ossian. Quando foi da derrota de Gabara, escapou graças à deusa-fada Niamh, que conduziu sua barca de vidro para Tiranog, o paraíso céltico. Passou lá 300 anos de juventude, enquanto o tempo e os reinos (e os reis) passavam na terra. No fim desse tempo quis retornar à face da terra. Niamh lhe confia a montaria mágica que ela mesma usava, recomendando-lhe que não pusesse o pé em terra. Ossian, entretanto, cai da montaria e bate no solo terrestre e quando ergue-se, custosamente, era um velho fraco e cego.TricéfaloÉ um personagem com três cabeças ou com três rostos. Em uma estela encontrada em La Malmaison o Tricéfalo domina o par divino formado pôr Mercúrio e Rosmerta. Era apenas uma representação do deus que os romanos identificaram ao seu Mercúrio. A multiplicação das cabeças seria a forma prática de multiplicar o poder da divindade.

DIVINDADES CELTAS
Os nomes dos Deuses variam de panteão para panteão, de acordo com a cultura de um povoado ou nação. Para os egípcios, por exemplo, ísis seria a personificação da Grande Mãe, da Senhora, da Deusa, enquanto que, para os celtas, ela seria Cerridwen.O mesmo acontece com os nomes dos deuses: Hermes é o deus mensageiro dos gregos, enquanto que Mercúrio responderia pela mesma “pasta” para os romanos. Ou Hélio seria o deus-sol dos gregos, enquanto que, para os celtas, esse seria chamado de Lugh.Os principais deuses e deusas, por exemplo, do panteão celta são:

Angus Mac Og


Deus da Juventude, do Amor e da Beleza na Irlanda Antiga. Um dos Tuatha de Dannan, Angus possuía uma harpa dourada que produzia música de irresistível doçura. Os seus beijos transformavam-se em pássaros que transportavam mensagens de amor.

Anu / Annan / Dana / Dannan

Deusa Mãe, da Abundância, sendo a maior de todas as deusas do panteão irlandês. Aspecto virginal da Deusa Tríplice, formada com Badb e Macha, guardiã do gado e da saúde. Deusa da Fertilidade, da Prosperidade e do Conforto.

Arawn


Regente do Inferno, Annwn, o Submundo na tradição galesa. Representa a vingança, o terror, a guerra.

Arianrhod


Seu nome significa Roda de Prata ou Grande Mãe Frutuosa. Arianrhod é a Face Mãe da Deusa Tríplice para os povo de Gales. Honrada em especial na Lua Cheia, ela é a guardiã da Roda de Prata, símbolo do tempo e do karma. Senhora da Reencarnação.

Badb

Seu nome, que se pronuncia Baid, foi traduzido como Corvo de Batalha, ou Gralha Escaldada, que representaria o caldeirão da vida, conhecido em Gales como “Cauth Bodva”. Badb, deusa da Guerra, é esposa de Net, também deus da Guerra. Irmã de Macha, a Morrigu, e de Anu. Aspecto Maternal da Deusa Tríplice irlandesa. Associada ao caldeirão, aos corvos e às gralhas, Badb rege a vida, a sabedoria, a inspiração e a iluminação.

Bamba

Deusa irlandesa que, juntamente com Fotia e Eriu, usava a magia para repelir os invasores.

Bel / Belenus / Belenos / Belimawr

Seu nome significa “brilhante”, sendo o Deus do Sol e do Fogo dos irlandeses. Belenos dá seu nome ao festival de Beltane, ou Beltain, festa de purificação e fertilidade comemorada em 1 de maio no hemisfério norte. Belenos era ainda ligado à ciência, cura, fontes térmicas, fogo, sucesso, prosperidade, colheita e à vegetação.

Blodeuwedd

Seu nome foi traduzido como “flor branca”, sendo representada, muitas vezes, com um lírio branco nas cerimônias de iniciação celtas de Gales. Criada por Math e Gwydion, o Druida, para ser esposa de Lleu, foi transformada em coruja por causa do seu adultério e da conspiração para a morte do marido. Aspecto virginal da Deusa Tríplice dos galeses, Blodeuwed tinha por símbolo uma coruja. Seu domínio é o das flores, sabedoria, mistérios lunares e iniciações.

Boann / Boannan / Boyne

Deusa do rio Boyne, na Irlanda, mãe de Angus mac Og com o Dagda.

Bran

O Abençoado. Bran era irmão do poderoso Manawydan ap Llyr e de Branwen, sendo filho de Llyr, era um gigante do folclore galês. Associado aos corvos, Bran é o deus das profecias, das artes, dos chefes, da guerra, do Sol, da música e da escrita.

Branwen

Irmã de Bran e esposa do rei irlandês Matholwch. Vênus dos Mares do Norte, filha de Llyr, uma das três matriarcas da Grã-Bretanha. Branwen é chamada Dama do Lago, sendo a deusa do amor e da beleza no panteão galês.

Brigit / Brid / Brigid / Brig

Seu nome significa “flecha de poder”. Brigit era filha do Dagda, sendo chamada A Poetisa. Outro aspecto de Danu, associada a Imbolc. Tinha uma ordem dedicada a ela, formada só por mulheres, em Kildare, na Irlanda, que se revezavam para manter o fogo sagrado sempre aceso. Deusa do fogo, fertilidade, lareira, todas as artes e ofícios femininos, artes marciais, curas, medicina, agricultura, inspiração, aprendizagem, poesia, adivinhação, profecia, criação de gado, amor, feitiçaria, ocultismo.

Cernunnos

Seu nome deve ser pronunciado como se tivesse um “k”: kernunnos. Deus Cornudo, Consorte da Grande Mãe, deus da Natureza, Senhor do Mundo. Comumente representado por um homem sentado na posição de lótus, cabelo comprido e encaracolado, de barba, nú, usando apenas um torque (colar celta) ao pescoço, ou ainda por um homem de chifres, sendo, por isso, erroneamente comparado ao diabo dos cristãos. Os seus símbolos eram o veado, o carneiro, o touro e a serpente. Deus da virilidade, fertilidade, animais, amor físico, natureza, bosques, reencarnação, riqueza, comércio e dos guerreiros.

Cerridwen / Ceridwen / Caridwen

Deusa da Lua do panteão galês, sendo chamada de Grande Mãe e A Senhora. Deusa da natureza, Cerridwen era esposa do gigante Tegid e mãe de uma linda donzela, Creirwy, e de um feio rapaz, Avagdu. Os bardos galeses chamavam a si mesmos de Cerddorion, filhos de Cerridwen. Há uma lenda que diz que o grande bardo Taliesin, druida da corte do rei Arthur, nascera de Cerridwen e se tornara grande mago após tomar algumas gotas de uma poderosa poção de inspiração que Cerridwen preparava no seu caldeirão. Cerridwen é ainda a deusa da Morte, da fertilidade, da regeneração, da inspiração, magia, astrologia, ervas, poesia, encantamentos e conhecimento.

Dagda

No folclore irlandês, o Dagda era chamado de O Bom Deus, Grande Senhor, Pai dos deuses e dos homens, o Arquidruida, deus da magia, da terra. Rei supremo dos Tuatha de Dannan, mestre de todos os ofícios, senhor de todos os conhecimentos. Teve vários filhos, entre eles Brigit, Angus, Midir, Ogma e Bodb, o Vermelho. O Dagda tinha uma harpa de carvalho vivo que fazia com que as estações mudassem quando assim o ordenasse. Deus dos magos e sacerdotes, senhor dos artesãos, da música e das curas.

A Dama Branca

Conhecida em todos os países celtas, era identificada como Macha, Rainha dos Mortos, a forma idosa da Deusa. Simbolizava a morte e a destruição. Algumas lendas chamam-na de Banshee, aquela que traz a morte.

Danu / Dana / Dannan

Principal Deusa Mãe dos irlandeses, às vezes identificada com Anu. Mãe dos Tuatha de Dannan, Povo de Dana, o Povo Mágico, descendente dos deuses, que se escondeu com a chegada dos cristãos às terras celtas. Outro aspecto da Morrigu, Danu é a patrona dos feiticeiros, dos rios, das águas, dos poços, da prosperidade e abundância, da sabedoria e da magia.

Druantia

“Rainha dos Druidas”, deusa ligada à fertilidade, às atividades sexuais, às árvores, à proteção, ao conhecimento e à criatividade.

Dylan

Filho da Onda, Dylan era o deus do mar para os antigos galeses, sendo filho de Gwydion e Arianrhod. Seu símbolo era um peixe prateado.

Elaine

Aspecto virginal da Deusa no panteão galês.

Epona

Seu nome significa “grande cavalo”, sendo homenageada em Gales como deusa dos cavalos. Seus atributos incluíam ainda a fertilidade, a maternidade, a prosperidade, os animais, a cura e a colheita.

Eriu / Erin

Filha do Dagda, Erin era uma das três rainhas dos Tuatha de Dannan da Irlanda.

Flidais

Deusa da floresta, dos bosques e criaturas selvagens do povo irlandês. Viajava numa carruagem puxada por veados e tinha a capacidade de mudar de forma.

Goibniu / Gofannon / Govannon
Era o Grande Ferreiro do povo irlandês, semelhante a Vulcano. Foi ele quem forjou todas as armas dos Tuatha de Dannan. Estas armas sempre atingiam o alvo e toda ferida provocada por elas era fatal. Deus dos ferreiros, dos fabricantes de armas, da ourivesaria, fabricação da cerveja, fogo e trabalho com metais em geral.

Gwydion
O Grande Druida dos galeses. Feiticeiro e bardo do Norte de Gales, seu símbolo era um cavalo branco. Rege a ilusão, as mudanças, a magia, o céu e as curas.

Gwynn ap Nud
Rei das fadas e do submundo na tradição galesa.

Gwythyr
Oposto de Gwynn ap Nud, Gwythyr era o senhor do mundo superior, também no folclore galês.

Herne
O Caçador, era associado a Cernunnos, o Deus Cornudo, e acabou sendo, também, associado à floresta de Windsor.

O Homem Verde (Green Man)
O Homem Verde tinha os mesmos atributos de Cernunnos, sendo igualmente uma divindade cornuda que habitava as florestas. Deus dos bosques, seu nome, em galês antigo, é Arddhu (O Escuro) ou Atho.

Llyr / Lear / Lir
No folclore galo-irlandês, Llyr era o deus do mar e da água, sendo considerado, ainda, senhor do mundo subterrâneo. Llyr era pai de Manawyddan, de Bran e de Branwen.

Lugh / Luga / Lamhfada / Llew / Lug / Lug Samildanach / Llew Llaw Gyffes / Lleu / Lugos
Na Irlanda e em Gales, Lugh era chamando O Brilhante. Deus do Sol e da guerra, era associado aos corvos, tendo por símbolo, em Gales, um veado branco. Sua festividade é Lughnasadh, outra festa da colheita. Era filho de Cian e de Ethniu. Tinha uma espada e uma funda mágica. Lugh era carpinteiro, pedreiro, ferreiro, harpista, poeta, druida, médico e ourives. Seu domínio incluía a magia, o comércio, a reencarnação, o relâmpago, a água, as artes e ofícios em geral, viagens, curas e profecias.

Macha
O Corvo. Rainha da Vida e da Morte no panteão irlandês. Um dos aspectos da Morrigu, era reverenciada também em Lughnasadh. Após uma batalha, os irlandeses cortavam as cabeças dos vencidos e ofereciam a Macha, sendo este costume chamado de A Colheita de Macha. Deusa protetora da guerra, e da paz, Macha regia também a astúcia, a força física, a sexualidade, a fertilidade e o domínio sobre os machos.

Manannan mac Lir / Manawyddan ap Llyr / Manawydden
Filho do deus do mar, Llyr, era homenageado como uma das principais divindades do mar pelos irlandeses. Reverenciado ainda como protetor dos navegadores, deus das tempestades, da fertilidade, da navegação, dos mercadores e do comércio. Tinha uma armadura mágica que se dizia ser impenetrável.

Math Mathonwy – Deus da feitiçaria, da magia e do encantamento no folclore galês.

Merlin / Merddin / Myrddin
Figura já conhecida do círculo da mitologia arturiana, este era o Grande Feiticeiro, o Druida Supremo dos galeses. Dizia-se que aprendeu sua magia (que não era pouca) com a própria Deusa, sob os nomes de Morgana, Viviane, Nimue ou Rainha Mab. A tradição diz que Merlin dorme numa caverna de cristal depois de enganado por um encantamento de Nimue. Merlin era o senhor da ilusão, da profecia, da adivinhação, das previsões, dos artesãos e ferreiros. Diz-se ainda que tinha grande habilidade de mudar de forma.

Morrigu / Morrigan / Morrighan / Morgan
A Morrigu era tida como a Grande Rainha, Senhora Suprema da Guerra, Rainha dos Fantasmas e Rainha Espectro, pois possuía uma forma mutável. Reinava sobre os campos de batalha, ajudando com sua magia. Representa o aspecto idoso da Deusa Tríplice, sendo associada aos corvos e gralhas. Patrona das sacerdotisas e feiticeiras.

Nuada / Nuda / Nodons / Nodens / Lud / Llud Llaw Ereint
No folclore galo-irlandês, era reverenciado como o senhor dos deuses, como Júpiter. Possuía uma espada invencível, guardada pelos Tuatha de Dannan. Nuada era o deus da cura, da água, dos oceanos, da pesca, da navegação, dos carpinteiros, ferreiros, harpistas, poetas e narradores de histórias.

Ogma / Oghma / Ogmios / Grianainech / Cermait
Herói semelhante a Hércules, Ogma tinha uma enorme maça com a qual defendia seu povo, os Tuatha de Dannan, sendo eleito seu campeão. A tradição diz que foi ele quem inventou o alfabeto ogham, utilizado pelos antigos druidas, baseado em árvores consideradas mágicas. Ogma rege a eloquência, os poetas, escritores, a inspiração, a força física, a linguagem, a literatura, as artes, a música e a reencarnação.

Rhiannon
Grande rainha dos galeses, Rhiannon era a protetora dos cavalos e das aves. Rege os encantamentos, a fertilidade e o submundo. Aparece sempre montando um veloz cavalo branco.

Scathach / Scota / Scatha / Scath
Seu nome traduzia-se como A Sombra, Aquela que combate o medo. Deusa do submundo, Scath era a deusa da escuridão, aspecto destruidor da Senhora. Mulher guerreira e profetisa que viveu em Albion, na Escócia, e que ensinava artes marciais para os guerreiros que tinham coragem suficiente para treinar com ela, pois era tida como dura e impiedosa. Não foi à toa que o adestramento do herói Cu Chulainn foi levado a cabo por ela mesma, considerada a maior guerreira de toda a Irlanda. Scath era ainda a patrona dos ferreiros, das curas, magia, profecia e artes marciais.

Taliesin
Taliesin o Bardo, foi o druida chefe da corte de Arthur, um dos maiores reis da Inglaterra. Dominava a arte da escrita, a poesia, a sabedoria, a magia e a música. Taliesin é tido como patrono dos druidas, bardos e menestréis.

Assírios


O povo assírio viveu na antiga Mesopotâmia, região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates. Sua capital, nos anos mais prósperos, foi Nínive, numa região que hoje pertence ao Iraque. O Império assírio abrange o período de 1700 a 610 a.C. , mais de mil anos.
Os assírios eram ferozes guerreiros e usavam sua grande força militar para expandir seu Império. Libertando-se dos sumérios, conquistaram grande parte do seu território, mas logo caíram em poder dos babilônios, um povo que morava ao Sul da Mesopotâmia. Em 1240 a.C, empreenderam a conquista da Babilônia, e a partir daí começaram a alargar as fronteiras do seu Império até atingirem o Egito, no norte da África. O Império Assírio conheceu seu período de maior glória e prosperidade durante o reinado de Assurbanipal (até 630 a.C). Cobravam pesados impostos dos povos vencidos, o que os levava a revoltarem-se continuamente.
Ainda no reinado de Assurbanipal, já os babilônios se libertaram (em 626 a.C.) e capturaram Ninive. Com a morte de Assurbanipal, a decadência do Império Assírio se acentuou, e em 610 a.C. a última de suas cidades caiu em poder dos invasores.
A escrita dos assírios constituía-se de pequenas cunhas feitas com um estilete em tabuletas de argila — é a chamada escrita cuneiforme. Descobriram-se milhares de tabule­tas na biblioteca de Assurbanipal em Ninive, conhecendo-se grande parte da história do Império Assírio a partir de sua leitura.
Os palácios de Nínive são cobertos de es­culturas em baixo-relevo, representando cenas de batalha e da vida dos assírios. Também por eles sabemos muito da história desse grande Império do passado.

Como a maioria dos povos que reinaram no antigo Oriente Médio, os Assírios, primeiramente um povo de camponeses e guerreiros rudes, tiveram a justiça amplamente baseada no código promulgado no século XVIII a.C., pelo rei Hamurabi, da Babilônia.
A Assíria era essencialmente uma nação de servos que viviam presos à terra que cultivavam; eles podiam ser vendidos juntamente com a propriedade. Deviam obediência à vila mais próxima. Esta, por sua vez, estava presa à cidade pela obrigação de pagar impostos, participar nos festivais religiosos e obedecer os mandatos administrativos. As cidades – dentre as quais as principais eram Assur, Nínive, Erbil e Nimrod – estavam sob a autoridade do rei.
O rei assírio possuía poder absoluto sobre todos os aspectos do governo – econômico, diplomático, político, militar e religioso. Embora reconhecido como humano, acreditava-se que fosse um enviado dos deuses, em especial Assur, a divindade principal. Por isso, o monarca vivia distanciado dos outros mortais: só o superintendente do palácio tinha acesso regular a sua presença. Até mesmo o príncipe herdeiro só tinha permissão para uma audiência se os preságios fossem considerados favoráveis; aos de fora, vendavam-se-lhes os olhos quando iam à presença do soberano. Para o rei, não era tarefa fácil manter satisfeitos os deuses. Estava constantemente submetido a rituais árduos como jejuar e ficar isolado durante uma semana numa cabana de junco verde. Às vezes, os augúrios indicavam que os deuses estavam terrivelmente descontentes. O pior sinal era um eclipse, lunar ou solar, pois supunha-se que pressagiava a morte do monarca. Nesses casos, o rei abdicava do trono temporariamente em favor de um suplente, que assumia a responsabilidade pelo que houvesse irritado os deuses. Depois de cem dias, o rei retornava e tanto o substituto como sua esposa eram executados, supostamente para dar aos deuses a morte do rei como foi predita.
A agressão militar era legitimada pela religião assíria: conquistar era a missão divina dos reis. Além da característica de conquistadores, os assírios eram violentos e costumavam vangloriar-se dos atos sangrentos, faziam do terror e da atrocidade instrumentos de política externa. Antes mesmo de tornarem-se os mais poderosos do oriente, num exemplo precoce do terror que se tornaria marca registrada dos assírios, um soberano chamado Salmanasar I, que reinou de 1274 a 1245 a.C., levou para Assíria, como escravos, 14 mil soldados inimigos derrotados – mas tratou de assegurar-se, antes de tudo, de que seriam dóceis; para isso, cegou-os.
O fiho de Salmanasar I, Tukulti-Nunurta I, cujo reinado começou em 1244 a.C., expandiu o territórrio dos assírios que, a época, já era de mais de 30 mil metros quadrados, que iam dos contrafortes dos Zagros até o Eufrades. Tukulti-Nunurta I escarvizou e levou para Assur, presos com pesadas correntes de cobre no pescoço, os reis de Nairi que comandavam as tribos que viviam nos Zagros, pois estas durante muitos anos vinham atacando a fronteira nordestes da Assíria. Tempos depois esses reis tiveram permissão para voltar para casa como vassalos.
Quando o rei babilônico Kashtiliash resolveu atacar a Assíria, Tukulti-Nunurta venceu o exército babilônico, capturou o atrevido Kashtiliash e, em suas próprias palavras: “pisei com meus pés em seu pescoço real como se estivesse pisando em um estribo”. A Babilônia foi saqueada e Tukulti-Ninurta se auto-proclamou seu novo rei. Daí a influência da sofisticada cultura babilônica aumentou.
Quando mais tarde a Babilônia revoltou-se com êxito, acreditou-se em altos círculos assírios que os deuses pilhados anteriormente estavam demonstrando sua ira contra as iniquidades de Tukulti-Ninurta. E assim, de acordo com uma crônica, o rei assírio, que “tinha colocado sua mão maldosa sobre a Babilônia”, teve um triste fim: “Seu filho e os nobres da Assíria, rebelaram-se contra ele e arrancaram-no do trono. Aprisionaram-no e mataram-no com uma espada”.

Mitologia Chinesa


Quanto à mitologia de todo este vasto território do continente asiático, pode constatar-se que, realmente, talvez seja uma cópia da própria organização hierarquizada da sociedade chinesa, pois assim como havia um governante máximo à frente de cada dinastia, também devia adorar-se um deus único e supremo, o qual recebia, ao mesmo tempo, obediência e reverência por parte das outras deidades. Alguns dos seus chefes religiosos foram considerados, entre a legendária população chinesa, como seres imortais ou encarnações da denominada “Origem Primeira”, deidade que fazia parte de uma trindade de deuses com poderes para vencer o mal e os seus representantes. No entanto, o panteão chinês conta com uma grande variedade de deuses. E até os fundadores de grandes movimentos religiosos tiveram em conta o ancestral -rico e variado- de todos os estados feudais assentados em território chinês, para confeccionar os seus dogmas e assertos. A povoação agradeceu, na prática, este detalhe dos seus iluminados, pois elevou à categoria de mito tanto o autor como a sua obra. Deste modo, arraigará entre a população o mítico conceito denominado “tan”, cujo simbolismo é tão rico que ultrapassa a sua origem primigénia; “tan” significa “caminho”, “via”. É um princípio guiador de tudo quanto existe e do universo inteiro. Pelo “tan” há verdade, e sabedoria, e harmonia. Sucede a mesma coisa com a introdução da moral como único aspecto regulador de qualquer relação social, quer seja pública ou privada, que deveria desembocar, por obrigação, numa ética do altruísmo, do desprendimento, da solidariedade, do respeito e da tolerância entre os humanos. Tratar-se-ia de erradicar a beligerância, o ódio e as guerras e, ao mesmo tempo, substituí-los pelo amor universal e a paz. Há que acrescentar, além do mencionado, outros aspectos que completarão este panorama, real e mítico ao mesmo tempo. A população deste imenso território chinês também adorava os fenômenos da natureza, as suas forças desatadas; comemorava o espírito dos antepassados; acudia a consultar os oráculos e participava de um ritualismo rico em sacrifícios e esoterismo mágico. Muito especialmente, se pretendia uma longevidade perene -o mito da eterna juventude- que, mais tarde, aparecerá em todas as outras culturas e civilizações, especialmente na mitologia greco-latina. A verdade é que o povo chinês tinha um deus especialmente dedicado a procurar juventude e viçosidade a todos os que lho rogassem e, por isso, lhe ofereceram contínuos sacrifícios e preces. Esta deidade chamava-se Cheu-Sing e era a encarregada de guardar a vida dos humanos, pois, entre outras coisas, tinha poder para fixar o dia em que tinha de morrer uma determinada pessoa. Mas, segundo a crença popular, se podia mudar a vontade deste deus oferecendo-lhe sacrifícios e participando nos diversos rituais na sua honra. Tudo isto indica que era possível estender os anos de vida, bastava que Cheu-Sing prolongasse a data que tinha marcado de antemão e, pelo mesmo motivo, ampliasse, assim, o tempo de vida daqueles mortais que mais fidelidade lhe tivessem demonstrado. No entanto, segundo as narrações mitológicas do povo chinês, há uma deidade superior, criadora do mundo e de tudo quanto existe, rei dos mortais e dos outros deuses. Recebe o nome genérico de “Venerável Celeste da Origem Primeira” e há já muito tempo -uma eternidade- que delegou todo o seu poder num dos seus discípulos e, ao mesmo tempo, segundo dos três deuses – denominados os “Três Puros”- que compõem a trindade chinesa. O nome deste deus, que realiza a pesada tarefa que lhe encomendou o seu mestre, é “Senhor do céu”. E chegará um dia em que também ele deixará que o seu sucessor leve a cabo o trabalho de ordenar e governar o universo inteiro. Mas, por agora, é o último dos “Três Puros”, e é um deus que se evoca pelo nome de “Venerável Celeste da Aurora”. Para levar a cabo a ingente tarefa encomendada pelo primeiro dos deuses, o seu discípulo contava com a ajuda de outras deidades afins. Por exemplo, narra o relato mítico que o segundo dos deuses, isto é, o “Senhor do céu”, delegava determinadas funções no “Segundo Senhor”, um deus muito célebre e popular porque travava, a quem o invocava, os maus espíritos. Enviava contra estes o “Cão Celeste”, que os perseguia com raiva e não permitia que assustassem os humanos. Também havia deusas de segunda ordem que tinham como missão predizer a possibilidade de casamentos estáveis. A elas acudiam muitos jovens para consultá-las acerca das qualidades do seu futuro marido e também sobre a conveniência ou não de casar-se. O anterior não faz senão avaliar a teoria defendida por quase todos os investigadores da mitologia. Estes, com respeito às lendas chinesas, afirmam que o imanente e o transcendente são uma mesma coisa, dado que, realmente, a organização entre os deuses é similar à estrutura da sociedade dos humanos. Aqueles se servem de outros mais inferiores para levar a cabo as suas tarefas mais custosas; sucede a mesma coisa entre os mortais, pois os governantes se servem de subordinados -ministros, funcionários, etc.- para levar a cabo as suas realizações em pró do bem geral do seu povo. Tanto os deuses como os governantes devem procurar o bem material e moral dos humanos, pois, caso contrário, o universo e o mundo albergariam unicamente ruindade e desgraça. Portanto, segundo explicam as narrações dos mitos chineses, a atenção e a própria existência dos deuses e dos governantes são absolutamente necessárias. Mas os governantes têm que demonstrar sabedoria em todos os seus atos. E os deuses devem cumprir com diligência a missão que lhes foi encomendada pelos seus mestres ou pelos deuses superiores. E, assim, existiam deidades que se encarregavam de apontar as boas e más ações dos humanos e, ao mesmo tempo, deviam procurar levar ao mundo dos mortais a maior felicidade possível. A encomenda de distribuir paz, felicidade e alegria entre os humanos era uma tarefa invejável que nenhuma deidade eludia. Outros muitos deuses menores ajudavam a deidade superior “Deus do céu”; era o seu dever e a sua única função. Deste modo, o paralelismo com a estrutura da sociedade humana era uma realidade tangível, pois estes deuses inferiores cumpriam os mandatos da deidade que estava por cima deles e esta, por sua vez, devia obediência à seguinte de grau superior. Assim até chegar ao mais poderoso de todos, por cima do qual ainda existia outro deus que tinha delegado nele as suas funções -a pesada carga de governar- mas que, não obstante, continuava sendo o mais poderoso de todos os deuses do panteão chinês. O mundo mitológico, portanto, tinha sido construído de acordo com os mesmos critérios usados nas próprias sociedades humanas. Aqui, o soberano -que tinha por cima dele os deuses- organizava o seu território e publicava as suas leis com a ajuda -com certeza, obrigatória- dos seus súditos, que se encontravam perfeitamente organizados por categorias e deviam cumprir fielmente os mandatos dos seus superiores. Portanto, humanos e deuses se organizavam sob uma estrutura similar; daqui que, segundo a mitologia chinesa, até as mais fúteis funções se encontravam encomendadas a uma deidade. Por exemplo, quando os cidadãos tinham cometido faltas graves contra os seus congêneres, ou contra os deuses da sua tribo, deviam elevar súplicas à deidade que perdoava os pecados e que conferia, de novo, a paz de espírito aos que já tinham sido purificados. A população da ancestral China chamava Ti-kuan ao deus que perdoava os pecados e, segundo a crença popular, era o “Agente da Terra” que formava tríade com outros dois deuses; o “Agente do céu” e o “Agente da água”. Todos os desejos, e necessidades, dos humanos ficavam satisfeitos assim que estes invocavam o deus apropriado. Por tudo isso, o número de deuses familiares era considerável. Mas não só cada casa, mas também os bairros, circunscrições, povoações, cidades e territórios contavam com os seus deuses protetores. As próprias deidades se ocupavam de que tudo funcionasse perfeitamente; e assim os deuses do lugar guardavam a terra, a rua, a casa e todos os seus moradores. Em todos os lares havia uma imagem do “Deus do lar” que, geralmente, aparecia sob a figura de um ancião com barba branca. No desenho -impreciso e carregado de colorido aberrante- aparecia também uma mulher, que se venerava como esposa do “Deus do lar”, rodeada de animais domésticos, tais como porcos, galinhas, cães, cavalos, etc., que cuidava e dava de comer. Nestes desenhos, que os chineses colocavam no interior das suas casas para adorar o verdadeiro espírito das figuras que lá apareciam, o artista tinha respeitado também a essência hierárquica da mitologia destes povos do longínquo oriente, pois a verdade é que, em qualquer caso, o “Deus do lar” permanecia sempre sentado e relaxado sobre um colorido trono. Em compensação, a mulher estava em pé, preocupando-se dos labores domésticos, neste caso do cuidado dos animais que havia em casa. Isto indica que o “Deus do lar” tinha subalternos, por assim dizer, nos quais delegava a sua própria função de cuidar pessoas e fazendas. A mitologia chinesa conta com um lugar de perdição, similar ao que entre os greco-latinos se denominará Tártaro, Hades ou Inferno. Segundo a tradição popular chinesa, a alma dos mortais é conduzida a esse lugar de perdição para ser julgada e, como no mito clássico aparece o feroz cão Cerbero custodiando as gigantescas portas do Tártaro, também aqui há um encarregado de controlar a passagem para o interior de tão tétrico lugar: o “Deus da Porta”. Se tudo estivesse em regra, a alma podia passar e toparia imediatamente com o deus de “Muros e Fossas”, que era o encarregado de submetê-la ao primeiro, e mais benigno, dos julgamentos. No entanto, os interrogatórios duravam perto de cinqüenta dias -exatamente quarenta e nove, que era um número pleno de conotações simbólicas entre muitos povos do extremo oriente: “Este é o prazo de que necessita a alma de um morto para alcançar definitivamente a sua nova morada. É a terminação da viagem”, durante os quais a alma permanecia retida nos domínios do deus de “Muros e Fossas”. Este pode condená-la ou deixá-la em mãos do seguinte juiz. Se acontece o primeiro, a alma pode ser açoitada ou atada pelas suas extremidades superiores a uma tábua que a aprisiona o pescoço. De qualquer maneira, a alma terá que passar, agora, à presença do “Rei Yama”, que se encarregará de decidir, após um novo interrogatório, se aquela é uma alma justa ou um alma pecadora. Se for o primeiro, a alma será enviada para um dos paraísos chineses -o que se encontra na “Grande montanha” ou o denominado, de maneira pomposa, a “Terra da Extrema Felicidade de Ocidente”, onde gozará de liberdade e felicidade eterna-, dado que aqui tudo se encontra embebido da presença do Buda. Se, pelo contrário, o “Rei Yama” sentenciou que se trata de uma alma pecadora então esta será arrojada para o abismo dos infernos para que lá purgue as suas culpas. Depois de sofrer dores e castigos sem fim, a alma chegará, por fim, ao décimo lugar de perdição. Uma vez aqui será obrigada a reencarnar-se e poderá escolher entre um animal ou um humano. Se se reencarnar num animal, nem por isso perderá o seu antigo sentir humano e, pelo mesmo motivo, sofrerá quando a maltratem ou quando a matem. Por exemplo, pôde escolher renascer como porco e, portanto, não durará muito sem ser sacrificado, em cujo caso a dor do animal é a mesma que sentiria o humano ao qual pertencia a alma antes de reencarnar-se. No entanto, ninguém reparará nisso pois o porco não poderá exprimir a sua dor e o seu sofrimento, de forma humana, dado que a alma reencarnada, antes de sair do décimo Inferno e dirigir-se para o lugar onde se encontra a “Roda das Migrações”, deve beber o “Caldo do Esquecimento” para, assim, guardar segredo obrigatório -pois nada do passado poderá já então recordar- de tudo quanto lhe aconteceu na sua digressão infernal. Esta beberagem, segundo a lenda dos povos do longínquo oriente, era preparada pela deusa que habitava na misteriosa casa edificada à saída do Inferno. Todas as almas que abandonassem aquele lugar de perdição tinham que beber o “Caldo do Esquecimento” pois só então lhes seria permitido continuar para a frente e chegar à “Roda das Migrações”, para assim consolidar a sua reencarnação. Algumas versões explicam, não obstante, que as almas dos mortos, antes de chegarem à presença do deus de “Muros e Fossas”, recebiam a ajuda de Abida, deidade que tinha encomendada a tarefa de aliviar a todos os humanos à hora da morte, pois acolhia as almas puras e purificava as impuras. Também se diz que o Tártaro era um lugar de perdição, sim, mas constituído por cidades cheias de funcionários e também de vários edifícios que eram como sedes dos diferentes tribunais perante os quais tinham que comparecer as almas dos mortos para serem julgadas. O próprio palácio do Rei Yama encontrava-se numa das cidades principais do mundo infernal e, ao lado deste soberbo -e, ao mesmo tempo, tétrico edifício- se levantavam as diversas edificações que albergavam no seu interior as terríveis câmaras de tortura e suplício. Esta mítica cidade chamava-se Fong-tu e tinha uma entrada principal, denominada “Porta do Mal”; no extremo oposto, ficava protegida e resguardada por um pustulento rio -posteriormente, também entre os mitos greco-latinos aparecerá o rio Aqueronte, cujas turvas, lodosas e fedorentas águas, rodearão o lugar de perdição chamado Tártaro, que contava com três pontes, as quais constituíam outros tantos acessos a Fong-tu, embora pelo lado contrário desse para a zona principal. A primeira ponte estava construída em ouro maciço e só os deuses podiam atravessá-la. A segunda ponte era de prata e estava reservado às almas que tinham sido justas. A terceira ponte era muito mais comprida e estreita do que as anteriores e atravessá-la resultava perigoso, pois carecia de corrimões para se agarrar. As almas que tinham sido perversas e viciosas estavam obrigadas a atravessá-la e, se caíssem no fedorento rio, seriam imediatamente trituradas por monstros que tomavam a aparência de serpentes de bronze e de raivosos cães de ferro. A mitologia dos povos do longínquo oriente contava, também, com lugares de felicidade e de dita, isto é, com paraísos. Como já se indicou, o da “Grande Montanha” era um deles. O outro era a “Terra da Extrema Felicidade de Ocidente”, e, geralmente, era o lugar escolhido por “Rei Yama” para enviar aquelas almas dos mortais que tinha encontrado inocentes e que, pelo mesmo motivo, considerava justas. O primeiro dos paraísos estava habitado pela “Dama Rainha” (a quem a tradição mítica fazia esposa do poderoso “Senhor do céu” que, no cimo da montanha mais alta, tinha construído o seu grandioso palácio; este era um edifício fabuloso -contava com mais de nove andares-, rodeado de jardins com plantas e flores aromáticas e permanentemente verde. Aqui crescia, oculto num lugar recôndito, a mítica “Árvore da Imortalidade”; dos seus frutos se alimentavam os bem-aventurados, isto é, aqueles que tinham levado uma vida reta e justa e que, portanto, não tinham enganado nem maltratado nenhum dos seus semelhantes. Por tudo isso lhes era permitido conviver com as deidades denominadas “Imortais”. Era muito comum, entre as altas esferas da sociedade chinesa, tais como os seus monarcas e classes poderosas, dar culto -nos inícios da primavera e da estação outonal- ao Céu, à Terra, ao Deus da Guerra e ao grande mestre Confúcio. Também as duas luminárias eram objeto de adoração entre a população do ancestral território do extremo oriente. Tanto o Sol como a Lua eram astros considerados como personificações de certas deidades. E não só os imperadores e a classe poderosa mas também o povo apoiava o culto às citadas luminárias; pelo qual a veneração à Lua e ao Sol ficava convertida, ao mesmo tempo, em culto oficial e popular. Eram ofereciam sacrifícios aos citados astros coincidindo com ano par ou ímpar. Os anos ímpares estavam consagrados ao Sol e os anos pares à Lua. Ambas as luminárias apareciam também relacionadas com os dois princípios essenciais. O Sol era princípio ativo e, portanto, era associado com o “Yang”; ao passo que a Lua era princípio passivo, pelo qual aparecia sempre relacionada com o “Yin”. Para a população chinesa, estes dois princípios tinham uma importância capital. Se concebia a eternidade como um círculo que carecia de um princípio e que não tinha fim. O “Yang” e o “Yin” estavam dentro dela, como duas forças que se necessitam mutuamente e, pelo mesmo motivo, em vez de opor-se, se complementam. Na mitologia dos povos do extremo oriente, portanto, tudo se encontra estruturado com antecedência -não há lugar para improvisações e se rejeita qualquer tipo de intuição-, e classificado em itens que se sobrepõem, a maneira de arquivo, para dar lugar a emoções, paixões, tendências e necessidades. Outros mitos dos povos orientais – especialmente entre a população que seguia os ensinos de Buda, o “Iluminado”- explicavam que o Tártaro se encontrava num lugar escuro e subterrâneo e, segundo a crença popular, tinha umas características bastante contraditórias. Havia oito infernos de fogo e outros oito de gelo. E ambos produziam nos condenados torturas pelo calor ou torturas pelo frio. No entanto, também existiam -distribuídos em cada um dos quatro pontos correspondentes aos infernos principais, tanto de fogo como de gelo- outros lugares de perdição inferiores que, em ocasiões, supriam os dezesseis principais. Contudo, não se sabia com certeza o sítio exato onde estes lugares de perdição iam surgir. Apareciam tanto -o que sempre sucedia de forma repentina- na profundidade de um vasto e verde vale como no pico de uma montanha; até uma árvore milenar podia converter-se subitamente em sede de um destes infernos inferiores. Às vezes surgiam no próprio espaço e o ar abrasava ou gelava os condenados. Por outro lado, todas as condutas estavam controladas pelos ajudantes e funcionários do “Juiz do Averno”, que se sentava num trono duro encaixado entre duas estantes de pedra. Na da sua esquerda encontra-se o “Julgador que vê tudo”; é uma figura feminina que penetra com a sua vista no mais recôndito do pensamento daqueles que comparecem para serem julgados. À direita situa-se o “Julgador que cheira tudo”; trata-se de uma figura masculina que tem como função descobrir, com o seu fino olfato, qualquer ação injusta ou imoral que tenha cometido o mortal que comparece para ser julgado. Portanto, como se pode comprovar, não há escapatória possível para os condenados, dado que todas as suas ações foram “vistas e cheiradas”. Embora, para reduzir a pena, estivesse permitido que os vivos intercedessem em favor dos condenados, o que requeria sempre uma atuação inteligente e um mestre budista como mediador. Toda a natureza, segundo a tradição popular, devia ser cuidada e mimada e resguardada, e preservada de qualquer mal, dado que através dela se manifestavam as diferentes deidades. Fenômenos naturais como o raio, o trovão, a chuva torrencial, o vento forte …, deviam a sua aparição a uma deidade menor. E, assim, Yun-t Ong tinha a função de reunir as nuvens, depois de tê-las formado, e era invocado com certa freqüência como o “jovem deus que reúne as nuvens”. Também contavam os povos do extremo oriente com a “Dama do céu Sereno”, que tinha a missão de limpar todo o espaço, uma vez que a chuva parava. Se dizia que afastava as nuvens com o seu hálito purificador. Outra deidade, considerada como um agente celeste, era Tien-kuan, que se encarregava de levar ao mundo dos humanos a maior felicidade possível. Em ocasiões era associada com a “Mãe dos Relâmpagos” e, então, recebia o nome de Tien’mu. A lenda dos povos do extremo oriente explica que Tien’mu produzia o raio servindo-se de dois espelhos. Também o ruído ensurdecedor do trovão era produzido por uma deidade menor; recebia o nome de “Senhor do trovão” e, por isso, estava considerado como o amo e dono do ruído. Também se venerava, especialmente entre as classes poderosas, o deus da riqueza. Em quase todas as casas dos ricos havia não só um desenho com o nome do deus gravado em caracteres ideográficos, mas também uma efígie representativa da deidade. Deste modo, sempre o consideravam próximo deles e podiam dirigir-lhe as suas preces com assiduidade, na crença de que, assim, nunca se veriam reduzidas a sua fortuna e o seu patrimônio. O deus das riquezas era conhecido pelo nome de T’saichem; o seu poder era superior ao das outras muitas deidades similares e até tinha designados numerosos deuses para o servirem e levarem a cabo as tarefas que aquele considerasse mais duras e difíceis. Outro aspecto muito importante, que também estava regulado e protegido por uma deidade, era o estamento familiar com todas as suas implicações. A intimidade da família, e as relações pessoais entre todos os seus membros, ficavam a salvo de críticas adversas, proferidas por pessoas não integrantes do grupo familiar. De tudo isto se encarregava o deus T’sao-Wang e, em troca, recebia todos os dias o reconhecimento dos seus protegidos. Era freqüente, entre as famílias da população do extremo oriente, honrar o deus que se erigia em seu protetor, por meio de um ritual que consistia em queimar varetas de incenso, ao mesmo tempo que se invocava o nome do deus T’sao-Wang, duas vezes; uma quando começava o dia e outra ao anoitecer. Cada profissão, ofício e trabalho, tinham a sua deidade protetora. Entre todos estes deuses, a tradição popular destacava o deus das letras e da literatura, ao qual se atribuía uma obra de conteúdo simbólico e emblemático. Era conhecido pelo nome de Wen-t’chang e, segundo a lenda, antes de chegar a obter a distinção de protetor das letras e da literatura já tinha passado por dezessete existências; o dezessete estava concebido, entre os orientais, como um número repleto de significação mágica e esotérica. O livro que tinha escrito o próprio deus era, por assim dizer, uma espécie de biografia e nele se indicava o dado das dezessete reencarnações, ou novos nascimentos. Também se davam pautas a seguir para agir com moralidade e retidão e, geralmente, se louvava o saber e a inteligência sobre quaisquer outros aspectos. Segundo a mitologia dos povos do extremo Oriente, a interpretação dos caracteres ideográficos do livro escrito pelo deus Wen’t-chang leva a considerar à sabedoria por cima de quaisquer outros aspectos. Mediante o saber e a inteligência se pode superar qualquer obstáculo e, ao mesmo tempo, equilibrar qualquer sofrimento. A sabedoria, segundo explica na sua obra o deus das letras e da literatura, é como uma espécie de “Candeeiro da câmara escura”, o que significa que até nos momentos mais difíceis da vida, quando vemos tudo negro, quando nos achamos encerrados na “Câmara escura” deste mundo dos mortais, sempre existirá a luz do “Candeeiro” que proporciona o saber e a inteligência para, assim, tornar possível uma nova procura, uma solução inédita. Outro dos deuses principais que a população oriental venerava recebia o nome de Fo. Este era um deus superior aos anteriores, pois ocupava o primeiro lugar entre as outras deidades que compunham a tríade da Felicidade. A sua importância, dentro da mitologia chinesa, era acrescentada porque representava, ao mesmo tempo, a Hierarquia, a Fortuna e a Honra. A ele acudia quem sentia o peso de um destino e um azar adversos; também os governantes solicitavam de Fo que os guiasse no momento de legislar, para que nenhuma norma injusta saísse da sua cabeça nem fosse permitida no seu reino. Era solicitado, além disso, por todos aqueles que tinham sido objeto de escárnio e desonra, mediante engano. Ao parecer -e segundo a crença popular-, Fo devolvia-lhes a sua honra perdida, pois por algo era um deus principal. O mito relativo a este deus poderoso nos fala do seu nascimento portentoso, da forma em que surgiu da costela direita da sua mãe que, segundo conta a lenda, tinha sonhado antes que um belo elefante branco a possuía.

Mitologia Japonesa


Deus criou IZANAGI (pronuncia-se Izanagui) e IZANAMI. Izanagi significa o homem convidado e Izanami a mulher convidada. Na história bíblica seria: Deus criou Adão e Eva.Deus no Japão significa Deus Xinto que daí desenvolveu-se o xintoísmo, a religião originária do Japão.Deus Xinto enviou os filhos Izanagi e Izanami à terra como seu representante. Diz a mitologia que Deus Xinto colocou-os numa ponte para que eles caminhassem em direção à “terra” que hoje é chamado Japão.Quando eles chegaram à “terra”, o Japão ainda era apenas uma ilha coagulada que se chamava ONO-KORO.Deuses Izanagi e Izanami se casam para formar seus descendentes. Nessa época, inicia-se Kunibiki, a junção de várias outras pequenas ilhas até chegar as quatro atuais: Hokkaidou, Honshuu, Shikoku e Kyuushuu. O Japão é batizado de YAMATO, A Grande Paz.Eles tiveram 3 filhos:A primeira filha, AMATERASU OOMI KAMI que significa a deusa xinto do sol.O segundo filho, TSUKI YOMI NO MIKOTO que significa o deus xinto da lua.O terceiro filho, SUSANO O NO MIKOTO que significa o deus xinto do trovão.Segundo a mitologia japonesa, a primeira filha AMATERASU OOMI KAMI é a que descende a família imperial do Japão. E o primeiro filho dessa deusa é o primeiro imperador do Japão, JIN MU TENNOU que significa O Passo do Deus Xinto quem governou o Japão de 660 AC até 585 AC.Para termos uma idéia concreta, o atual imperador Akihito do Japão é o 125º imperador que descende diretamente da deusa AMATERASU OOMI KAMI, cujo filho JIN MU TENNOU é o primeiro imperador.Então, AMATERASU OOMI KAMI, a deusa do sol, sendo a primeira filha de Deus Xinto recebe a posse para tomar conta do arrozal, daí até hoje o alimento mais sagrado é o arroz no Japão. Ela não se dá bem com o terceiro irmão SUSANO O NO MIKOTO, o deus do Trovão, mas pelo contrário se dá muito bem com o segundo irmão TSUKI YOMI NO MIKOTO, o deus da Lua.Certo dia, a deusa AMATERASU OOMI KAMI teve desentendimento com o irmão SUSANO O NO MIKOTO por ele ter danificado suas plantações de arroz. Ela ficou tão furiosa e triste que se fechou numa caverna. O Japão todo escureceu, pois ela era a deusa do sol.Fora da caverna outros deuses fizeram de tudo para que ela abrisse a porta da claridade, mas foi em vão. Então, o segundo irmão, TSUKI YOMI NO MIKOTO resolveu simular uma grande festa dos xintoístas, usando espelhos para dar reflexos e utilizou galhos de SAKAKI para dar o rítmo à cerimônia. Ele convidou a deusa da chuva AME NO UZUME para bailar.Fazendo uma pequena pausa, SAKAKI é uma árvore da família da japoneira templária, cleyera japônica que é muito plantada junto aos templos. A palavra SAKAKI escreve-se em um só ideograma e significa “a árvore de Deus”. Até a presente data, o seu galho é freqüentemente utilizado tanto como oferenda quanto como para purificação.Uma das relíquias da família imperial até hoje, é o espelho. E na cerimônia de culto dos xintoístas, utiliza-se o galho de SAKAKI para dar a benção aos seguidores e também para espantar os astrais negativos.Assim, a festa começou em frente à caverna. A deusa AMATERASU ouvindo todo aquele barulho estrondoso de tambores, ficou muito curiosa e abriu um pouquinho a porta da caverna para ver o que estava se passando lá fora. Imediatamente o deus TSUKI YOMINO MIKOTO e demais deuses auxiliares puxaram a porta da caverna. Depois desse acontecimento, o Japão sempre teve seu brilho.O irmão SUSANO NO MIKOTO foi punido pela irmã AMATERASU e foi mandado para província de Izumo onde havia só terra coagulada e que ele tinha de construir uma nova cidade. Diz a lenda que o deus SUSANO era um homem cabeludo com barba comprida, daí talvez os nativos AINU fossem descendentes dele.Deus SUSANO era muito valente que um dia quando na sua cidade de Izumo apareceu um dragão com 8 cabeças, engolindo moças e rapazes, ele resolve acabar com ele, dando-lhe 8 tambores de sake para o dragão ficar bêbado. Quando o dragão já está num estado sonolento, o deus SUSANO avança em cima do dragão e retira-se do estômago, jóias preciosas, moças e rapazes; do rabo do dragão o deus SUSANO retira uma espada também.A segunda relíquia da família imperial até hoje é essa espada e a terceira é uma dessas jóias. Portanto, são 3 as relíquias que são mostradas na cerimônia oficial da família imperial:O ESPELHO que representa o sol, a bandeira nacional.A ESPADA que representa a origem do bushidou, SAMURAIS.JÓIA que representa a riqueza do país.É bom lembrar aqui também que o grande compositor e músico KITAROU compôs uma música instrumental chamada KOJIKI que significa CRÔNICA DE COISAS ANTIGAS e nela ele relata através da música a dança da deusa AMATERASU OOMI KAMI e a luta do deus SUSANO NO MIKOTO contra o dragão de 8 cabeças. Os alunos confundem KOJIKI – Crônica com KOJIKI – mendigo, pois as palavras são homófonas mas não são homógrafas.Foi na era de Nara, de 710 a 794 DC que duas crônicas foram escritas para que o povo japonês soubesse dos acontecimentos antigos do seu país por escrito.São elas: A crônica das coisas antigas, Kojiki e a crônica do Japão, Nihon Shoki.Segundo a mitologia, o primeiro lugar estabelecido como sendo Japão, foi na província de Izumo, onde até a presente data existe o grande santuário Xinto de Izumo -IZUMO TAISHA. Este santuário reteve fielmente a tradição do TAISHA-ZUKURI, um estilo de arquitetura Xinto cuja origem remonta a era primitiva.A deusa AMATERASU e o segundo irmão, TSUKI YOMI NO MIKOTO, migraram-se para Kyuushuu, a quarta ilha do atual Japão. Nessa região eles estabeleceram YAMATO, antigo nome que se dá ao Japão. Nesse YAMATO (A Grande Paz) estabeleceu-se o primeiro imperador JIN MU TENNOU.

Mitologia Oriental

Esta página traz informações sobre tópicos da mitologia,
cosmologia e tradição mística em geral do Oriente que julguei interessantes.

Alaya Shiki
É o oitavo sentido, a “consciência da memória”, alayavijñana em sânscrito. A oitava e mais fundamental das oito consciências estabelecidas na doutrina da escola Yogacara. (A sexta consciência é a mente pensante e a sétima é a noção de ego.) A consciência alaya acumula toda a energia potencial para a manifestação mental e física da existência do indivíduo, e supre a substância a todas as existências. Também recebe impressões de todas as funções das outras consciências e as retém como energia potencial para suas manifestações e atividades posteriores. Já que serve de base para a produção das outras sete consciências (chamadas “consciências transformadas”), também é conhecida como a “consciência-base” (mula-vijñana). A oitava consciência dá um senso de eternidade, unidade, subjetividade e maestria, lembrando um atmã eterno (o aspecto do ser que é imutável mesmo após as transmigrações), fazendo, assim, a sétima consciência enganosamente perceber e apegar-se a um ego.
Emma-o
O deus budista japonês do mundo inferior (do sânscrito Yama). Vive nas Fontes Amarelas (Yomi) sob a terra num enorme castelo todo coberto de prata e ouro, pérolas rosadas e outras jóias. É o juiz dos mortos e registra os pecados daqueles que são sentenciados ao purgatório e decide o seu grau de punição de acordo com a lei de Buda. Qualquer um que tenha matado um inocente será atirado num caldeirão fervente cheio de metal derretido. Entretanto, se tiverem feito uma peregrinação a cada um dos 33 templos da deusa da piedade Kannon, então todo o mal que tiverem feito desaparecerá. Por vezes é retratado como menos impiedoso e devolve a vida àqueles que aparecem diante dele.No último dia do Festival dos Mortos, o mar se encontra repleto de shoryobuni (“navios das almas”), pois nesse dia a maré alta traz um fluxo de fantasmas que voltam ao seu mundo espiritual. O mar é luminescente com a luz que essas almas emitem e seu sussurrar pode ser ouvido. Enquanto os fantasmas estão embarcando, nenhum navio humano deve se aproximar. Se alguém perder-se no mar coberto de almas, os fantasmas pedirão baldes. Os marinheiros só deverão oferecer-lhes baldes sem fundo, pois se não o fizerem, os fantasmas afundarão seu navio. Atualmente, Emma-o é usado como bicho-papão para assustar criancinhas.
TenRyuu HachiBu
Os oito grupos de seres transmundanos que geralmente estão presentes em convocações de sutras Mahayana: deva, naga, yaksha, gandharva, asura, garuda, kimnara e mahoraga. São todos considerados guardiães do buddhadharma.
KonGou”Adamantino”
Um material extremamente duro, identificado com o diamante ou a substância essencial do ouro; costuma ser usado como uma alegoria a algo duro e indestrutível. É o nome japonês do vajra, “raio” em sânscrito. O vajra costuma tem outras formas além do raio propriamente dito. Ademais, qualquer ser representado com o vajra é chamado de um vajra. É o raio de Indra, que costuma ser chamado a “clava de diamante”.
Long
Um dragão na mitologia chinesa, chamado ryuu no Japão. Há cinco tipos conhecidos: os dragões celestiais (Tienlong ou Tenryuu) que guardam as abóbadas dos deuses; dragões espirituais (Shenlong ou Shinryuu), que comandam o vento e chuva mas também podem causar enchentes; dragões terrenos, que purificam os rios e aumentam a profundidade dos oceanos; dragões que guardam tesouros; e os dragões imperiais (Ryuu-ou), que têm cinco garras em vez das quatro normais.No Taoísmo, o dragão representa o princípio yang e costuma ser retratado cercado de água ou nuvens.
MeiKai
Mundo(s) das Trevas, geralmente referindo-se às três existências de ser infernal, fantasma faminto e animal. Mais especificamente, Inferno. Kai significa mundo e Mei significa trevas, principalmente como metáfora para ignorância. Também pode significar “unificar-se”, “oculto” ou “misterioso”.
Sennin
O espírito imortal de um santo que vive nas montanhas na mitologia japonesa. Este santo, um eremita, que adquiriu tanto mérito pelo seu asceticismo que pode operar milagres, como falar após a morte, voar nas costas de uma tartaruga ou de uma nuvem, ou fazer um cavalo nascer de uma abóbora. Sennins podem falar a mortais em sonhos ou aparecer na forma de homens normais. São acompanhados por seus familiares: um sapo, um cavalo ou uma tartaruga.
ShaKa MuNiO
“Sábio do Clã Shaka” no Budismo Japonês, a encarnação da virtude perfeita e a primeira aparência do Buda sobre a terra em forma corpórea. É o Buda histórico, Siddhartha Gautama. Templos dedicados à sua adoração podem ser encontrados em todo monastério. O grande festival de Shaka é chamado Hana-Matsuri (“Festival das Flores”) e é celebrado em 8 de abril. Shaka Muni corresponde ao sânscrito Shakyamuni ou Sakyamuni. Amoghasiddhi é seu aspecto bodisatva. Sakya é o nome de um clã real da Índia, que significa “favorecidos com poder”.
Ten
No Japão, o céu, Paraíso, firmamento, Providência, Deus.
Tennin
No Budismo Japonês, um anjo ou fada, uma pessoa celestial e bela que pode aparecer numa montanha. Para encontrar um, o peregrino tem que subir até o pico.
Yamato
A alma do Japão, o espírito japonês. É o próprio núcleo e essência da nação japonesa antes que sua verdadeira história tivesse começado.
YaSha
Um morcego vampiro da mitologia japonesa. Acredita-se que seja o espírito de uma mulher cuja raiva diminuiu seu status no renascimento.
Yin e Yang
Yang é o princípio feminino: oculto, escuro, macio, terra, interno, pequeno, passivo, noite, em oposição a Yang, o princípio masculino: óbvio, luz, duro, céu, dia, ativo etc.
YoMi
Na mitologia japonesa, Yomi (“coração da noite” ou “fontes amarelas”) é o mundo inferior.
YoMi no Kun
iNa tradição xintoista japonesa, é o mundo inferior no qual horríveis criaturas guardam as saídas. Entretanto, não é exatamente um lugar como outros Infernos onde as almas dos falecidos são torturadas sem esperança de redenção. Yomi no Kuni, a”terra das fontes amarelas”, é um lugar onde as almas são purificadas. Esta visão em particular foi introduzida após a descida de Izanami a este domínio e a purificação ritual de Izanagi no rio após seu retorno do mundo inferior.
YouSei
Fadas japonesas. Costumam ser vistas como pássaros, grous ou cisnes.
YukiOnna
A Dama das Neves, a Rainha das Neves ou o Fantasma do Inverno na mitologia japonesa. Às vezes ela aparece como uma mulher terrena, casa-se e tem filhos, mas por vezes desaparece numa névoa branca.