Como Fazer Seu Próprio Incenso

Acender incensos é uma prática que faz parte de cerimônias e rituais desde os primórdios da humanidade. Muito provavelmente, a idéia surgiu quando pessoas de antigas civilizações, ao jogarem plantas e substâncias aromáticas no fogo, perceberam a fumaça perfumada resultante. Hoje, os incensos são muito populares e cativam mais e mais adeptos que os utilizam para os mais variados fins. O incenso sempre esteve ligado à religião.

Seu uso para reverenciar divindades, meditar e limpar ambientes é bastante comum há milhares de anos. Por isso não admira que, segundo o relato bíblico, Jesus Cristo, ao nascer, tenha recebido incenso, mirra e ouro de presente dos Reis Magos. A forte ligação do incenso com o elemento Ar, simbolizada pela fumaça, assim como o marcante apelo olfativo (o olfato tem contato direto com o processamento de emoções e com a memória) talvez expliquem o fascínio que este ritual sempre exerceu sobre os seres humanos.De acordo com antropólogos e historiadores, os primeiros povos a prepararem incensos foram os egípcios. Os incensos eram preparados com ervas e resina de árvores consideradas sagradas. Os egípcios eram bastante experientes na fabricação de incenso, e o faziam em templos, o que revela, desde aí, sua ligação com as cerimônias e as atividades relacionadas à vida espiritual. A própria manufatura dos bastões era um ritual complexo e bastante secreto. Aromas da Índia e o koh japonês. Os hindus são os responsáveis pelos primeiros incensos aromatizados e até hoje esta é uma atividade importante na Índia.

Primeiramente eles utilizavam como incenso materiais nativos: benjoim, sementes, raízes, flores secas e madeiras aromáticas. Eram queimados em rituais públicos ou nas casas, na adoração de deuses e na cremação dos mortos. Nos cultos budistas, até hoje, o incenso também é utilizado nas cerimônias de iniciação de monges e faz parte dos rituais diários nos mosteiros. Mais tarde o hábito foi se espalhando por outros países da Ásia como a China e o Japão. Neste continente, sua propagação está relacionado à difusão do budismo. A apreciação do incenso faz parte do ritual budista para acalmar o espírito. É um momento extremamente importante para a religião, pois recupera a paz e a liberdade espiritual. As fragrâncias que inspiram esse estado são chamadas de koh.

Os japoneses desenvolveram um ritual peculiar para vivenciarem o Koh: o ‘Koh Do’ ou Cerimônia do Incenso, que é tão importante como a Cerimônia do Chá. Nela, o valor do incenso passa também pela questão estética. O ritual envolve uma série de regras rígidas. Seus objetivos são a reflexão silenciosa e a conquista da paz mental. A experiência espiritual busca um estado sutil e profundo que, ao mesmo tempo, é a essência da estética japonesa.

Como fazer seu próprio incenso

São muitas as maneiras de produzir incenso, mas todas elas exigem paciência e sensibilidade. Para conseguir aquele aroma especial esteja preparado para gastar tempo e certa dose de dedicação. Rosas, ervas, mel, canela, madeiras, cascas de árvores, óleos essenciais, flores e folhas secas, frutas e sementes e ainda essências fabricadas especialmente para incensos estão na origem dos aromas. Existem centenas de ingredientes para fazer incenso, desde o pó da casca de sândalo até o cravo. Use a imaginação para conseguir outros aromas e, à medida em que for adquirindo prática, faça suas próprias experiências.Os incensos podem ser preparados em casa mesmo, utilizando materiais simples como colheres e panela. No entanto, é muito importante separar os objetos apenas para essa finalidade. O local de preparo e suas mãos devem estar sempre limpos.

Para escolher as essências, óleos essenciais ou ingredientes naturais do seu incenso de acordo com suas características, gosto e necessidades, consulte o pequeno dicionário no final deste artigo.

Ingredientes para o incenso

pó para cola de incenso
pó para incenso
375 ml de água deionizada (água pura, sem cloro ou sais inorgânicos)
óleo essencial ou essência para incenso ou ainda substâncias naturais como flores, folhas, ervas aromáticas…
corante alimentício • varetas de madeira
recipiente com no mínimo 20 cm de altura;
um local com areia para espetar as varetas e deixá-las secar após mergulhá-las na massa;
uma panela grande

Como fazer incenso

Leve o pó para cola de incenso e a água ao fogo e mexa até atingir uma textura de mingau (é rápido);
Deixe esfriar um pouco. A temperatura ideal para continuar o processo é 40.ºC. Para saber se chegou a esta temperatura, é só ir colocando na palma da mão um pouquinho da massa, quando conseguir ficar com ela na mão durante uns 10 segundos, está boa;
Misture o pó para incenso e mexa;
Misture a essência para incenso. e mexa;*
Adicione o corante alimentício que preferir na massa e misture;
Mergulhe as varetas na massa;
Espete cada vareta em um recipiente com areia e deixe secar por duas horas;
Após essas duas horas mergulhe novamente a vareta na mesma mistura e deixe secando mais duas horas;
Mergulhe pela terceira vez e deixe secar completamente.
* Aqui, a essência para incenso pode ser substituída por óleos essenciais (2 ml) ou substâncias aromáticas naturais. Se utilizarmos óleos essenciais na confecção dos incensos, obteremos os incensos terapêuticos, usados na aromaterapia. Se adicionarmos ervas desidratadas, flores, canela, etc, serão incensos fitoterápicos. Neste caso é preciso bater as ervas no liquidificador e peneirar.

Dicionário de aromas e indicações

Abacate (folha): afrodisíaco
Absinto estimulante, cansaço físico e mental
Alfazema: acalma, limpa ambiente, estudos
Alecrim estimulante, combate memória fraca, saúde, sucesso, libera magoas, purifica
Alface sedativo e contra insônia
Alfafa abre o apetite, tira insônia
Alfazema: Acalma e limpa o ambiente.
Almiscar energizante, afrodisíaco, atrai amor
Ambar antidepressivo, purifica, meditação
Amor Perfeito: purifica ambientes, ajuda nos estudos, amor, elevação das vibrações
Angelica libera angustias, tranqüiliza
Anis auto-estima para despertar o amor interno, para despertar forças
Arruda: Proteção, limpa ambientes carregados.
Artemísia desintoxica
Balsamo Rosa: acalma, purifica ambientes, ajuda nos estudos, amor, eleva as vibrações psíquicas
Balsamo: Acalma e equilibra energia.
Bejoim: Exorcismo, espiritualidade.
Benjoin limpeza de ambiente, energizador
Calêndula excitante
Camomila: acalma, purifica ambientes, ajuda nos estudos, psíquicos.
Canela: Estimulante, atrai prosperidade, bens materiais, acalma.
Cânfora: Limpa ambientes carregados. desenvolvimento psíquico, acalma.
Cedro: Purifica ambientes, para despertar forças, psíquico.
Cipreste consagração, bênçãos
Côco: Estimula o bem estar.
Cravo afrodisíaco, despertar forças interiores
Cravo da Índia: Purifica ambientes, para despertar forças, espiritualidade, sensualidade, e atração.
Cravo: Excitante, afrodisíaco e expectorante, espulsa as forças negativas.
Dama da Noite: Ideal para encontros amoros.
Egypcio: Purifica ambientes, amor.
Erva Doce: Poderoso calmante.
Erva-cidreira combate insônia, palpitações e acalma
Erva-doce calmante
Espiritual: Purifica ambientes, despertar forças, espiritualidade.
Etermum: Ajuda nos estudos, espiritualidade, elevação das vibrações, psícicas.
Eucalipto purificador de ambientes, revigorante
Eucalypto: Purifica ambientes
Flor de Pitanga: Incentiva a criatividade.
Flor do Campo: Equilibrio emocional.
Flor Indiana(Kewda): Purifica as vias respiratorias.
Floral: Afasta sentimentos negativos.
Fucus sedativo
Ginseng estimulante
Heliotropio: Amor.
Jasmim: Afrodisiaco, atrai paixão, melhora o humor, espiritualidade, elevação das vibrações, psíquicas.
Kamac: Para despertar forças.
Lavanda: Harmonia, paz e equilibrio no ambiente.
Limão purificador
Lírio: Harmonia, paz e equilibrio.
Lotús: Ajuda nos estudos, elevação as vibrações.
Louro prosperidade, atrai dinheiro
Maçã atrair amor, magnetismo
Maçã Rosada: Acalma.
Madeira Oriental: Sensualidade e atração.
Madeira: Energia positiva, amor, elevação das vibrações.
Manjericão antidepressivo
Mirra Quefren: Para despertar forças.
Mirra sorte, saúde e negócios
Mirra: Oferensa aos Deuses, boa sorte, traz saúde, sucesso nos negócios, acalma, purifica ambientes, espiritualidade, psíquico.
Musk: Cria um ambiente de sensualidade.
Néfer: amor, sensualidade, atração.
Nefertum: Para despertar as forças, espiritualidade, psíquico.
Nefetes: Amor
Nós Moscada: Diminui a ansiedade.
Nóz moscada atenua ansiedade
Olíbano criatividade, alegria, paz conjugal
Ópium: Favorece a determinação, ajuda nos estudos, elevação das vibraões, psíquicos.
Orquídea serenidade, estudos
Orquídea: Afrodisíaco.
Papoula: Psíquico.
Patchouly: Desperta a alegria e a clarevidencia, sensualidade e atração, para despertar forças.
Pitanga prosperidade e criatividade
Quéfron: Elevação das vibrações, psíquico.
Romanus: Para despertar foça, psíquico.
Rosa Branca: Purifica os sentimentos, acalma.
Rosa Musgo: Rejuvenesce, embeleza e amacia a pele.
Rosa: Purifica ambientes, ajuda nos estudos, espiritualidade, amor, elevação das vibrações, psícquico.
Rosario: Para despertar forças, psíquico.
Sandânlo: Invocação de seres psicopompos e elementares.
Sálvia relaxa sem provocar sono, bom para TPM Sândalo afrodisíaco
Templum ajuda nos estudos, espiritualidade, elevação das vibrações, psíquicos.
Verbena purificador, afrodisíaco
Vetiver autoridade
Violeta equilíbrio emocional, estudos, meditação
Ylang Ylang ativa a sensualidade, poderoso afrodisíaco.

Óleos essenciais

Alecrim: estimulante geral, revigorante, rejuvenescedor da pele, tira dores musculares, resfriados, melhora o humor e a memória. Ação intensa.
Bergamota: anti-estresse, antidepressivo, indicado em casos de tensão e medo.
Camomila: anti-inflamatório, calmante, combate a irritação, auxilia em processos terapêuticos na busca de causas do sofrimento. Ação suave.
Rosa: afrodisíaco, antidepressivo, auxilia em bloqueios emocionais, melhora a auto-estima e a segurança. Indicado para carência afetiva e crises de TPM.
Sálvia: regulador hormonal, aumenta a criatividade e a inspiração, alivia a TPM .
Sândalo: usado para invocação de elementares e seres psicopompos.
Tangerina: melhora o humor e a disposição física.
Tea Tree: é estimulante de energia vital

Incenso de jardim

Massa de incenso:

Em um copo graduado, coloque 364 ml de água, 14 mel de essência para incenso e 50 gotas de corante. Misture e despeje sobre 100g de pó para incenso, previamente peneirado. Mexa bem.

Cola:

Misture 40g de pó para cola a 80 ml de água. Reserve. Leve ao fogo 100 ml de água. Assim que ferver, adicione a mistura de cola e água. Mantenha o fogo baixo e mexa bastante, até começar a ficar transparente.

Material
– Pó, essência e conservante para incenso (encontrados em lojas de essências)
– Corante alimentício líquido
– Pó para cola
– Palitos de bambu de 40 cm

Junte as massas
Misture a massa de incenso à de cola. Acrescente 20 ml do conservante e mexa bem.

Mergulhe o bambu
Coloque o palito na mistura e retire em seguida. Deixe 10 cm livres numa das extremidades.

Seque no varal
Prenda pela extremidade não recoberta. Espere 24 horas. Repita o mergulho e a secagem mais duas vezes. Embale em sacos plásticos

Abençoado Seja, amigos… e bons aromas!!

Círculo Mágico

Os rituais pagãos sempre foram realizados na Natureza, a morada sagrada dos deuses e a sua representação. Geralmente, aconteciam em círculos de pedras, lugares de grande magnetismo e poder.

O fato é que os antigos povos celtas acreditavam demais na natureza cíclica das coisas e o círculo acabou se tornando um símbolo sagrado não só para eles, mas em quase todos os povos. Realizar rituais dentro de um círculo de poder nos remete a essa teoria e é uma forma de sacralizarmos o espaço onde realizaremos o nosso ritual.

O círculo marca o início de um ritual. Geralmente ele é lançado quando percorremos a área ritual por três vezes consecutivas, com nosso athame ou bastão. Em seguida evocamos os espíritos dos elementos, assim como fazemos invocações aos deuses.

Além disso, o círculo é tido como a melhor maneira de preservar e conter a energia criada durante o decorrer de um ritual e elevá-la no cone de poder.

Como criar um círculo?

A forma como você vai lançar o seu círculo mágico é bastante pessoal e deve ter significado para você. Por mais que algumas diretrizes ajudem (e devam ser seguidas), você deve não só entendê-las, mas sentí-las dentro de si, senão de nada adiantará a sua ação.

Apresentamos aqui um modelo para a criação do círculo, o que não deve de maneira alguma ser encarado como a única e verdadeira maneira de traçar o círculo, pois isso não existe. É claro que quando você faz parte de uma determinada tradição, já existe a maneira pela qual eles lançam o círculo. No entanto, se você é um praticante solitário e não tem acesso a tradições, você pode dar uma olhada nesse modelo e aproveitar algo dele.

Para fazer o círculo magico são necessárias pedras para traçar um circulo no chão ou seria apenas um círculo imaginário?

Depende. Na prática solitária, cada um tem o seu jeito de lançar o círculo. Se você gosta de pedras e gostaria de usá-las para delimitar o espaço, então use-as. Se você acredita não precisar de delimitações e gostaria apenas de imaginar o círculo ao seu redor, também pode. Tem que ver o que você considera mais relevante em sua prática pessoal.

Modelo de criação do círculo

Se estiver realizando o ritual sozinho, pode fazer em seu quarto ou em uma sala com os móveis recuados. Se tiver um aposento cujo espaço seja exclusivo para a prática da Magia, você tem muita sorte. Qualquer que seja o local utilizado para realizar o ritual, criar e banir o círculo é essencial.
Geralmente, o modo como você lança o círculo é igual na maioria dos rituais. Você pode desejar modificar uma coisinha aqui e outra ali de acordo com o objetivo do ritual, mas no geral é tudo bastante parecido.

A primeira coisa a se fazer é preparar o local do ritual. Tire tudo o que estiver obstruindo o lugar do círculo e coloque seu altar no ponto norte da circunferência (alguns bruxos preferem instalar o altar na ponta leste – é uma preferência pessoal).

Em cada quadrante você deve colocar uma vela da cor correnpondente ao elemento. O padrão é: azul (água), amarelo (ar), vermelho (fogo) e verde (terra), mas você pode alterar se usar correspondências diferentes. Essas velas devem ser acesas durante o ritual de lançamento do círculo e ficarão acesas durante todo o ritual.

Você também pode querer usar música durante os seus rituais. Você pode gravar músicas cantadas por você, repetir faixas etc… de acordo com a seqüência do ritual, para que não comece a tocar uma música de tambores durante o período de relaxamento, por exemplo. Ou até mesmo colocar um bom CD de musicas Celtas.

Tire o telefone do gancho, acenda o incenso e as velas, ligue a música e você estará pronto para começar.

Lançando o círculo mágico

Ande pelo perímetro do círculo três vezes em sentido horário, visualizando uma luz azul que o contorna. Quando terminar as três voltas, pare no quadrante que deseja começar (geralmente é o leste), e faça uma invocação aos guardiães como a seguinte:

Eu saúdo os guardiães das torres de observação do Leste, os poderes do Ar, e agradeço por estarem comigo neste ritual de hoje.

É claro que você pode elaborar novas invocações ou pegar outras já existentes, mas esta é a base. Faça o mesmo com todos os outros quadrantes, no sentido horário. Assim, o próximo quadrante a ser saudado é o quadrante Sul.

Após o término das saudações dos guardiães, invoque a Deusa e o Deus (ou as divindades com as quais se identifica) a estarem presentes em seu ritual. Segure o seu athame ou o seu bastão com as mãos erguidas para o céu para fazer a invocação.

Como os deuses pagãos são imanentes (estão em todas as coisas), fpode até parecer redundante chamá-los para estarem com você (pois é claro que eles estarão). No entanto, é bastante humilde e honroso de sua parte mostrar o quão importante eles são e o quanto você está feliz por sua presença.

Assim, uma invocação aos deuses pode ser como a seguinte:

Eu invoco a Deusa e o Deus para estarem comigo neste ritual. Que todos sejamos abençoados! Sejam bem-vindos!

Visualize uma luz branca azulada ao seu redor, formando o círculo desde o chão até o fechamento sobre sua cabeça. O círculo está lançado e você está entre os mundos.

Banindo o círculo

Sempre que se lança um círculo mágico, ele deve ser banido. É quando encerramos o poder e agradecemos aos deuses e poderes dos elementos pela sua presença e força.

Basicamente, banir o círculo é realizar o seu ritual de lançamento de forma contrária. Eleve seu athame da mesma forma como foi dito no lançamento do círculo. Rodeie três vezes a área ritual em sentido anti-horário e, um por um, agradeça aos quadrantes por sua presença. Pode ser algo do tipo:

Eu agradeço aos guardiães do Leste, poderes do Ar, por terem estado comigo hoje neste ritual. Sigam em paz!

Repita o mesmo procedimento, só que desta vez no sentido anti-horário. Assim, o próximo será o ponto cardeal Norte.

Agradeça aos deuses de forma semelhante. É importante ser espontâneo, de certo modo, e dizer tudo com bastante sinceridade em seu coração. Diga tudo o que achar que deve dizer, em agradecimento. Ao final, diga algo do tipo:

O círculo está aberto, mas não foi quebrado. O amor dos deuses está dentro de mim.

Invocação aos Quatro Elementos

“As invocações não deixam de ser um tipo de oração mais complexo, e sua prática aumenta, e muito, nosso contato com as forças ocultas da Natureza. Logo abaixo, uma Invocação mais completa, mas dedicada a quem já conhece um pouco sobre Magia Prática. E logo depois, uma Invocação simples, mas de ótimos resultados para todas as pessoas, Iniciadas ou não em Magia…”

INVOCAÇÃO DOS QUATRO CANTOS

“O Iniciado, aponderando-se do pensamento, que produz as diversas formas, se torna senhor das formas e as faz servir ao seu uso.” O Ar, a Água, a Terra e o Fogo (formas elementais) separam e especificam, por uma espécie de esboço, os espíritos criados no Moviento Universal Inteligente. Evocando os Elementos, entramos em contato com toda parte, pois o Espírito elabora e fecunda a matéria pela vida; toda matéria é animada; o pensamento e a Alma estão em toda parte. Para evitarmos as interferências dos fenômenos provocados pelos Elementais, temos que possuir a Vontade mais poderosa, a fim de dominarmos, por uma elevada razão e uma grande severidade, as correntes invisíveis que podem ser ocasionadas. Para isso, não podemos ter medo da água, pois necessitamos dominar as Ondinas. Não teremos medo do fogo, porque ordenaremos às Salamandras. Não nos abrigaremos dos ventos, nem teremos medo de alçar às alturas, porque dominaremos os Silfos e os Gênios. E não temeremos os elementais da Terra, porque os espíritos inferiores só obedecem a um poder que lhes provamos. Mostramo-nos seus Senhores até no seu próprio elemento. Com a Ousadia e o Exercício, conquistamos o Poder incontestavél, impondo aos Elementos o Verbo Puro da nossa Vontade por Consagrações especiais para o Ar, ao Fogo, à Água e à Terra. Este é o começo indispensável de todas as operações Mágicas. Mas antes, com o Sinal Mágico, da cruz, é preciso vencê-los nas suas forças, sem nunca se deixar subjulgar pelas nossas fraquezas e pelas “fraquezas” deles. Sabemos que a cruz surgiu muito antes do Cristianismo e a ele não pertence exclusivamente. Para nós, representa as oposições e o equilíbrio quaternário de todos os elementos. Portanto, é reservado aos Inciados o Sinal-da-Cruz em sua forma original. Esta é a maneira correta; ao longo dos anos, a Igreja e seus militantes profanaram os significados e simbolismos. O Iniciado leva a mão à testa e diz: -A TI PERTENCEM… Leva a mão ao peito: -O REINO… Bota a mão no ombro esquerdo: -A JUSTIÇA No ombro direito: -E A MISERICÓRDIA… Depois, com a mão direita erguida para o céu e a esquerda em direção à Terra, fala: -NOS CICLOS GERADORES! TIBI SUNT MALCHUT ET GEBURAH ET CHESED PER AEONAS. (em latim, mesmo!) Este Sinal Mágico, da cruz, deve ser feito sempre, antes e depois de qualquer desenvolvimento de Desejos, Vontades e Verbos – As operações mágicas. As consagrações e outras Evocações que estão a se encontram a seguir, foram retiradas de Grimoires de diversos autores, tais como Agrippa, Albert Le Grand, Papus e Eliphas Levi. Devemos lembrar que as orações devem ser criadas e produzidas, palavra por palavra, pelo próprio Iniciado, numa verdadeira alquimia das Vontades expressas por suas palavras. Portanto, o que você irá ler não deve ser tomado como uma “receita”, e sim como um estímulo para o Iniciado buscar suas próprias palavras na expressão Pura de suas Vontades. Agora sim, podemos dar início às Consagrações (Ar e Água) e ao Exorcismo (Fogo e Terra). Consagramos o Ar soprando para os quatro quatro pontos cardeais, dizendo:

SPIRITUS DEI FEREBATUR SUPER AQUAS, ET INSPIRAVIT IN FACIEM HOMINIS SPIRACULUM VITAE. SIT MICHAEL DUZ MEUS, ET SABTABIEL SERVUS MEUS IN LUCE PER LUCEM FIAT VERBUM HALITUS MEUS; ET IMPERABO SPIRITIBUS AERIS HUJUS, ET REFROENABO EQUOS SOLIS VOLUNTATE CORDIS MEIS, ET COGITATIONE MENTIS MEAE ET NUTU OCULI DEXTRI. EXORCISO IGITUR TE, CREATURA DERIS, PER PANTAGRAMMATON ET IN NOMINE TETRAGRAMMATON, IN QUIBUS SUNT VOLUNTAS FIRMA ET FIDES RECTA. AMEN. SELA FIAT.

Em seguida, recitamos a Invocação aos Silfos:

Espírito de sabedoria cujo sopro dá e retoma a forma de todas as coisas. Tu, diante de quem a vida dos seres é uma sombra que muda e um vapor que passa. Tu, que sobes às nuvens e que caminhas nas asas dos ventos. Tu, que expiras, e os espaços sem fim são povoados.Tu, que aspiras, e tudo o que de ti vem a ti volta: movimento sem fim na estabilidade eterna, sê eternamente bendito. Nós te louvamos e te bendizemos no império móvel da luz Criada, das sombras, dos reflexos e das imagens, e aspiranmos, incenssamente, à tua imutável e imperecível claridade. Deixa penetrar até nós o raio de tua inteligência e o calor do teu amor: então o que é móvel ficará fixo, a sombras será um corpo, o espírito do ar será uma alma, o sonho será um pensamento. E nós não seremos mais arrastados pela tempestade, porém seguraremos as rédeas dos cavalos alados da manhã e dirigiremos o curso dos ventos da tarde, para voarmos diante de ti. Ó Espírito dos espíritos, ó alma eterna das almas, ó sopro imperecível de vida, ó suspiro criador, ó boca que aspiras e expiras a exitência de todos os entes, no fluxo e refluxo da tua eterna palavra, que é oceano divino do movimento e da verdade.
Que assim seja!

Consagramos, depois a água pela imposição das mãos e pelo sopro das palavras:

FIAT FIRMAMENTUM IN MEDIO AQUARUM ET SEPARET AQUAS AB AQUIS, QUAE SUPERIUS SICUT INFERIUS, ET QUAE INFERIUS SICUT QUAE SUPERIU, AD PERPETRANDA MIRACULA REI UNIUS. SOL EJUS PATER EST, LUNA MATER ET VENTUS HANC GESTAVIT IN UTERO SUO, ASCENDIT A TERRA AD COELUM ET RURSUS A COELO IN TERRAN DESCENDIT. EXORCISO TE CREATURA AQUAE, UT SIS MIHI SPECULUM DEI VIVI IN OPERIBUS EJUS, ET FONS VITAE, ET ABLUTIO PECCATORUM. AMEN.

Seguimos, então, com a Invocação às Ondinas:

Rei do terrível mar, vós que tendes as chaves das cataratas do céu, e que encerrais as águas subterrâneas nas cavernas da Terra. Rei do dilúvio e das chuvas da primavera, a vós que ordenais à umidade, que é como que o sangue da Terra, de tornar-se seiva das plantas, nós vos adoramos e vos invocamos. A nós, vossas móveis e variáveis criaturas, falai-nos nas grandes comoções do mar, e tremeremos diante de vós. Falai-nos também do murmúrio das límpidas águas, e desejaremos o vosso amor. Ó imensidão na qual vão perder-se todo os rios do ser, que sempre renascem em vós! Ó oceano das perfeições infinitas! Altura de que vos mirais na profundidade. Profundidade que exalais na altura, levai-nos à verdadeira vida pela inteligência e pelo amor! Levai-nos à imortalidade pelo sacrifício, a fim de que sejamos dignos de vos oferecer, um dia, a água, o sangue e as lágrimas, pela remissão dos erros.
Que assim seja!

Para Invocar o Fogo, jogamos sal e pronunciamos três vezes os três nomes dos gênios do fogo:
Miguel, rei do Sol e do raio; Samael, rei dos vulcões; e Anael, príncipe da Luz Astral. A seguir, recitamos a oração das Salamandras:


Imortal, eterno, inefável e incriado pai de todas as coisas, que és levado no carro sem cessar rodante dos mundos que giram sempres. Dominador das imensidades etéreas, onde estás ereto no trono do teu poder, de cima do qual teus olhos formidáveis descobrem tudo e teus belos e santos ouvidos escutam tudo, atende aos teus filhos, que amaste desde o nascimento dos séculos; porque a tua dourada, grande e eterna majestade resplandece acima do mundo e do céu das estrelas; estás elevado acima delas, ó fogo faíscante. Aí, tu te acendes e te conservas a ti mesmo pelo teu próprio esplendor, e saem da tua essência regatos inesgo
táveis de luz, que nutrem teu espírito infinito. Este espírito infinito alimenta todas as coisas e faz este tesouro inesgotável de substância sempre pronta à geração que elabora e que se aprimora das formas de que a impregnaste desde o princípio. Deste espírito tiram também sua origem estes reis mui santos que estão ao redor do teu trono e que compõem a tua corte, ó pai universal!
Ó único! Ó pai dos felizes mortais e imortais.

Criaste, em particular, potências que são, maravilhosamente, semelhantes ao teu eterno pensamento e à tua essência adorável. Tu as estabeleceste superiores aos anjos, que anunciam ao mundo as tuas Vontades. Enfim, nos criaste na terceira ordem no nosso império Elemental. Aqui, o nosso contínuo exercício é louvar e adorar os teus desejos.
Aqui, ardemos, incessantemente, aspirando possuir-te. Ó pai! Ó mãe! Ó mais terna das mães! Ó arquétipo admirável da maternidade e do puro amor! Ó filho, flor dos filhos! Ó forma de todas as formas, alma, espírito, harmonia e número de todas as coisas.
Que assim seja!

A seguir, passamos a Invocar a Terra:

Rei invisível, que tomastes a Terra para apoio e que cavastes os seus abismos para enchê-los com a vossa onipotência. Vós, cujo nome faz tremer as abóbodas do mundo, vós que fazeis correr os sete metais nas veias da pedra, monarca das sete luzes, remunerador dos operários subterrâneos, levai-nos ao ar desejável e ao reino da claridade. Velamos e trabalhamos sem descanso, procuramos e esperamos, pelas doze pedras da cidade santa, pelos talismãs que estão escondidos, pelo cravo de imã que atravessa o centro do mundo. Senhor, tende piedade dos que sofrem, desabafai os nossos peitos, desembaraçai e elevai nossas cabeças, engrandecei-nos. Ó estabilidade e movimento. Ó dia envolto de noite, ó obscuridade coberta de luz! Ó Senhor, que nunca retende convosco o salário de vossos trabalhadores! Ó brancura cristalina, ó esplendor dourado! Ó coroa de diamantes vivos e melodiosos! Vós que levais o céu no vosso dedo, como um anel de safira, vós que escondeis embaixo da Terra, no reino das pedrarias, a semente maravilhosa das estrelas, vivei, reinai e sede o eterno dispensador das riquezas que nos fizeste guardas.
Que assim seja!

Estas são as relações de todos os Elementais na composição Univesal, com seus respectivos soberanos (Devas Regentes):

Gob, para os Elementais da Terra;
Djin, para as Salamandras;
Paralda, para os Silfos; e
Niksa ou Nikse, para as Ondinas

~>Existem mais três Devas Regentes de mais três Elementos da Natureza, mas esses estão sob juramentos e só podendo ser revelados aos irmãos fraternos de mesmo pacto.

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Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta.
(Oswaldo Montenegro)

Book Of Shadows

O Livro das Sombras


Esse é o nome dado pelas bruxas contemporâneas para o livro no qual elas escrevem seus rituais, invocações e encantos. Não é um termo antigo surgido na Inquisição, como é erroneamente dito por aí, visto que a maioria das pessoas nesta época era analfabeta, sendo impossível manter um livro escrito à mão.

O termo “Livro das Sombras” vem do termo inglês Book Of Shadows e é muito comum você ler esse segundo termo em muitos livros e sites (ou sua abreviação: BOS). Todo coven (e toda(o) bruxa(o) solitária(o)) deve ter o seu Livro, pois é quase que uma base de todo o seu trabalho ritualístico. Tudo o que se refere à Wicca e à Bruxaria pode ser incluído nele.

Não se trata de um livro antigo ou famoso, apesar de muitos terem essa impressão. Não existe “um” Livro das Sombras; cada bruxa ou coven tem o seu, tradicionalmente escrito à mão. Esse trabalho escrito é chamado de “livro das sombras” porque seu conteúdo só pode ser a sombra das realidades deste mundo.

Nele, você irá escrever todos os seus feitiços, rituais, correspondências, invocações, cânticos e o que mais for necessário para a realização dos rituais. Muitas bruxas e bruxos gostam de ter mais outros dois livros: um para ser usado como diário de sua vida mágica, anotando desde sonhos até pensamentos sobre a religião, e outro para anotar informações históricas, dados sobre o Paganismo etc. Acredito que este seja um modo bastante interessante de se trabalhar.

O Livro das Sombras tem tradicionalmente a capa preta com o pentagrama cravado na capa, mas você pode cravar outros símbolos e até mesmo utilizar outras cores como verde, marrom, azul marinho. Tente se concentrar em cores e materiais naturais.

Uma antiga regra dos covens era que, quando alguém morria, seu livro deveria ser queimado. A razão principal era poupar os familiares da bruxa, pois a descoberta de tal livro poderia deixar-lhes em uma situação difícil, especialmente em famílias onde o culto era passado de geração para geração.

O que é, afinal, o livro das sombras?

É o nome dado ao livro em que Gerald B. Gardner escreveu compêndios de sua prática wiccana. Esse livro formou as “bases” da tradição em questão. No entanto, como o conhecimento é passado aos iniciados de forma oral, principalmente, o essencial não está no tal livro. O essencial na Wicca pode apenas ser vivido, jamais narrado. Desta forma, o livro contém coisas como a Carga da Deusa e algumas instruções.

Hoje em dia, chamamos de livro das sombras algo semelhante. Trata-se do livro / caderno pessoal de cada bruxo ou bruxa, onde são anotados os rituais e demais informações que cada praticante julgar necessárias. É algo extremamente pessoal. Nós costumamos ver bastante em filmes de fantasia os magos cheios de livros e escrevendo em muitos deles, ou então com um livro só onde ele anota seus feitiços mais poderosos. É bem por aí.

Como começar?

Não tem muito segredo. Arranje um caderno com o qual se identifique e comece a escrever tudo ali que achar conveniente e for relacionado com a Arte. É provável que você tenha mais de um caderno, com o passar do tempo. Você pode usar o material que quiser: caderno espiral, fichário, caderno brochura, capa preta, capa rosa, enfim, o que achar que combina mais com você. Apesar de o livro das sombras considerado tradicional ter a capa preta, isso é apenas um padrão, não uma regra.

Posso ter o livro em meu computador?

Faça o que for mais prático para você. Poder a gente pode fazer qualquer coisa, não é verdade? Ninguém vai até a sua casa brigar com você porque o seu livro das sombras está no computador. No entanto, há duas razões bastante significativas para você não fazer no computador:

– Escrever com sua própria letra no livro físico é um ato de transmissão de poder. Isso garante que o livro seja só seu, pois está impregnado com a sua energia. E isso é muitíssimo importante em magia. Não importa se considera sua letra horrível. Não é a beleza dela que está em jogo, você sabe, mas a força que você coloca em seu livro escrevendo nele à mão.
– É bom você ter o livro com você enquanto faz seus rituais, ou tê-lo sempre à mão quando quiser. Ter o livro no computador pode ser legal, mas não é muito prático. Suponhamos que tenha acabado a luz e você precise de algo lá. Não dá. Entre diversas outras situações onde você não poderá acessar o computador. Eu ao menos acredito que ter um livro de verdade ali seja mais prático.

No entanto, nada impede que você tenha uma versão digital de seu livro, ou então junte textos coletados da Internet nele.

Decoração no livro das sombras

O bom do computador é que podemos decorar os textos livremente. Podemos colocar imagens, bordas, editar frases e tudo o mais. Porém, o seu livro físico também pode ser decorado. Arrange recortes de jornal, desenhos, use aquarela, adesivos, lápis de cor, folhas e flores secas. Enfim, há uma variedade de materiais que pode ser utilizada para a decoração de seu livro. Use a criatividade!

O que você quer para o seu livro das sombras?

Defina isso primeiramente. Para que você quer um livro das sombras? Para usar como diário mágico? Para coletar informações sobre a Arte? Para ter sempre à mão informações úteis para seus rituais? Definir isso é o primeiro passo para a composição correta do seu livro – correta para você. Se você quer ter um livro com informações para os rituais, não é recomendado um caderno de 500 folhas, por exemplo, pois fica complciado o manuseio. Seja qual for sua escolha, tenha em mente que seu livro deve ser:

– Funcional: Ele deve funcionar para você. De nada adianta ter um livro lindo e maravilhoso se você não consegue sequer virar suas páginas direito, com medo de rasgá-lo, ou então se é difícil escrever nele.
– Organização: Seja qual for a forma do seu livro, ele deve ter uma organização, senão fica praticamente impossível encontrar as informações.
– Beleza: É claro que ninguém quer ter um livro feio. Mostre que gosta dele e que valoriza a sua religião deixando-o do jeito que achar mais agradável. Talvez você ache melhor ele ser simples, com folhas brancas e sem desneho algum. Talvez você queira ter flores em todas as bordas. depende de você e do que você considera bonito para ele.

Utilizando um fichário

Apesar de eu mesma ter feito um grande livro de 500 folhas, acredito que um fichário seja a melhor forma para organizar um livro das sombras. Você pode colocar divisórias para cada assunto, o que torna tudo realmente mais fácil, limpo, bonito e organizado. Os tradicionalistas podem achar esta prática uma aberração, mas eu simplesmente dou risadas… Aposto que se antigamente eles tivessem a possibilidade de usar um fichário, certamente o usariam – pelo menos os bruxos e bruxas mais organizados. Sobre essa questão do que é certo e do que é errado, pra começar, tudo é muito relativo. O seu livro das sombras ser um caderno ou um fichário não altera em nada sua religiosidade ou a forma como você sente a sua religião. Assim, toda discussão sobre o que pode ser certo ou errado com relação a esse tipo de coisa não passa de picuinha.

Uma boa forma de dividir seu fichário é do macrocosmo para o microcosmo. Separe três grandes seções:

Teoria / Prática / Diário

Na parte teórica, você irá colocar informações gerais. Tudo o que quiser, que seja relacionado à religião. Na parte prática, exercícios, meditações, feitiços, rituais. Na parte do diário, suas anotações pessoais, o que inclui sensações em determinados rituais e sentimentos no geral, relacionados à sua vivência na Arte.

Na parte teórica, você pode dividir como quiser. Divida por assuntos: história da Arte, mitologia, divindades, instrumentos, sabás e o que mais quiser. Na parte prática, divida por exercícios, rituais, feitiços, receitas… A parte do diário pode ser divididade entre diário de sonhos, diário menstrual e assim por diante… Escolha você mesmo(a) as divisões. É divertido! Isso fará com que você tenha todas as informações organizadas em um só lugar.

A capa

Faça uma capa legal. Se preferir deixá-la de uma só cor, pode deixar. Mais uma vez: a escolha é sua. O meu livro das sombras tem uma capa de veludo preta e um pentagrama prateado pintado à mão. Já tive um livro das sombras com a capa verde (simbolizando a Natureza) e um círculo em outro tom de verde, representando a natureza cíclica da vida. Já vi livros maravilhosos pela Internet, com triskles e outros símbolos mágicos. Você pode fazer a capa de madeira, papel, papelão, qualquer material. Procure utilizar materiais naturais – afinal, nossa religião fala do resgate à conexão natural. Qualquer que seja seu livro (caderno, livro, fichário), você pode encapá-lo de forma diferente e original. Desenhe símbolos na capa, ou recorte e cole com outro material. Utilize estes recursos para deixá-lo com a sua identidade.

Dicas gerais

– Se você for utilizar um fichário, compre um pacote com 500 folhas e fure-as, colocando-as no fichário. Escolha se você prefere com ou sem pauta, papel reciclado ou não. Nas grandes papelarias os pacotes grandes de papel são encontrados mais em conta.

– Se não tiver certeza do símbolo que irá colocar na capa, mas está certa(o) de que quer colocar um, utilize o símbolo do seu signo solar.

– Escolha fontes que considere bonitas em seu computador e imprima uma página com todo o alfabeto escrito. Então, copie-as para fazer os títulos em seu lviro das sombras. Você pode utilizar papel de seda (ou vegetal) ou simplesmente copiar à mão livre. O resultado é bem bonito.

– Dedique alguns minutos do seu dia ao seu livro das sombras. Por mais atividades que você tenha, sua religião deve ser uma das prioridades, não é verdade? Não o deixe largado lá, em um canto, para utilizar só de vez em quando.

– Pense no tipo de livro das sombras que você quer para você. Ter em mente o que lhe inspira é a maneira mais fácil de conseguir montar um livro das sombras correto.

Tetragramaton

Para que compreendamos o que significa o Tetragrammaton é necessário, antes de tudo, definir acrônimo. A palavra acrônimo tem origem no grego (akron = extremidade + onymo = nome) e significa o conjunto de letras, pronunciado como uma palavra, formado a partir das letras iniciais (ou de sílabas) de palavras sucessivas que constituem uma denominação. Por exemplo, a sigla NASA (National Aeronautics and Space Administration) é um acrônimo.

Dessa forma, a palavra Tetragrama tem origem no grego (tetra = quatro + gramma = letra) e significa a expressão escrita, constituída de quatro letras ou sinais gráficos, destinada a representar uma palavra, acrônimo, abreviatura, sigla ou a pauta musical de quatro linhas do canto-chão.

Acredita-se que o Tetragrama hebraico designa o nome pessoal do “Deus de Israel”, como foi originalmente escrito e encontrado na Torah, o primeiro livro do Pentateuco. Este tetragrama varia como YHWH, JHVH, JHWH e YHVH. Em algumas obras, especialmente no Antigo Testamento escrito em sua maioria em hebraico com partes em aramaico, o Tetragrama surge mais de 6 mil vezes (de forma isolada ou em conjunção com outro nome divino).

O impronunciável nome de Deus

A tradição esotérica dos judeus, a cabala, considera o nome de Deus sagrado e impronunciável. Possivelmente, a origem deste conceito está no terceiro Mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”. (Êxodo – Capítulo XX – Versículo VII). Assim, um grupo de sábios judeus, conhecidos como Massoretas, incorporou “acentos” que funcionavam como vogais e viabilizavam a pronúncia do tetragrama, resultando na palavra Adonai (Senhor), que passou a ser utilizada para pronunciá-lo. Os nomes Jeová, Iehovah, Javé, Iavé, ou ainda Yahweh, são adaptações para a língua portuguesa da palavra Adonai, e não do tetragrama original.

Porém, há ainda uma crença entre os judeus do início do período cristão, que a própria palavra Torah seria parte do nome divino. Há outra relação interessante encontrada nos nomes originais de Adão e Eva, Yod e Chawah, respectivamente. Uma combinação entre estes dois nomes resulta numa das variações do tetragrama, YHWH, fato que sugere uma relação entre Criador e criatura. Com o decorrer do tempo, foram adotados outros termos para se referir ao Tetragrama: “O Nome”, “O Bendito” ou “O Céu”.

O místico cristão, Jacob Boehme, utilizando-se de uma cabala gráfica (conhecida como Árvore da Vida), encontrou os 72 Nomes de Deus (publicado em 1652, no livro Oedipus Aegypticus). Sendo que todos são formados por apenas quatro letras, o que caracteriza mais uma vez o tetragrama. Seguindo este raciocínio, encontramos também Tupã (divindade dos índios brasileiros), Yang (em chinês, possui vários significados, entre eles, Deus do bem), Bara (o equivalente à Deus na seita islâmica Beahismo) e Xiva (divindade Hindu).

Tetragrammaton: Símbolo e Amuleto

Se considerarmos que as letras de um alfabeto nada mais são que sinais gráficos, o Tetragrama, em sua representação gráfica, conhecido como Tetragrammaton, é uma complexa combinação de letras do alfabeto hebraico, grego e latino, associados a diversos símbolos conhecidos no ocultismo. Nele encontra-se o pentagrama entrelaçado, símbolos zodiacais, algarismos e formas geométricas, entre outras representações.

No ocultismo, incluindo suas diversas ramificações, o Tetragrammaton desempenha uma função muito importante, sendo usado em rituais e invocações e na forma de talismãs. Os ocultistas interpretam o Tetragrammaton e outros símbolos cabalísticos nele contidos, como poderosos signos mágicos, capazes de potencializarem rituais abrindo as portas da consciência humana.

Acompanhe a descrição de alguns elementos do Tetragrammaton:

Pentagrama

O pentagrama assume diversos significados de acordo com o contexto em que é encontrado. Neste caso, é a base do Tetragrammaton. Assim, podemos interpretá-lo como símbolo do “Homem Realizado”. Isto é, uma representação da entidade humana evoluída em todos os estágios espirituais.

Os olhos do Pai – Júpiter

No ângulo superior do Pentagrama, encontramos “Os olhos do Pai” e a representação do planeta Júpiter. Uma alusão aos olhos do Criador, o espírito, o poder que coordena tudo e todos.


Marte

Nos “braços” do Tetragrammaton encontra-se o símbolo astrológico e zodiacal do planeta Marte, representando a Força, ou a Energia pura da criação.

Saturno

Nos ângulos inferiores está a representação astrológica e zodiacal do planeta Saturno. É um dos principais símbolos usados na Magia, representando os mestres que anularam o próprio ego e as falhas inerentes ao ser humano, atingindo assim, a perfeição.


Sol e Lua

Posicionados nas linhas verticais do Pentagrama, próximos ao centro da figura, o Sol e a Lua fazem referência aos pólos femininos e masculinos da criação, contidos em todos os organismos, incluindo o Microcosmos e o Macrocosmos.

Mercúrio e Vênus

Estes símbolos são amplamente encontrados na literatura alquímica e são representações astrológicas e zodiacais destes planetas. Localizados sobrepostos no centro da figura, referem-se à união dos pólos de onde surgirá o Caduceu de Mercúrio.


Caduceu de Mercúrio

O Caduceu de Mercúrio é o símbolo alquímico da transmutação. Associado aos símbolos superiores de Mercúrio e Vênus, refere-se à criatura, ou seja, o resultado da união entre os pólos feminino e masculino, entre as forças lunares e solares, e o ponto de equilíbrio entre eles. Por estar localizado no centro da figura, também pode ser interpretado como a “coluna vertebral”, ou, Kundalini, responsável pela união da energia sexual entre as polaridades.

Jehova

Esta inscrição hebraica é um tetragrama pronunciado Jehova (lê-se da direita para a esquerda), sendo mais uma das várias alusões ao “Nome de Deus”.

Alfa e Omega

Alfa e Omega são, respectivamente, a primeira e última letra do alfabeto grego. Esta é uma referência ao princípio e fim de todas as coisas. Alfa está abaixo dos “Olhos do Pai”. Omega encontra-se invertido, na base do Caduceu de Mercúrio. Isto pode significar o caldeirão utilizado pelos alquimistas, ou ainda, o caldeirão (útero) da Deusa, para alguns ocultistas.

Binário

Localizados fora do pentagrama, os números 1 e 2 são referências à bipolaridade; isto é, uma representação de que todas as coisas possuem dois lados. Seguindo este conceito, podemos também compreendê-los como outra manifestação dos pólos masculino e feminino, início e fim, bem e mal, entre outros.

Logos

Logos é uma palavra grega que significa razão, mas também é interpretada como “fonte de idéias” e “verbo divino”. Associado ao Tetragrammaton, os números 1, 2 e 3 representam respectivamente o Pai, a Mãe e o Filho. Também pode ser interpretado como a Tríade do Cristianismo (Pai, Filho e Espírito Santo) ou como o triângulo, amplamente encontrado nas tradições esotéricas.

Cálice

O cálice significa o pólo feminino da criação. Na alquimia é utilizado para representar o elemento Água.

Espada Flamejante

A “espada de fogo”, dentro do contexto alquímico, representa o próprio elemento fogo. Porém, associado ao Tetragrammaton, assume o papel do pólo masculino e do pênis, símbolo de fertilidade entre as antigas tradições.

Báculo

Báculo é o bastão comumente usado por Magos. Está dividido em sete escalas representando os estágios de evolução. Na alquimia está relacionado ao elemento Terra.

Hexágono do Mago

O hexágono do Mago representa o domínio do espírito sobre a matéria. Na alquimia está relacionado ao elemento Ar.

Não é possível definir apenas uma relação entre os vários símbolos que compõem o Tetragrammaton e tampouco uma finalidade específica desse conjunto. Seus sinais transitam entre correntes tão distantes que a interpretação, em certos casos, chega a ser paradoxal.

Se observarmos estas combinações simbólicas através do ângulo alquímico, teremos um determinado resultado. Porém, se analisado através dos conceitos astrológicos, por exemplo, a conclusão poderá ser totalmente distinta. Assim, a atenção e perspicácia do observador tornam-se fundamentais para decifrar o Tetragrammaton, um dos mais antigos e poderosos símbolos da espiritualidade humana.

WCT