Tuatha Dé Dannan

Primeira Parte – Origem Mitológica do Povo Celta Irlandês

Diz as lendas, que os Tuatha Dé Danaan[1] chegaram à Irlanda vindos em uma nuvem mágica, provenientes das quatro cidades de Falias, Gorias, Finias e Murias. Nestes lugares aprenderam as grandes ciências e estudaram os grandes ofícios com seus sábios. Cada cidade destas tinha um sábio como seu rei, e dessas cidades os Tuatha Dé Danaan levaram quatro dons mágicos para a Irlanda. De Falias levaram uma pedra chamada Lia Fáil (pois esta era a Pedra do Destino), sobre a qual os Primeiros Reis da Irlanda assentaram-se.

A Lia Fáil mostraria sua aprovação com um estrondo, se o monarca certo fosse eleito para sua coroa. Era profetizado que onde aquela pedra estivesse um monarca reinaria. De Gorias veio a Cliamh Solais (pois esta era a Espada da Luz). De Finias veio à lança mágica e, de Murias, o Grande Caldeirão que poderia alimentar um exército e ainda continuar cheio.

Chegaram primeiramente a Connaught ocidental, onde os Firbolg os descobriram em um acampamento fortificado. Irritado com os intrusos, o povo Firbolg mandou um guerreiro chamado Sreng para conversar com eles. Os Tuatha Dé Danaan enviaram Bres para encontrar-se com Sreng. Os dois homens encontraram-se e examinaram-se com cuidado.

O Tuatha Dé Danaan tinha lanças que eram claras e afiadas, enquanto aquelas do Firbolg eram pesadas e sem corte. Bres propôs que a Irlanda fosse dividida igualmente entre os dois povos e para dar forma à aliança, defenderiam a terra de qualquer outro povo que tentasse se estabelecer ali. Finalmente trocaram armas e retornaram aos seus acampamentos.

Roda  Celta

O Firbolg, entretanto não aceitou a oferta do Tuatha Dé Danaan. Na planície de Moytura, eles combateram. Nuada conduziu às forças dos Tuatha Dé Danaan, e o rei dos Firbolg, chamado Eochy MacErc, conduzido seus guerreiros. Durante a batalha, Nuada[2] foi golpeado pela espada de um soldado inimigo e seu braço foi separado do seu corpo. Bres foi morto. Os Tuatha Dé Danaan ganharam a batalha, e Eochy MacErc também morreu.

Após a batalha, aos Firbolg foi dada a província de Connaught, e os Tuatha Dé Danaan espalharam-se pelo resto da Irlanda. Nuada seria então rei dos Danaans, mas seu corpo imperfeito não permitiu que obtivesse o título, então outro homem chamado Bres[3] foi escolhido para ser o rei. Sua mãe era Eri, mas seu pai, desconhecido.

Ainda que Bres fosse um homem forte e bonito, era um rei fraco, pois permitiu que os Fomors retomassem o poder na Irlanda. Cobravam altos impostos e não mostrava nenhum respeito por bardos e poetas – características indispensáveis a qualquer rei da Irlanda.

Um dia, um poeta de nome Corpry foi até a corte de Bres. Foi levado a uma cela escura e pequena, sem nenhum calor ou conforto. A ele foi servido bolo seco, e não foi dada nenhuma bebida. Poetas possuíam poderes mágicos naquele tempo, e podiam amaldiçoar com suas palavras, e Corpry amaldiçoou a Bres com estas:

“Sem comida a ser servida, sem o leite com o qual a criança pode crescer, sem o teto sob o qual estar na noite escura, sem os meios para entreter uma companhia barda, – que estas sejam as condições de Bres.”

Estas palavras foram repetidas com prazer pelo povo da Irlanda, e Bres foi obrigado a abandonar a coroa. Neste tempo, com a mágica de Diancecht[4], Nuada substituiu seu velho braço por um de prata e, desde este dia, ficou conhecido como Nuada do Braço de Prata. Foi então permitido que ele fosse rei no lugar Bres.

Bres caiu em profundo ódio por sua mãe, Eri, a quem implorou por saber sua linhagem. Ela revelou que seu pai era Elatha, um Rei dos Fomors, que veio até ela numa noite, e na sua partida deu-lhe um anel. Elatha disse a Eri que não desse aquele anel a ninguém, mas ao homem em cujo dedo ele caberia. Então, ela colocou o anel no dedo de Bres, e ambos rumaram para o Palácio de Rei Fomor.

Elatha reconheceu seu anel, e deu a Bres um exército, com o qual deveria retomar seu reino na Irlanda. Disse ainda que ele devesse procurar a ajuda de outro Rei Fomor, chamado Balor[5]. Este era chamado de Balor do Olho da Maldade, pois poderia matar qualquer homem a quem olhasse com raiva.

Já era um homem velho e sua pálpebra pesava tanto sobre seu olho que eram necessários homens com cordas e polias a fim de levantá-la, para que ele pudesse matar seus inimigos[6]. Contra a tirania de Balor, os Tuatha Dé Danaan continuavam a lutar, mesmo sobre a liderança de Nuada, e esperavam por um salvador.

Balor ouviu uma Profecia Druídica, na qual ele foi advertido que seria morto por seu neto. Sua única filha era Ethlinn, e para evitar tal destino, aprisionou-a numa imensa torre em Tor Mór, na Ilha de Tory. Doze mulheres a vigiavam e tinham ordens de não permitir que ela jamais olhasse para o rosto de um homem, e neste local, Eithlinn tornou-se uma bela e jovem mulher.

Enquanto isso, na principal ilha da Irlanda, vivia três irmãos – Kian, Sawan e Goban [7]. Kian possuía uma vaca mágica, cujo leite era tão abundante que todos tinham inveja dele e desejavam sua vaca, e Balor era uma dessas pessoas.

Um dia, Kian e Sawan chegaram à casa de Goban, para que novas armas fossem forjadas. Kian dirigiu-se à forja, deixando Sawan guardando a vaca. Mas Balor apareceu, sob a forma de um pequeno garoto de cabelos vermelhos, dizendo a Sawan dizendo ter ouvido o irmão dizer que usaria o melhor aço para sua própria arma, deixando o metal comum para Sawan. Enraivecido, Sawan correu para dentro da casa, e Balor fugiu com a vaca, levando-a para a Ilha de Tory.

Kian, perturbado por sua perda, fez uma visita à grande Druidisa de nome Biróg, que o enviou à Ilha de Tory vestido em roupas de mulher. As guardiãs de Eithlinn pensaram ser as duas serem nobres que tinham chegado à costa fugindo de um abdutor, e ofereceram a elas abrigo. Enquanto Biróg fazia as guardiãs dormirem com um feitiço, Kian ganhou acesso à Princesa Eithlinn, e ela deu a ele seu amor. Logo, as guardiãs descobriram que ela estava com uma criança.

Temendo a fúria de Balor, elas convenceram Eithlinn que tudo não passava de um sonho, mas no devido tempo, Eithlinn era mãe de três filhos, e a notícia chegou a Balor. Enfurecido, ordenou que os três fossem afogados num dos redemoinhos da ilha. No caminho para cumprir suas ordens, um dos homens de Balor carregava os três infantes envoltos numa manta, mas no caminho uma das crianças caiu numa pequena baía.

As outras duas foram realmente afogadas, e o homem de Balor disse então ter cumprido devidamente seu trabalho. A criança que caiu na baía foi resgatada por Biróg, que a devolveu ao seu pai, Kian. Este a deu a seu irmão Goban, que ensinou ao garoto sua profissão. O nome da criança era Lugh. [8]

Muitos anos mais tarde, alguém veio bater na porta do Palácio Real de Tara. Um porteiro perguntou a ele o que podia oferecer ao Rei Nuada. “Eu sou um carpinteiro”, disse Lugh. “Nós não precisamos de um carpinteiro em Luchta, filho de Luchad”, respondeu. “Eu sou um ferreiro também”, foi a resposta. “E sou um guerreiro”, disse Lugh por fim. “Não precisamos de um”, disse o porteiro, “já temos o melhor guerreiro – Ogma”[9]. “ Lugh então disse a ele que era um poeta, um bardo, um homem das ciências e um médico; mas a cada vez era dito que um já residia no castelo”. “Então”, disse Lugh, “perguntei ao Rei se ele necessita dos serviços de um homem que pode fazer todas estas coisas com perfeição, se não, irei embora agora mesmo”. Após isto, a porta foi aberta e o porteiro recebeu a Lugh, e ele foi chamado de Lugh Ildánach, pois ele era o homem de todos os dons.

Lugh trouxe com ele muitos presentes mágicos. Trouxe o barco de Manannán[10], que poderia ler o pensamento de um homem e levá-lo para onde quisesse. Trouxe o Cavalo de Manannán, que podia viajar sobre terra e mar. Trouxe ainda a espada chamada Na Fragarach, aquela que poderia cortar qualquer armadura.

Com estas coisas, Lugh chegou à conferência onde os chefes Dé Danaan deveriam prestar homenagem aos opressores Fomors, e os Danaans sentiram como se o Sol da Primavera surgisse na escuridão de inverno, e ao invés de prestarem homenagens, atacaram os Fomors, e todos eles foram mortos, exceto nove, que retornaram para dizer a Balor sobre o desafio dos Danaans. Balor preparou-se para a batalha e instruiu seus guerreiros que vencessem os Dannans.

Lugh também se preparou para a batalha, mas precisava de mais alguns objetos mágicos para assegurar a vitória. Kian foi mandado a Ulster para invocar os guerreiros Ultons. No caminho, cruzou as planícies de Murthemney, onde conheceu três irmãos, Brian, Iuchar e Iucharba. Eram todos os filhos de Turenn, que odiava Kian, pois suas famílias estavam em guerra. Kian transformou-se num porco, e juntou-se a vários outros que se encontravam na planície. No entanto, os irmãos o descobriram, e Brian feriu-o com uma vara. Kian, sabendo que seu fim estava próximo, suplicou aos irmãos que permitissem que ele voltasse a sua forma humana, para morrer como um homem.

Brian, o mais velho, concordou. Estando em frente aos irmãos como um homem, Kian disse, “Eu retiro de vós o espírito! Pois se vós matardes um porco, devereis pagar o sangue de um porco, mas se matardes vós a um homem, devereis pagar o sangue de um homem. As armas com as quais serei morto contarão esta lenda àquele que deverá vingar-me”. “Então não deveremos matá-lo com armas”, disse Brian, e apedrejaram-no à morte e enterraram seu corpo.

Mas logo depois, quando Lugh passava, as pedras gritaram e contaram-no a história da morte de seu pai nas mãos assassinas dos filhos de Turenn. Lugh descobriu o corpo de seu pai, e levou-o a Tara, onde contou o caso a Nuada, que permitiu que os filhos de Turenn fossem executados, ou então que Lugh escolhesse receber um pagamento. Lugh então pediu: três maçãs, a pele de um porco, uma lança, uma carruagem com dois cavalos, sete suínos, um espeto para cozinhar e, finalmente, para darem três gritos de uma colina.

Quando os filhos de Turenn sentiram algum alívio, Lugh declarou que as três maçãs seriam aquelas que crescem no Jardim do Sol; a pele do porco seria a pele mágica que cura qualquer ferida e doença se esta for colocada sobre o corpo daquele que sofre e que pertencia ao Rei da Grécia; a lança seria a lança mágica do Rei da Pérsia; os sete suínos pertenciam ao Rei Asal dos Pilares Dourados, e poderiam ser mortos e comidos todas as noites e serem encontrados inteiros no dia seguinte; o espeto pertencia a ninfa dos mares da Ilha submersa de Finchory; e os três gritos deveriam ser dados na colina de um furioso guerreiro, Mochaen, que junto com seus filhos, estava jurado a não permitir que nenhum homem elevasse sua voz sobre a colina. Para se livrarem da pena de morte, os filhos de Turenn deveriam cumprir todas as tarefas.

Eles haviam cumprindo todas as tarefas, exceto por pegar o espeto da ninfa e por dar os três gritos, quando Lugh enfeitiçou-os para que esquecessem as tarefas restantes e retornassem à Irlanda com seus prêmios. Após receber os presentes, Lugh lembrou os três irmãos das tarefas restantes.

Deprimidos, foram eles completá-las. Brian, numa roupa mágica feita de água, dirigiu-se para a Ilha submersa de Finchory, e roubou o espeto dourado das ninfas. Finalmente, eles deveriam dar os gritos na colina protegida pelos guerreiros. Após uma grande batalha contra os protetores do silêncio da Colina de Machaen, os três irmãos, caídos fatalmente feridos, elevaram as vozes e sua dívida foi paga. Eles voltaram à Irlanda, onde seu pai Turenn suplicou que Lugh usasse a pele mágica para curá-los; mas ele se recusou, e os irmãos morreram.

Agora, Lugh estava preparado para a Batalha contra os Fomors. A batalha voltou a acontecer em Moytura onde uma vez os Tuatha Dé Danaan derrotaram os Firbolg. Goba, O Ferreiro, Crédne[11], e Luchta, O Carpinteiro, reparavam as armas dos Danaans com uma rapidez mágica. Não foram necessários mais do que três batidas de martelo para que Goban fizesse de uma espada uma lança, enquanto Luchta fazia os punhos onde elas seriam imediatamente encaixadas, e Luchta arremessava os punhos tão rapidamente, que estes voavam para seus lugares. Todos os homens feridos eram instantaneamente curados pela pele mágica.

“Amedrontador era o trovão que caia sobre o campo de batalha; o grito dos guerreiros, a quebra de armaduras, o brilho do choque de espadas; de força; a música e harmonia dos dardos e o canto das lanças.”

Os Fomors trouxeram seu campeão Balor, e ante seu Olho da Maldade, Nuada e muitos outros Danaans caíram. Mas sua pálpebra não cairia com facilidade, e vendo esta oportunidade, Lugh aproximou-se de Balor, e quando a pálpebra começou a levantar-se, ele lançou uma enorme pedra em seu olho, que penetrou no cérebro de Balor, matando-o. A profecia havia se cumprido, e Balor tinha sido morto pelo seu neto. Os Fomors foram expulsos, perdendo seu poder sobre a Irlanda para sempre e Lugh foi feito rei após a morte de Nuada.

Os Fomors fugitivos capturaram a harpa de Dagda. Dagda, Ogma e Lugh perseguiram os fomors até um grande salão de banquete. Dagda chamou sua harpa cantando:

“Venha, ó doce murmúrio! Venham quatro ângulos da harmonia, venha, Verão, venha Inverno, das cordas da harpa e sacos e flautas.”

Imediatamente a harpa voou para suas mãos, matando nove Fomors que estavam em seu caminho. Então Dagda tocou três nobres acordes em sua harpa, que todos os grandes harpistas sabiam tocar – O Acorde do Lamento, que fez seus ouvintes chorarem; O Acorde do Riso, que fez com que estes rissem e festejassem; e O Acorde do Sonho, que fez a todos dormirem. Desta forma, os três Danaans escaparam dos Fomors.

Segunda Parte – Os Filhos de Danu

As deidades celtas eram tribais por natureza e cada tribo deveria ter seu próprio nome para cada Deus ou Deusa particular. Isto conta para a grande diversidade de nomes que encontramos na Mitologia Celta. Nas lendas dos Tuatha Dé Danaan aprendemos que estes eram divindades de sabedoria, dons mágicos, artes e profissões manuais. As três coisas que eles reverenciavam acima de tudo eram: o arado, a aveleira e o Sol, uma vez que eram Deuses de um povo que considerava as esferas da Terra, as esferas dos Mistérios e as esferas do Espírito como sendo de igual importância.

Após serem derrotados pelos pelos Filhos de Míl, os filhos de Danu retiraram-se para as colinas subterrâneas, sob a Terra. Bodb Dearg (Bodb, O Vermelho) foi escolhido como rei, pois era o filho mais velho da Dagda. É dito que Bodb era iniciado em todos os mistérios e encantamentos. Ajudou Angus a encontrar a donzela de seus sonhos[12]. Ele ainda transformou Aoife em um ‘demônio do ar’, após ela trair o filho de Lir[13]. Ele tinha duas filhas, Scathniamh, que deu seu amor a Caoilte fe Fianna, e Sabd, a mulher-cervo que amava Fionn.

Alguns dos Deuses se opuseram ao reinado de Bodb, especialmente Midir, outro filho de Dagda. Midir, o Orgulhoso Rei Galês do Submundo, Senhor da Morte e Ressurreição. Na sua ilha mágica, que alguns dizem ser a Ilha de Man, ele mantinha três vacas mágicas e um caldeirão mágico. Ele é descrito nas lendas como um nobre príncipe de grande esplendor e beleza. Foi Midir que levou a amável Etaine para o Outro Mundo.

Os filhos de Danu são conhecidos como “Os Que Sempre Vivem”, pois conhecem o segredo da imortalidade. Eles possuem o Banquete da Idade, assim, ninguém envelhece, pois são sustentados pelos porcos mágicos de Manannán e a cerveja de Goban, O Ferreiro. A arte do ferreiro é tida com muita estima pelos Deuses. As armas feitas da forja divina de Goban nunca perdem seu fio. Goban sobrevive nas lendas irlandesas como “Goban Saor” o arquiteto lendário e construtor de pontes da Irlanda.

Os filhos de Danu ainda possuem um médico muito especial, Diancecht. Ele era o guardião da fonte da saúde, juntamente com sua filha Diarmaid. Qualquer um que fosse morto ou ferido deveria ser colocado na fonte para viver e estar bem novamente. Foi Miach, filho de Diancecht, que fez um braço de prata para Nuada, mas Diancecht em seu ciúme matou-o. Diarmaid plantou 365 ervas em sua horta e arranjou todas conforme suas propriedades, mas Diancecht tirou todas de sua ordem. Podemos ver que apesar de ser o Deus da Medicina, Diancecht tinha aspectos destrutivos. Existem horas em que a destruição é necessária para a preservação da vida.

Diancecht uma vez salvou a Irlanda; isto aconteceu desta forma: Morrigan deu a luz a uma criança tão terrível que Diancecht advertiu que ela deveria ser destruída. Dentro de seu coração encontraram três serpentes que, se tivessem sido deixadas vivas, destruiriam a Irlanda. Ele então, queimou as serpentes e depositou suas cinzas no rio mais próximo, que ferveu até secar.

Diancecht tinha outro filho, Kian, que foi pai de Lugh Lamhfada. Kian tinha uma vaca mágica que o Rei Deus Fomor, Balor, roubou. Determinado a vingar-se, Kian ouviu o conselho da Druidisa Biróg, que he disse sobre a profecia, onde Balor deveria ser morto por seu neto. Por esta razão Balor mantinha sua filha, Ethlinn presa numa torre. Com a ajuda de Biróg, Kian ganhou acesso à torre, e a bela Tthlinn deu a ele seu amor. Deu a ele um filho, Lugh, que foi dado à adoção para a Rainha Tailltu.

Dois grandes rios da Irlanda, o Boyne e o Shannon, têm esses nomes graças a duas Deusas, Boann e Sinend. Bonnan é a Deusa da Fertilidade, cujo totem sagrado é a vaca. Ela era esposa de Nechtan, uma deidade da água, no entanto, o pai de seu filho Aengus não era nenhum além de Dagda. Para esconder sua união de Nechtan, Bonann e Dagda fizeram o Sol parar por nove meses, de forma que Aengus foi concebido e nascido no mesmo dia.

As águas do poço subiram a afogaram-na, e então o rio Shannon nasceu. O que nos é mostrado aqui é que não é sábio procurar o saber para satisfazer a mera curiosidade, ou alimentar o ego, pois tal conhecimento sobrepujará aquele que não está preparado. Procurando de forma diferente, no então, Shinend foi aceita pelo guardião do poço, mas foi obrigada a sacrificar seu ego e identidade para o bem de algo maior.

Outra Deusa celta fortemente associada com a água é Cliodna (Cleena) dos cabelos de fogo, a mãe de Manannán. A onda de Cliodna é uma dos três grandes tipos de ondas que ocorrem na Irlanda. Ela deixou os domínios de Manannán uma vez, acompanhada por seu amante, Ciabhan (Keevan), mas Manannán chamou por uma grande onde que a trouxe de volta à terra das fadas. Ela continua a ser lembrada como uma Grande e Justa Rainha dos sidhe.

Há ainda muitas outras Deusas associadas com o reinado da Irlanda. Na época da chegada dos galeses, a Deusa tríplice da terra era representada por três grandes divindades regentes, conhecidas como Eriu, Banda e Fodhla. Essas rainhas tinham dado seus nomes à Irlanda alguma vez. Eriu, o nome moderno da Irlanda, Eire. É interessante notar que essa Deusa apareceria em um momento como uma bela rainha, e na forma de um corvo, uma vez que ela não é ninguém além de Morrigan, a Deusa Irlandesa mais antiga de todas.

É um dos objetivos da sociedade, promover uma maior consciência das tradições nativas, que por tanto tempo têm sido ignoradas por muitos. Nossos mitos continuam a ser encontrados nas florestas e em nossas terras por buscadores sinceros. Esperamos que você possa ser capaz de encontrar um caminho para estar mais perto d’Aqueles Que Vivem Para Sempre.

Glossário do texto:

[1] Tuatha Dé Dannan – Filhos de Danu, Deusa que deu origem a tudo. Identificada com a cor verde da vegetação.

[2] Irlandês. Rei dos Tuatha Dé Dannan; perdeu a mão na primeira batalha de Mag Tuireadh (Moytura) e, assim, precisou abdicar do trono porque os reis celtas tinham que ser absolutamente perfeitos; no entanto, Miach e a irmã Airmid fizeram uma mão de prata para ele, que recuperou o trono e passou a ser conhecido como Argetlamh, ou Mão de Prata.

[3] Irlandês. Filho de pai fomor e mãe Tuatha Dé Dannan; casou-se com Brighid (Brighd), filha de Dagda (O Bom Deus), devido a uma aliança entre dinastias. Tornou-se rei dos Tuatha, mas não tinha a generosidade necessária e perdeu o título quando foi satirizado pelo bardo Cairbre e ficou com o rosto cheio de bolhas. Isso levou a uma nova guerra entre os fomors e os Tuatha e à conseqüente vitória destes na Segunda Batalha de Magh Tuireadh (Moytura).

[4] Irlandês. Deus praticante de curas dos Tuatha Dé Dannan. Tinha um filho (Miach) e uma filha (Airmid), que fizeram “A Mão de Prata”, substituindo a que Nuada tinha perdido na Primeira Batalha de Maigh Tuireadh (Moytura).

[5] Irlandês. O Velho Deus que aparece nas lendas como rei dos fomors. Esposo de Dana ou Ceithlenn; pai de Eithne, portanto, avô de Lugh, o jovem Deus brilhante que o suplantou. Possuía um olhar mortal; nas lutas, havia a necessidade de quatro homens para levantar a pálpebra de Balor. Na Segunda Batalha de Magh Tuireadh (Moytura), Lugh matou Balor utilizando-se de uma funda para atirar uma pedra naquele enorme olho. O equivalente galês é Beli.

[6] Possuía dois olhos; parece que Balor possuía apenas um.

[7] Irlandês. Ferreiro dos Tuatha Dé Dannan; com Credne e Luchtain, fez as armas que os Tuatha usaram para derrotar os fomors. Tio de Lugh. Equivalente e Gavida e Govannon.

[8] Irlandês. Filho de Cian (Kian) dos Tuatha Dé Dannan e de Eithne (também Etaine), filha de Balor (rei dos fomors). Comandou as forças dos Tuatha na vitoriosa Segunda Batalha de Mag Tuireadh (Moytura) contra os fomors, na qual matou o avô Balor. É a figura extraordinária do Deus jovem Irlandês que suplanta o Deus Velho; está muito associado à habilidade e à técnica; é conhecido como Lugh Samhioldanach (de muitas artes) e Lugh Lámhfhada (de mão comprida). Raiz da palavra gaélica que significa Agosto, isto é, Lughnasadh (festa de Lugh). Corresponde ao Lleu Llaw Gyffes galês.

[9] Oghma Grianaineach (Aquele que tem o semblante do Sol), Deus da sabedoria dos irlandeses Gaélicos, um dos Tuatha Dé Dannan e filho de Dagda, inventou a escrita ogâmica. Essa escrita apareceu por volta do século IV d.C. Oghma não era nenhum erudito enclausurado, traço característico de uma sociedade guerreira para a qual a ousadia e a agilidade de pensamento nos assuntos de guerra eram de máxima importância. Oghma também era vencedor de batalhas, como seu equivalente galês Ógmios.

[10] Manannán Mac Lir: irlandês. Deus do mar, deu nome à ilha de Man, onde é cultuado. Filho de Llyr. Tinha um barco autopropulsor que se chamava “Varredor de Ondas”, assim como um cavalo chamado “Crista Esplêndida”. Abandonou a esposa Fand, Deusa da cura e do prazer, mas depois voltou para ela. Possuía um caldeirão mágico que lhe foi roubado por Cuchulain. O equivalente galês é Manawyddan.

[11] Irlandês. Herói dos Tuatha Dé Dannan que trabalhava com bronze; com o ferreiro Goibnu e o entalhador Luchtaine, fez as armas com que os Tuatha derrotaram os fomors.

[12] Aengus Mac Óg, irlandês. Jovem Deus do amor, filho de Dagda e de Boann, Deusa do Rio Boyne, “Mac Óg” significa “filho da virgem”, no antigo sentido de Deusa ou mulher livre cuja posição depende de si mesma, e não de um simples consorte. Com um estratagema, Aengus conseguiu que o pai lhe desse Brugh na Boinne (Newgrange). Muitas vezes Aengus ajudou Diarmaid e Gráinne a fugirem da vingança de Fionn Mac Cumhal. Raptou Etain, mulher de Midir. Aengus Óg conheceu uma mulher de sonhos na Terra das Fadas. Durante um ano ela apareceu em seus sonhos tocando um instrumento de cordas mágico que o fazia cair no mais profundo dos sonhos. Querendo encontrar sua fada durante o dia, ele ficou doente de paixão, sem saber aonde ela ia ao amanhecer. Por fim, soube que, uma vez a cada dois anos, sua amada adquiria a forma de um cisne branco, num determinado lago. No dia 31 de outubro, dia consagrado à Samhain, ele dirigiu-se até o lago e chamou a sua amada, prometendo ficar com ela. Ela se aproximou e imediatamente o Deus foi transformado num cisne.

[13] Llyr, galês, irlandês. É o original do Rei Lear de Shakespeare. Era pai de Creiddylad, formosa galesa disputada por dois rivais, que tinham de lutar todos os dias primeiro de maio, e que corresponde a Cordélia, a única que não se curvava diante da vontade do pai e acabou se casando com o homem que ela mesma escolheu. Na mitologia galesa, Llyr primeiro é esposo de Penardun, depois de Iweridd, filha de Dôn. Para conhecer a história da outra filha de Llyr (Branwen), veja Bran. Llyr era pai de Bran e Manannán Mac Lir. Na mitologia Irlandesa, era rei dos Tuatha Dé Dannan; primeiro esposo de Aebh, com quem teve a filha Fionuala e três filhos (Hugh, Ficha e Conn). Depois Aebh morreu. Llyr desposou Aoife, que por uma questão de ciúmes transformou os quatro filhos dele em cisnes. Sob esta forma os filhos de Llyr voaram pela Irlanda durante 900 anos, até que o eremita Mochavog os batizou; eles se transformaram em seres humanos envelhecidos e morreram. Bran: Galês da Ilha de Man. Filho de Llyr e Iweridd; irmão de Branwen, que foi maltratada pelo esposo Matholwch, rei da Irlanda. Para vingá-la, Bran saiu com um exército da Britânia, que venceu os irlandeses, mas foi ferido mortalmente. Branwen e os amigos levaram a cabeça de Bran para Harlech, onde ficou durante sete anos, continuando a falar com eles; depois a levaram para Gwales (Grassholm), que ficava em Penvro (Pembrokeshire), onde ficou 80 anos; finalmente levaram-na para Londres, onde foi enterrada em White Hill; não se sabe se na Torre da Colina ou onde hoje se localiza a Catedral de Saint Paul. Bran é conhecido como Bendigeidfran ou “Abençoado Bran”.

Que assim seja!

Fonte:

Sociedade Irlandesa de Estudos Celtas
Primeira parte – Manuscrito – Biblioteca da Universidade de Dublin
Segunda Parte – Sociedade Irlandesa de Estudos Celtas
Créditos – Paty Witch Maeve.

Enigma

Em que lado da força você está? Já se cansou de ouvir falar sobre “luz e trevas”. Esses conceitos acabam por se tornar obscuros, e muitas vezes confusos. Essa confusão é proposital, para milhões de pessoas que acham que estão fazendo o “certo” na verdade estão no mais profundo engano e outros que se decidem fazer o “errado” está no mesmo time acreditando que está do lado oposto. Isso torna tudo mais confuso ainda não é? Pois bem, eu vou dar uma chave desse enigma à vocês para que saiam desse labirinto de “porquês”. Logo vocês verão tudo se esclarecer diante de vossos olhos. Existem realmente duas forças, mas vamos trocar a terminologia para que o que está escondido se mostre. Existe a força “ativa” que é à força o empuxo rumo a evolução, movimento, ação; e existe a força “passiva”, que é a força que “segura”, que “para”, que trunca a evolução.

NÃO IMPORTA SE VOCÊS DIZEM QUE ESTÃO SERVINDO UM OU OUTRO, ISSO SERÁ MEDIDO POR SEUS ATOS NO DIA A DIA. A força passiva é a força “má” por assim dizer, a força que tenta brecar a evolução do mundo a qualquer custo. O interessante é que essa força mórbida usa as mais belas palavras e artifícios para convencer os milhões de seres não-pensantes. Quase todas as pessoas são aprisionadas por essa força quando se utilizam diariamente dela para sua vida. Vou dar alguns exemplos do que falo. Atos “negros” e involutivos como o “esperar para daqui a pouco”. As pessoas sempre estão esperando algo dar certo, o governo mudar, DEUS AJUDAR, a vida melhorar, ganhar na loteria, APARECER um emprego melhor, etc. Isto é o que chamamos de passividade anímica. É triste, mas as pessoas só irão acordar e entender que SE ELAS NADA FIZEREM, NINGUÉM FARÁ POR ELAS, e quando a vida passar, tudo se acabou. A pobreza e a riqueza só dependem de nós, por incrível que pareça. Quando você começa a “movimentar energias” a vida começa a se utilizar de você para mover energias.
Como? Oportunidades aparecem. Pensem em tudo como números, se você quer que sua vida se torne (X+Y), logo você deve movimentar (X+Y) de energia para CHEGAR ATÉ O FIM ALMEJADO. Não adianta querer pular etapas. Enquanto uns fazem, lutam os outros simplesmente rezam. Quem é que chegará a algum lugar? Enquanto uns rezam, outros maldizem, e outros fazem, quem chegará a algum lugar? Uma coisa terrível que irei dizer agora, mas se refletirem verão que é puramente lógico; O BEM E O MAL TRABALHAM DO MESMO LADO. Se quiser acabar com O SEU MAL, acabe com a ignorância primeiro e mostre as pessoas com os seus atos, mostre a elas quem é SEU DEUS. Você faz sua própria sorte ou azar. Você se mantêm pobre ou enriquece. NINGUÉM FARÁ ISSO POR VOCÊ e se fizer, você pagará três vezes aquilo que com seu esforço pagaria uma única vez.
Bom, não vou me estender mais, pois isso faria com que eu tirasse o esforço de vocês e os tornaria passivos. Mas para finalizar, uma reflexão para vocês: Quem foi que truncou a evolução do nosso planeta por mais de dois mil anos? Quem é contra tudo que é evolução e tecnologia e atribui as melhores obras e invenções como “obra do diabo”? Quem é contra magia, ocultismo e a evolução plena do ser humano e também atribui tudo ao diabo? O símbolo da cruz não representa o que se vê por aí, simplesmente o salvador pendurado em uma cruz, representa sim a escolha, a ação ou estagnação? O símbolo da pureza não é uma mulher virgem ou estéril, o símbolo da pureza para nós representa uma mulher ativa, inteligente, fértil, capaz de gerar a vida no ventre, que não a obra do divino, senão pela magia da criação.
NÃO VELAI OS SEUS MAUS HÁBITOS COM BELAS PALAVRAS! Cuidado com essas palavras tão bonitas e tão usuais pelas pessoas como AMOR, PERDÃO, COMPAIXÃO, ETC. “Porque existe a pomba e a serpente”. “Existe “amor e amor”.” NÃO ESPERE, NÃO EXISTE AMANHÃ, A VIDA É UM ETERNO AGORA! Haverá sempre um propósito maior nessa nossa jornada, todo o conhecimento propagado e aplicado em vida resulta em sabedoria. A Vida é uma estrada, estamos sempre de partida para uma nova aventura. E qual será a nova aventura que o universo nos reserva? Descobrir-se em essência é descortinar os véus dos mistérios da vida e fazer cair os véus do ilusório. Quando maior Mago do Séc. XX foi posto a prova, ele teve que enfrentar suas dúvidas e incertezas que se manifestavam diante dele em forma de demônios. Essas dúvidas não clareavam sua mente para o enigma que se apresentava à sua frente sobre qual caminho deveria seguir.
E depois deveria, tal como, o Arcano do Louco decidir qual a gama de conhecimentos levaria em sua algibeira. O Senhor do Destino já havia iluminado sua mente, explicado sua missão e o perigo de sua aventura que se descortinava a sua frente. Os deuses em beneplácito ao seu Sumo Sacerdote, outrora Ank-f-na-Khonsu, atenuariam a dor de suas perdas. O mago então assumiu a sua missão, os deuses explicaram a ele o essencial sobre as forças que estariam se reunindo e o rumo que seria levado, quais as forças que estaria enfrentando para tentar restaurar o equilíbrio no planeta. Em suas evocações e oráculos, os espíritos lhe disseram coisas sobre o seu desígnio, um grande propósito. Foi-lhe explicado que quando essas grandes mudanças acontecem abre-se algo como um vórtice atemporal, esse vórtice nos levaria para um grande avanço tecnológico e espiritual, mas para que ocorresse este último, ainda deveriam ser enfrentados e vencidos; e o que deve ser feito para restaurar o equilíbrio do mundo. E a bem da verdade, o mundo evoluiu em tecnologia, mas agora deverá evoluir espiritualmente.
Imagine se puder, que está na ante-sala de um enorme templo, sentado perto da lareira, na fronteira dos Portais que nos levam para os reinos das Sephirot. Você é um mago e depois de realizar inúmeros Ritos Ancestrais, você está exausto. Você se levanta e joga mais lenha no fogo. Segurando em uma mão um cajado enorme, com um cristal brilhante na ponta, as chamas crepitando na lareira resplandecem o cristal do cajado em cores cintilantes. Agora num estado muito especial, estabelece o contato com seu Mestre Interior, e ele em tom solene diz: “Existe um lugar fora do espaço-tempo não conhecido pela maioria dos mortais. O acesso a esse local se dá unicamente àqueles que descobriram suas verdadeiras vontades. E se assim o fizeram descobriram também a sua Missão Sagrada. Tudo que está escrito, pode ser reescrito, os opostos se atraem, o desequilíbrio nada mais é que uma perturbação eletromagnética daquilo que concebe como Luz e Trevas. Hórus, o Senhor do Æón deseja falar-lhe pois Choronzon, o morador do abismo, o demônio do ego e da discórdia começou a estender seu reino de putrefação e estagnação da alma ao mundo dos vivos. As Sagradas Escrituras de todos os tempos trazem relatos sobre acontecimentos semelhantes de tempos pregressos. Cada vez que o ciclo que se abre para mudanças e evolução, arrastam junto determinadas forças contrárias, com o fito de testar e certificar que a humanidade está pronta para o próximo passo. Toda luz traz as trevas aos espaços mais extremos. Se a humanidade quer a iluminação, precisará antes estar pronta para as trevas. Agora é chegado o tempo, o incerto é agora, o cérebro necessita mais do que nunca do coração para nos conduzir aos extremos. Foi para esta missão que você nasceu na Terra neste período. Você foi guiado a este lugar exato, nesta noite específica, para este propósito. Em tempos tormentosos como este, as forças de Vida e Morte convocam seus campeões eternos. Este é o seu destino — ser o nobre Mago do Ǽon e herói de sua época — um tempo sobre o qual se cantará louvores de glória em todas as eras futuras.
Sua missão é confrontar o diabo da incerteza no seu campo de batalha, na aridez do deserto. Lá você confrontará Choronzon e restaurará a Ordem ao Caos. Se falhar, o mundo será mergulhado em uma nova era de trevas. Se forem bem-sucedidos, o fluxo de vida consciente da Terra estará livre para dar o maior salto na evolução desde que o primeiro ser humano resolveu andar ereto. Mas fique em estado de observância: Choronzon tem um poder imenso. Ele é o demônio Legião. Pazuzu, o demônio sumério, rei dos demônios do vento, filho do deus Hambi, Senhor das Febres e Pragas, Anjo Negro dos Quatro Ventos, que traz as tempestades e a estiagem, sua influência é sentida em todas as partes do mundo. Vocês não podem esperar derrotá-lo pela força das armas, pois as armas mais mortais já concebidas pertencem a ele. E ele também controla as riquezas dos impérios, arrastando escravos às multidões.
É difícil tecer-se definições sobre Choronzon, pois a natureza dele é tal que tudo o que possamos falar sobre ele é, em essência, falso. Ele é o Demônio da Confusão e Dispersão que enfrentamos na travessia do Abismo, onde se encontra Daath e que separa as 7 Sephiroth inferiores das 3 Supernas no esquema da árvore da Vida.
Chama-lo de demônio não significa que ele seja um ser propriamente dito, Choronzon carece de significado ou existência em si mesmo. Choronzon não tem um corpo próprio, sequer uma individualidade. Ele é a ausência total de forma e, ao mesmo tempo, é toda possibilidade de forma, impulsionado pela mente que lhe propicia a manifestação a partir das coisas que se encontram reprimida em nossa sombra e que, em geral, desconhecemos.
O Conhece-te a ti mesmo é essencial na vitória sobre Choronzon. Crowley nos diz que Choronzon cria as formas em voz alta: Zazas, Zazas, Nasatanada Zasas. Mas ele é muito mais um estado mental do que um ser constituído e individual. Ele provém da dispersão mental do iniciado, esta é a razão pela qual Choronzon não pode persistir, por muito tempo, em qualquer das formas que adota. Não existe continuidade ou estabilidade em Choronzon, assim como, não existem continuidade e estabilidade no estado de ausência de concentração mental ou confusão.
Não há existência no Abismo, ou seja, existem formas, mas nenhuma forma é distinta (No-thing = nenhuma coisa: nenhuma coisa distinta da outra). Ele é habitante de ZAX do Sistema Enoquiano e diz-se que ele corresponde a Satan. Por Gematria, o número de Choronzon é 333: Ch = 8, O = 6, R = 200, O = 6, N = 50, Z = 7, O = 6, N = 50. Choronzon é o demônio que enfrentamos em todos os estados em que a confusão mental nos toma e onde percebemos que o raciocínio analítico não nos é de muita ajuda, pois o surgimento de uma idéia, ou ponto de vista, imediatamente faz surgir o seu oposto e não se chega a conclusão nenhuma, pois tudo carece de real significado. Choronzon é ilusão, Maya e todas as suas conseqüências levadas a extremo no interior do iniciado.
Muitos consideram que o encontro com este demônio da dispersão só se dá em um lugar pré-determinado e dentro dos limites de um momento específico, buscado através do efeito de algum rito mágico realizado com esta intenção. Porém, sendo a mente uma manifestação natural de todo àquele que vive o encontro com Choronzon pode se dar a qualquer momento sob o influxo de qualquer fator que afete a nossa psique.
Tanto o iniciado, quanto o não-iniciado, têm que, vez por outra, enfrentar e obter a vitória sobre Choronzon. A diferença é que o iniciado sabe o que busca e está ciente, em menor ou maior grau, dos obstáculos que podem se erguer no caminho da sua auto-realização, enquanto o não-iniciado, a mais das vezes, sofre o processo de modo inconsciente. A árvore é a árvore da Vida, portanto, todo aquele que vive, está sob a influência dos estados mentais ali delimitados, seja sob o nome Sephiroth, Abismo ou qualquer outro. A presença de Choronzon se faz sentir, de modo freqüente, nas chamadas Noites Negras da Alma e representa o último grito da “carne”, do ego individual, que está prestes a perder o seu significado em favor da Consciência Divina.
É uma espécie de “pane mental”, um processo de passagem de um estado mental ou espiritual a outro. O intelecto humano em feroz luta contra a Consciência do Deus que em nós habita. Ele sempre surge quando o sofrimento assombra o iniciado. Por vezes o sofrimento se prolonga durante anos até que o iniciado consiga “abdicar” do seu ego e prosseguir em seu caminho ate Binah, “depositando” seu sangue na Taça de Babalon, e seus ossos na Cidade das Pirâmides. É dito que, na Cidade das Pirâmides, o nome do iniciado já não é mais, ou seja, o iniciado se liberta do jugo do ego, da personalidade individual.
Ele se torna o mais completo vazio de onde surge a verdade divina, ele se torna um Mestre de Templo e pode, por opção, retornar ao mundo para ajudar a humanidade a se libertar do jugo de Maya. Isto não significa que o iniciado, literalmente, mate o ego ou que este já não exista mais, jamais devemos esquecer que o ego é essencial ao processo de individuação e de manifestação no mundo de Malkuth. A morte coroada pela entrada na Gloriosa Cidade em que Babalon é Senhora e Rainha, significa apenas que, uma vez liberto do poder do ego e de seus mecanismos, o iniciado está apto a avaliar o seu eu e personalidade humanos anteriores de forma impessoal.
Ele se torna apto a perceber a ilusão provocada por um instrumento – ego – que funciona centrado basicamente na auto-afirmação e auto-defesa, gerando uma série de conflitos desnecessários. Tendo dominado dentro de si mesmo, até o ponto crítico – Choronzon -, os últimos resquícios do Desejo, da Hostilidade e da Ilusão – forças motrizes do universo manifesto -, o Mestre de Templo contemplou, refletidas como num espelho, as últimas fantasias projetadas de sua vontade física e primitiva – Choronzon. Superou a vontade de viver de acordo com os motivos comuns do desejo e da hostilidade, num ambiente ilusório de causas, fins e meios fenomênicos. Tendo o Mestre de Templo ultrapassado os delírios ou enganos – Choronzon – de seu próprio ego auto-afirmativo, auto-defensivo e voltado para si mesmo, ele conhece dentro e fora o mais pleno entendimento que lhe proporciona paz, tranqüilidade e equilíbrio. Ele observa a imagem do magnífico e mais perfeito vazio que transcende o pensamento. Pensamento, no qual, se encontram suas próprias experiências do ego em relação à forma, percepções, palavra, concepções e ao próprio conhecimento intelectual. Ele se eleva, retorna ao seu meio, e habita entre nós como um centro “desprovido de ego” de onde não emana mais o raciocínio intelectual e analítico, mas sim, o princípio do vazio de onde tudo provém, manifesto em toda a sua simplicidade através da palavra do Mestre de Templo.
Em razão disso, é que se diz que é difícil entender a palavra do Mestre de Templo, pois ela provém da simplicidade máxima, do vazio primordial de onde absolutamente tudo que conhecemos é emanado, ele manifesta o segredo germinal do Pai, incompreensível ao intelecto humano. Retornar ao meio em que habitou, após se elevar, é o verdadeiro “ato compassivo” do Mestre de Templo, pois, por meio dele é revelada a verdade do Pai, e uma profusão de dádivas espirituais fluem deste ser para a libertação de toda a raça humana. Aleister Crowley relata seu encontro com Choronzon em “A Visão e A Voz” (“The Vision and Voice”), obra referente a visão e a voz dos Anjos dos 30 Aethyrs Enoquianos, que concebeu em 1909 e.v., no norte do deserto africano, ao lado do poeta Victor Neuburg – Frater Omnia Vincam-, um probacionista da A.·.A.·. .
Nas experiências deles com o Aethyr, em 6 de dezembro de 1909 e.v., Choronzon adquiriu muitas formas físicas, inclusive a de uma cortesã parisiense que Neuburg – o Escriba – tinha amado, no intuito de seduzi-lo e fazê-lo sair do círculo de proteção, para “obter para si a forma distinta de Neuburg”. Algumas vezes Choronzon falou com a voz do próprio Crowley – o Vidente. Quando o Vidente com o seu Anel Sagrado escreveu na areia do deserto o nome de BABALON, que é a vitória sobre Choronzon, este não mais se manifestou. Babalon – Binah – é dita ser a vitória sobre Choronzon, no sentido de dizer que o Adepto venceu, ao cruzar o Abismo, Daath, a Sephira do Conhecimento. Este conhecimento de Daath é o conhecimento desprovido do real Entendimento que é fornecido mais acima por Binah. Daath representa o conhecimento intelectual que o iniciado coletou em todas as suas experiências passadas, originadas do seu intercurso com a vida, o mundo, Malkuth. É a tendência que todo ser humano apresenta em interpretar todos os fenômenos sob a perspectiva do conhecimento adquirido em suas experiências pessoais. Como Daath se encontra no Abismo, trecho de passagem do humano para o divino, o conhecimento adquirido das experiências humanas do iniciado não o auxiliam a compreender o divino acima, do qual, ele já começa a sofrer influência. Quanto mais o iniciado se apega as suas próprias experiências passadas, tentando interpretar o novo, o divino, através delas, mais a mente do mesmo se torna confusa e mais ele se debate na angústia daquilo que seu intelecto não consegue compreender.
Este estado de confusão mental, angústia e total desespero diante do incognoscível é o que se conhece como experiência de Choronzon. E, a menos que o iniciado se dispa da sua antiga roupagem, tornando-se um bebê nu e puro, engendrado num ovo, vencendo seu medo do incógnito amanhã e do desconhecido porvir, ele jamais conseguirá alcançar o portal do Divino. Uma vez tendo vencido Choronzon, o iniciado supera a ilusão fenomênica provocada pelo intelecto, uma das ferramentas do Ego, e alcança Babalon, o Entendimento – Binah. Babalon é a virgem qual o adepto se une após ter vencido o demônio da confusão e dispersão. É a pérola sagrada que deve ser resgatada da boca do Dragão que habita o Abismo, Choronzon. Na Qabalah, Binah é a sephirah que logo segue a Daath, na escala ascendente.
Chockmah, que se segue a Binah, é a Sabedoria. Da união do Entendimento com a Sabedoria, o Filho é gerado. Binah é o entendimento necessário para apreender a essência da Verdadeira Vontade, cuja semente reside em Chokmah. Binah e Chokmah são complementares, não existe oposição real ali.Binah é Babalon, e Chokmah o Chaos, por isso é dito que Babalon é a noiva do Chaos. Assim, Binah nos proporciona o entendimento necessário para organizar o “caos” que hoje é, para nós, a visualização daquilo que é a nossa Verdadeira Vontade. Binah e Chokmah são dois eternos amantes, um não subsiste sem o outro, nem o universo sobreviveria se os dois não estivessem em eterno conluio amoroso! Na verdade, Binah e Chokmah, conjugados, são a vitória sobre Choronzon, mas Crowley citou somente Babalon como sendo esta vitória porque a chegada do adepto Cidade das Pirâmides realmente é o primeiro sinal de sucesso sobre o abismo, o adquirir do entendimento necessário para encetar a ainda longínqua jornada até o núcleo de Chaos.
Em razão desta eterna cumplicidade entre Binah e Chockmah, se diz sobre Babalon que ela é aquela dama que está sempre em conluio sexual com absolutamente tudo o que existe no universo manifesto – a Prostituta Sagrada -, pois é a partir da determinação inclusa em Chaos que todo o universo é gerado. É claro que a semente que se encontra em Chaos foi ali semeada pelo que está mais acima, Kether, He-ru-Ha-Ha. O caos de Choronzon não tem nada a ver com o Chaos atribuído a Chokmah. Em Choronzon o caos significa confusão e ilusão, em Chokmah, o Chaos significa germinação, mais referente ao Chaos que antecede a Criação. A manifestação e influência de Choronzon estão no abismo e abaixo do abismo, não pertence Tríade Superna.
A Tríade Superna e aquilo que se encontra abaixo dela são universos com parâmetros e bases completamente diferentes. Sob a influência de Choronzon está o homem que não tem a mínima idéia do que vai fazer da sua vida e não sabe que caminho escolher, devido a isso, se debate na angustiosa impossibilidade da realização concreta, da criação, da alteração do meio de acordo com a Verdadeira Vontade que desconhece. Em Chokmah está o Mago, aquele que adquiriu o supremo conhecimento e entendimento de si mesmo. Aquele que domina todos os seus próprios planos de projeção na existência e sabe exatamente o que quer, o que fazer e como fazer para produzir os resultados que almeja. O Mago é um deus, Hórus manifestado na matéria, pronto para liderar as suas próprias hostes contra o antigo em favor do nascimento do novo, a Criança Coroada e Vingadora que irá, com seu próprio sangue – vida – fertilizar e renovar o mundo. Todos os seres humanos, no sentido da consciência humana comum e adormecida, em maior ou menor grau, vivem sob o reino desequilibrado de Choronzon, o rei da confusão e da dispersão.
E é isso o que, por agora, se pode dizer a respeito de Choronzon, da travessia e do estado espiritual posterior. Ainda assim, tudo isto está muito permeado por conhecimento intelectual. Somente se pode falar plenamente sobre Choronzon quando a experiência de seu enfrentamento e a posterior vitória sobre ele nos for oferecida em sua máxima amplitude. Até que o momento da suprema e definitiva batalha se manifeste, apenas fagulhas de entendimento nos são possíveis. Porém, é destas fagulhas deentendimento que a vida nos oferece que a possibilidade de vitória se desenha e, aos poucos, vai se manifestando para cada um de nós. Devemos sempre lembrar que a vida é a verdadeira iniciação, da qual, todas as outras são como pálidos reflexos no espelho da existência que intensificam a nossa vontade de superar a incerteza humana em favor da certeza divina que habita em todos nós.
É sábio viver a vida intensamente, um dia após o outro, um pequeno passo após o outro; partir sempre da pequena parte para o todo e, tudo isto, sem ânsia de resultados, e tudo isto sempre em nome da Nossa Sagrada Senhora da Iniciação, Babalon, a Senhora da Vida e da Morte que nos abre o Portal da Verdadeira existência. Cruzando o Abismo Após obter-se o SAG, o adepto pode escolher então alcançar o próximo marco maior: o cruzamento do Abismo, o grande golfo ou vácuo entre o mundo fenomênico da manifestação e sua fonte numérica, aquela grande vastidão espiritual que deve ser cruzada pelo adepto para que ele alcance o controle. Esta doutrina é extremamente difícil de ser explicada; porém ela corresponde mais ou menos ao intervalo entre o Real, que é o ideal, e o Irreal, que é o existente. No Abismo todas as coisas existem, realmente, pelo menos in posse, porém não possuem nenhum significado possível; pois elas carecem do substrato da Realidade espiritual. Elas são aparências sem Lei. Elas são, pois Ilusões Insanas. Choronzon é o Habitante do Abismo; ele é lá a obstrução final. Se ele for enfrentado com a preparação própria, então ele estará lá para destruir o ego, o que permitirá ao adepto mover-se para além do Abismo. Se não estiver preparado, então o desafortunado viajante será completamente disperso em aniquilação. Tanto Choronzon quanto o Abismo são discutidos nas Confissões de Crowley (cap. 66): “O nome do Habitante do Abismo é Choronzon, porém ele não é realmente um indivíduo.
O Abismo é carente de ser; está preenchido com todas as formas possíveis, cada uma delas igualmente ocas, cada uma delas, portanto maligna no único e verdadeiro sentido da palavra – isto é, sem significado, porém maligno, já que tenta ao máximo tornar-se real. Estas formas rodopiam insensivelmente em turbilhões aleatórios, como redemoinhos (dust devils), e a cada oportunidade os agregados se justificam como indivíduos e gritam, “Eu sou eu!”, embora cientes a todo momento que seus elementos não possuem coesão verdadeira; de forma que o menor distúrbio dissipa a ilusão da mesma forma que um cavaleiro, encontrando um diabo do pó, o transforma em cascatas de areia no chão.” Contudo, logo do outro lado do Abismo espera Babalon. Ela convoca o adepto a render-se completamente, de forma que ele ou ela possa passar. Babalon, a Cidade das Pirâmides, e a Noite de Pã Choronzon é o habitante do interior do Abismo, e seu trabalho é prender o viajante em seu mundo sem sentido de ilusão. Contudo, Babalon está esperando do outro lado, acenando (na esfera de Binah na Árvore da Vida). Se o adepto se render a ela – o símbolo para este ato é o derramamento do sangue do adepto em seu graal [dela] – ele torna-se impregnado por ela (um estado chamado de “Bebê do Abismo”), e então renasce como mestre e um santo que habita na Cidade das Pirâmides.
A Cidade das Pirâmides é o lar para estes adeptos que cruzaram o grande Abismo, tendo derramado todo o seu sangue no Graal de Babalon. Eles destruíram suas identidades egóicas terrenas, tornando-se nada mais que pilhas de pó (i.e., os aspectos remanescentes de seus Verdadeiros Eus sem o auto-sentido do “Eu”). Em seu interior, eles assumiram o nome ou título de Santos ou Nemo (latim para Homem Nenhum). No sistema da A.´.A.´., eles são chamados de Mestres do Templo. É um passo no decorrer do caminho de purificação espiritual, e um lugar de descanso espiritual para aqueles que desvincularam-se com sucesso do plano mundano. Sobre estes adeptos, está escrito em: “A Visão e a Voz” (Aethyr 14): Estes adeptos assemelham-se a Pirâmides – seus capuzes e robes são como Pirâmides […] E a Visão Beatífica não mais existe, e a glória do Mais Alto não mais existe. Não há mais conhecimento. Não há mais prazer. Não há mais poder. Não há mais beleza. Pois é este o Palácio do Entendimento: pois você é uno com as coisas Primevas.’ O Mestre do Templo, de acordo, não interfere com o esquema das coisas exceto o necessário para realizar a Obra para a qual foi enviado. Porquê ele lutaria contra o aprisionamento, o banimento, a morte? […] O Mestre do Templo está tão distante do homem através do qual Ele manifesta-se que todas estas questões não são de importância alguma para ele. Pode ser de importância para Sua Obra que o homem sente-se sobre um trono, ou que seja enforcado. Fui instantaneamente apagado pela escuridão. Meu Anjo sussurrou as palavras secretas pelas quais se desfruta dos Mistérios dos Mestres do Templo.
No momento presente meus olhos contemplam (o que parecia ser antes formas rochosas) os Mestres, velados em sua majestade imóvel, amortalhados pelo silêncio. Cada um deles era exatamente igual ao outro. Então o Anjo me fez compreender aonde minha aspiração me conduzia: todos ospoderes, todos os êxtases, terminavam nisto – eu compreendi. Ele então me contou que agora meu nome era Nemo, sentado junto com outras formas silenciosas na Cidade das Pirâmides sob a Noite de Pan, aquelas outras partes de mim que eu havia deixado para sempre abaixo do Abismo deveriam servir como veículo para as energias que haviam sido criadas pelo meu ato. Meu corpo e mente privados do ego aos quais eles até então obedeciam, agora estavam livres para manifestar-se de acordo com sua natureza no mundo, para devotar-se a ajudar a humanidade em sua evolução. Em meu caso eu havia sido jogado na Esfera de Júpiter. Minha parte mortal existia para auxiliar a humanidade através do trabalho jupteriano, que é o governar, ensinar, criar, exortar os homens a aspirarem a tornarem-se mais nobres, mais santos, mais dignos, mais reais, mais gentis e mais generosos. A Cidade existe sob a Noite de Pan, ou N.O.X. O brincalhão e (lecherous) Pan é o deus grego da natureza, da luxúria, e do poder masculino gerativo. A palavra grega Pan também se traduz como Tudo, e desta forma é ele “um símbolo do Universal, uma personificação da Natureza, tanto Pangenetor, “criador do todo”, quanto Panphage, “devorador do todo” (Sabazius, 1995). Portanto, Pan é tanto aquele que dá a vida quanto o que a toma, e sua Noite é o tempo da morte simbólica onde o adepto experimenta a unificação com o Todo através da destruição extática do ego-eu.
Num sentido mais geral, é o estado em que se transcendem todos os limites e experimenta-se a unidade com o universo. Magus e Ipsissimus Os dois marcos finais são alcançados apenas por uns poucos. O penúltimo é o tornar-se um Magus (simbolizado pela entrada em Chokmah na Árvore da Vida), cujo dever essencial é comunicar uma nova Verdade à humanidade. Sobre os Magi, Crowley escreve: “Existem muitos instrutores mágicos, porém na história registrada possuímos quase que menos de uma dúzia de Magi no sentido técnico da palavra. Eles podem ser reconhecidos pelo fato de que sua mensagem pode ser formulada como uma única palavra, e esta palavra deve ser algo que quebra todas as crenças e códigos existentes. Podemos tomar como exemplos a Palavra de Buda – Anatta (ausência de um atman ou alma) […] Maomé, mais uma vez, com a única palavra Allah […] Similarmente, Aiwass, pronunciando a palavra Thelema (com todas as suas implicações), destrói completamente a fórmula do Deus Moribundo.” O estado de ser de um Magus é descrito no Líber B vel Magi de Crowley. Em outros lugares, ele admite a possibilidade de alguém alcançar este posto sem pronunciar uma nova Palavra mágica(k). Tal Magus, diz ele, identificar-se-ia com a Palavra do Aeon corrente e trabalharia para estabelecê-lo. Em Magick sem Lágrimas, Crowley sugere (sem dizê-lo abertamente) que os Chefes Secretos da A.´.A.´. alcançaram pelo menos o posto de Magus de alguma forma. O estado de Ipsissimus é o mais alto possível (simbolizado pela esfera de Kether na Árvore da Vida). Relativamente pouco está escrito em aberto sobre este grau de realização. “O Ipsissimus está completamente livre de quaisquer limites que sejam, existindo na natureza de todas as coisas sem descriminações de quantidade ou qualidade entre elas. Ele identificou o Ser e o Não-Ser e o Devir, a ação e a não-ação e a tendência para a ação, com todas as outras triplicidades do gênero, não distinguido entre elas em respeito a quaisquer condições, ou entre uma coisa qualquer e uma outra coisa qualquer conforme ela existe com ou sem condições.” “Ele jura aceitar este Grau na presença de uma testemunha, e expressa suanatureza em palavras e atos, porém para subtrair a Si Mesmo de uma vez sob os véus da manifestação natural como homem, e para manter silêncio durante sua vida humano como fato de sua realização, até mesmo para outros membros da Ordem.” “O Ipsissimus é antes de tudo o Mestre de todos os modos da existência; isto é, seu ser está inteiramente livre de necessidade interna ou externa. Sua obra é destruir todas as tendências de construir ou de cancelar tais necessidades. Ele é o Mestre da Lei da Insubstancialidade (Anatta).” “O Ipsissimus não possui relação como tal com nenhum Ser. Ele não possui vontade que se alinhe em uma dada direção, e nenhuma Consciência de nenhum tipo que envolva a dualidade, pois Nele tudo é realizado, conforme está escrito ‘além da Palavra e do Tolo, sim, além da Palavra e do Tolo’.”
Pazuzu é o pai das mentiras, e pode fazer com que aqueles que consideramos amigos, mas que são fracos de espírito e desprovidos de caráter, se tornem inimigos e que seja traído por aqueles em quem confia. A serpente ataca a traição e às escondidas, tal como o covarde que, sendo maledicente cava um fosso para seu adversário, não tendo coragem de enfrentá-lo peito a peito, sai para fazer falácias. Quem não tem amor próprio, quando não pode realizar seu intento pela força, recorre à humilhação. A coragem e a astúcia será sempre a arma do homem superior, quando a hipocrisia e a covardia será o guia dos fracos. Poderá haver sorrisos que ferirão mais que uma arma ameaçadora, e abraços mais letais que o do bicho preguiça que demonstra docilidade em sua face enquanto crava suas unhas nas costas. E, como a franqueza e a lealdade são qualidades raras no homem, a maioria finge ser franca e leal. Assim, o mentiroso toma o nome de Adonai em seu testemunho; o ladrão finge ser religioso enquanto pilha e mata.
Aprenda a dominar Choronzon dominando as suas próprias fraquezas, com mente e atitude superior, com rigor, amor, misericórdia, magia, severidade, nobreza e sabedoria. Pois a sua jornada será pura Magia. Você reunirá Companheiros corajosos, bravos e verdadeiros; e eles virão até você quando tudo parecer perdido. Você aprenderá lições dolorosas e valiosas, que o ensinará aquilo que precisa saber para cada etapa de sua jornada sagrada por essa vida e por outras que estará por vir, pois uma vez no caminho, mesmo que temporariamente não o busque, ele o buscará novamente.”

Fonte:
Marego
E.I.E
Resenha Paty Witch Maeve

Bruxaria sem Desculpas



Inspire-se

Muita gente deixa de praticar Bruxaria porque não pode ter um comprometimento contínuo, alegando não ter tempo ou disponibilidade de espaço, por exemplo. Outros inclusive falam que não têm dinheiro para comprar livros ou instrumentos. Mas peraí – estamos falando de uma religiosidade pautada na Natureza ou o quê? Veja neste texto como a Bruxaria faz parte da sua vida e como é fácil viver o dia-a-dia como um(a) verdadeiro(a) bruxo(a).

Você descobre que hoje é noite de Lua Cheia mas precisa lavar a roupa. Ou então sábado é dia de sabá, mas você só pensa em ir ao cinema ou descansar no sofá vendo TV. Nós sabemos qual é a realidade. Como podemos, então, adequar nossa vida para que ela corresponda à nossa espiritualidade?

1. Falemos sobre esbbaths. Os esbbaths são os rituais onde celebramos as fases da Lua e o foco cultural é em uma divindade feminina – a Deusa. Todo mundo sabe que o ideal é você sempre saber em que fase está. Isso pode ser resolvido de diversas formas. Óbvio que a mais indicada é a observação, porque é a maneira de se sentir mais próximo(a) e tal. Mas não custa dar uma reforçadinha para os momentos de dúvida. Assim, anote em sua agenda todas as próximas fases da Lua. Se não souber onde encontrar, sempre atualizamos ali do lado direito do site. O que é importante nos esbás é você entender o que está acontecendo naquele dia e ver o que pode ser feito dentro das suas condições atuais. Por exemplo: o que significa uma Lua Cheia em Áries? ou uma Lua Minguante em Escorpião? Reflita sobre esses aspectos e tenha ideias. Na dúvida, siga este guia simples:

Lua Nova – meditação e planejamento;
Lua Crescente – rituais que promovam o início ou a atração de algo;
Lua Cheia – força total em qualquer campo;
Lua Minguante – rituais para agilizar o término de algo ou banimento de qualquer coisa;
Lua Negra – revisão do que foi feito, leitura de oráculos;

Faça nesses dias o que achar melhor. Se quiser – e puder – fazer um ritual com velas, círculo, enfim, tudo o que tem direito, faça! Mas, se não puder, um incensozinho, uma meditação simples, um jantar especial – tudo isso também serve. O importante é manter a intenção em foco. Mas não deixe passar em branco. Um esbbath ocorre uma vez por semana. Nem que seja durante seu banho, dá pra fazer alguma coisa assim. Também não dá para ser bruxo(a) sem o mínimo de boa vontade, que fique claro.

2. Sobre os sabbath. Existem diversas datas de celebrações no decorrer do ano, dependendo da tradição que você segue. Na Wicca, são oito. Alguns bruxos e bruxas preferem celebrar só as quatro estações, ou só os quatro festivais celtas. Tomarei como base a Roda do Ano wiccan, que tem, portanto, oito festivais. Pense bem: oito festivais por ano. Pensando assim, até parece pouco. Mas, no dia-a-dia, (exemplo) lembrar que domingo é Lammas e você não tem ideia de como celebrar ou então você precisa levar sua mãe no supermercado é o que acontece com a maioria dos pagãos. Aqui fica o mesmo conceito dos esbbaths: não deixe passar em branco. O bom dos sabbaths é que, ao contrário dos esbbaths, eles são focados nos grupos, na comunidade, na coisa da partilha. Então, se em um esbbath é legal você meditar sozinho(a), ter aquele momento seu, no sabá é justamente a hora de juntar o pessoal e celebrar de forma gostosa. Nem todo mundo gosta de ir em ritual público celebrar. Tampouco pode celebrar em covens. Se você prefere celebrar sozinho, tudo bem. Mas, se quiser celebrar coletivamente, não precisa sair convertendo seus amigos não-pagãos, ou mesmo sua família – basta ser criativo(a)!

Você pode começar o dia do sabbath com uma meditação simples a respeito dele. Uma coisa boa a se fazer é: sempre que um sabbath estiver se aproximando, progressivamente vá lendo coisas a respeito. Essa é uma forma eficiente de entrar no clima. Com relação às estações, faça uma listinha de rituais que gostaria de fazer em cada época. Por exemplo: estudar sobre o tarô durante o outono, meditar em algum parque na primavera, essas coisas. Mas voltando ao dia do sabbath – depois da meditação, faça coisas relacionadas. O sabbath cai em uma terça-feira? Prepare um jantar especial com base no que está acontecendo! Comidas relativas àquele sabbath música, decoração. Se você é festeiro, chame alguns amigos e não fique falando sobre Paganismo, mas promova um encontro alegre. Secretamente, brinde aos deuses. Acenda sua velinha ali num canto. Faça tudo com aquele ar de “resistência pagã” aos novos tempos, rs. Lembre-se do que significa aquele momento na Roda do Ano. Tenha isso em foco. E divirta-se.

Resumindo, para cada sabbath:

meditação;
leitura a respeito;
praticar alguns costumes (feitiços, simpatias, velas, trabalhos artísticos, oráculos);
preparar uma receita típica;
se divertir!

3. Você não precisa fazer um feitiço por dia para ser um(a) bruxo(a) que se preze! Não! Mas há pequenos rituais do dia-a-dia que são super benvindos e você pode incorporar facilmente. Basta ir fazendo até se tornar um hábito. Quando você acorda, por exemplo, abra a janela e cumprimente o Sol. Talvez você queira usar um pentagrama no pescoço – talvez não esteja afim. Guarde-o na bolsa ou na mochila. Tenha-o com você. No caminho para o trabalho, leia um capítulo de algum livro pagão. Inspire-se. Preste atenção no tempo. Enquanto estiver trabalhando, preste atenção no seu corpo. Respire, inspire, transpire, relaxe, concentre-se e centre-se. Beba água. Veja em sua agenda em que fase a Lua está. Pense nos assuntos em pauta na sua vida naquele momento – o que poderia ser abordado no próximo esbbath? Durante o almoço, coma com tranquilidade. Agradeça à Natureza pela sua refeição. Não se entupa de falsos estimulantes, como açúcar refinado, comprimidos, cigarros e álcool. Escolha fazer um chá a tomar uma aspirina. São essas pequenas escolhas. Sempre prefira o natural. Seu corpo agradece, e a Natureza também. Está com dor de estomago e não sabe que chá fazer à noite? Faça uma pesquisa básica sobre plantas e resolva o problema. Anote em seu Livro das Sombras a descoberta. Na volta do trabalho, cansado(a), ouça música pagã com fones de ouvido. Existem artistas fantásticos para todos os gostos, de Lorenna McKennitt a Marduk. Tome um banho relaxante. Acenda velas e um incenso. Faça uma comidinha gostosa para jantar. Cozinhar é uma Arte também. Ouça música enquanto cozinha, ou mesmo cante – transfira boas energias para o alimento. Medite antes de dormir – reflita sobre todos os aspectos do seu dia. Talvez você queira reler aquele capítulo das Brumas de Avalon quando a Igraine conhece o Uther. Ou então aquele quando o Harry chega em Hogwarts. Ou talvez você queira simplesmente ficar zapeando os canais em busca de algum documentário sobre os maias. Cada dia é uma pequena Roda do Ano completa… lá vamos nós dormir e depois acordar para a nova alvorada. Procure dormir bem. Talvez você queira escrever antes de dormir, ou anotar seus sonhos pela manhã. E já começa tudo novamente…

Viver como bruxo(a) não é ter uma vida glamourosa envolvendo varinhas, estrelinhas voando e vidros de poções por toda a casa. Existe um ideal de Bruxaria que muitas vezes bloqueia a pessoa e ela acaba não fazendo nada porque está longe do que ela acha que é certo dentro do Paganismo. Você deve ter percebido através deste texto que as coisas são mais fáceis do que parecem – basta incorporar o hábito. E também deve ter percebido que não importa se sua família é ou não pagã – nada do que foi falado aqui impõe uma religiosidade a outras pessoas – são atos básicos de convivência com um simbolismo que só diz respeito a você.

Espero que este artigo tenha inspirado você a fazer coisas boas no seu dia-a-dia. Se você se considera pagão, por que não vive como tal? Sem desculpinhas!